Dólar opera em queda com foco em EUA e nas contas públicas do Brasil
Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair
O dólar opera em queda nesta quarta-feira (25). Por volta das 9h15, a moeda americana recuava 0,48%, cotada a R$ 5,1305. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, abre às 10h.
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▶️ Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump evitou mencionar a China em seu discurso sobre o Estado da União na noite de ontem, às vésperas de uma viagem a Pequim. Ele, no entanto, fez ameaças ao Irã e citou a operação que levou à prisão do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro. Trump também tratou de temas como inflação, tarifas comerciais e o desempenho do mercado de ações.
O discurso de Trump no Congresso ocorreu em meio à queda na aprovação do presidente. Aliados temem que os índices influenciem as eleições de meio de mandato.
▶️ Ainda na agenda americana, os investidores acompanham nesta quarta-feira o balanço da Nvidia, que será divulgado após o fechamento do mercado, em meio às incertezas sobre o setor de inteligência artificial. Ao longo do dia, também estão previstos discursos de dirigentes do Federal Reserve (Fed, o banco central americano).
▶️ No Brasil, o Tesouro Nacional informou que o Governo Central registrou superávit primário de R$ 86,9 bilhões em janeiro, resultado acima da expectativa de superávit de R$ 88,8 bilhões. Também será divulgado o fluxo cambial semanal.
▶️ No campo político, uma pesquisa da AtlasIntel mostrou Lula e Flávio Bolsonaro tecnicamente empatados em um eventual segundo turno, com 46,2% e 46,3%, respectivamente, em meio à repercussão negativa do desfile da Acadêmicos de Niterói.
▶️ Na véspera, o mercado já havia reagido ao cenário político: o Ibovespa subiu 1,40%, aos 191.490,40 pontos, enquanto o dólar comercial caiu 0,26%, a R$ 5,1553, com entrada de capital estrangeiro no país.
Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado.
💲Dólar
a
Acumulado da semana: -0,40%;
Acumulado do mês: -1,76%;
Acumulado do ano: -6,07%.
📈Ibovespa
Acumulado da semana: +0,50%;
Acumulado do mês: +5,58%;
Acumulado do ano: +18,85%.
Discurso de Trump no Congresso
O presidente dos EUA, Donald Trump, fez na terça-feira (24) o tradicional discurso do Estado da União, em tom combativo e com duração de cerca de 1 hora e 48 minutos — o mais longo já registrado nesse formato.
Ele enviou recados ao Irã, defendeu a influência americana no hemisfério ocidental e discutiu com parlamentares democratas sobre imigração.
A política externa teve destaque. Trump acusou o Irã de tentar desenvolver uma arma nuclear e afirmou que prefere uma solução diplomática, mas que não permitirá que o país obtenha esse tipo de armamento.
Ele também citou a operação que levou à captura do ex-presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, em 3 de janeiro, classificando a ação como uma vitória para a segurança dos EUA e como um novo começo para os venezuelanos.
Grande parte da fala foi dedicada à economia. O presidente exaltou os resultados de seu governo, disse que a inflação está em queda, que a renda das famílias cresce e que a economia se recupera.
Especialistas, no entanto, contestam a leitura oficial desses indicadores. Trump também afirmou que a produção de energia atingiu níveis recordes e criticou a gestão anterior, afirmando que assumiu o país em crise.
O presidente também atacou a decisão da Suprema Corte que derrubou tarifas impostas a outros países, incluindo o Brasil, com base em uma lei de emergência da década de 1970.
Ele classificou a decisão como frustrante e anunciou uma nova tarifa global de 15% sobre produtos importados. Segundo Trump, a medida poderia substituir parte do sistema de imposto de renda e reduzir a carga tributária dos americanos, além de ajudar a evitar conflitos internacionais.
A economia foi um dos principais focos do discurso, em meio à preocupação dos eleitores com o custo de vida. Uma pesquisa da Associated Press mostrou que 39% dos entrevistados aprovam a condução da política econômica do presidente.
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Agenda econômica
Contas públicas do Brasil
As contas do governo registraram um superávit primário de R$ 86,9 bilhões em janeiro, informou o Tesouro Nacional nesta quarta-feira (25). O resultado ficou acima da expectativa de superávit de R$ 88,8 bilhões.
Na comparação com janeiro do ano passado, houve uma leve piora: em 2024, o superávit foi de R$ 88,84 bilhões, em valores corrigidos pela inflação.
O resultado foi favorecido pela arrecadação federal, que atingiu o maior nível para o mês desde o início da série histórica da Receita Federal, em 1995. A alta da receita está relacionada ao crescimento da economia e ao aumento de impostos.
Para 2026, a meta é que as contas do governo tenham um superávit de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB), o equivalente a cerca de R$ 34,3 bilhões. Pelo arcabouço fiscal aprovado em 2023, há uma faixa de tolerância de 0,25 ponto percentual em torno da meta central.
Isso significa que a meta será considerada cumprida mesmo se o resultado for zero ou se o superávit chegar a R$ 68,6 bilhões. O arcabouço também permite que o governo exclua até R$ 57,8 bilhões em despesas do cálculo, como gastos com precatórios, por exemplo.
Na prática, a previsão é que o governo registre um déficit de R$ 23,3 bilhões em 2026, mesmo que, no cálculo oficial da meta, apareça um resultado positivo.
Se esse cenário se confirmar, as contas públicas devem permanecer no vermelho ao longo de todo o terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Mercados globais
Em Wall Street, os três principais índices americanos fecharam em alta, conforme investidores avaliavam o anúncio da Anthropic sobre novas ferramentas de inteligência artificial. A nova política de tarifas de Trump também continuava no radar.
O Dow Jones avançou 0,76%, o S&P 500 subiu 0,78% e a Nasdaq ganhou 1,05%.
A maior busca por ativos de risco vista em Wall Street também se refletiu na Europa, embora os investidores continuassem aguardando uma maior clareza sobre a política comercial dos EUA.
O índice pan-europeu STOXX 600 fechou em alta de 0,23%, a 629,14 pontos. Entre os demais índices da região, o FTSE 100, de Londres, caiu 0,04%; o DAX, de Frankfurt, recuou 0,02%; e o CAC 40, de Paris, ganhou 0,26%.
Na Ásia, o clima foi mais positivo, especialmente após o retorno dos investidores chineses de um feriado prolongado.
A expectativa de que uma revisão das tarifas dos EUA beneficie a economia chinesa impulsionou os mercados, fortalecendo o iuan e estimulando compras em várias bolsas da região.
Na China, o índice de Xangai subiu 0,9% e o CSI300 avançou 1%. Em Tóquio, o Nikkei cresceu 0,9%, para 57.321 pontos. O Kospi, na Coreia do Sul, subiu 2,11%, e o Taiex, em Taiwan, ganhou 2,75%.
Dólar
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