Programa nuclear iraniano está no centro do confronto com os EUA; entenda
Irã inicia resposta aos ataques de Israel e EUA
A escalada militar entre Irã, Estados Unidos e Israel tem como pano de fundo uma disputa antiga: o programa nuclear iraniano. Após semanas de negociações para tentar limitar ou encerrar as atividades do país, americanos e israelenses lançaram neste sábado (28) um ataque coordenado contra o território iraniano.
📍Explosões foram registradas na capital Teerã e em ao menos outras quatro cidades. Em resposta, o Irã disparou mísseis contra Israel e atacou bases americanas no Oriente Médio.
O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou que o objetivo do ataque é destruir o programa nuclear iraniano e proteger o povo americano de ameaças.
“Nós garantiremos que o Irã não terá uma arma nuclear”, afirmou. “Sempre foi a política dos Estados Unidos, em particular da minha administração, que este regime terrorista nunca poderá ter uma arma nuclear”.
E por que Trump considera o programa uma ameaça? O governo iraniano nega ter uma bomba nuclear. No entanto, parte da comunidade internacional, incluindo a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), órgão responsável pela fiscalização nuclear no mundo, contesta essa versão.
Ao Fantástico, Gary Samore, ex-coordenador de controle de armas dos Estados Unidos, afirmou que o Irã mantém cerca de 400 quilos de urânio enriquecido armazenados em instalações subterrâneas.
👉🏻E o governo Trump usa isso como uma das razões para o ataque.
Essa é a segunda vez em menos de um ano que os EUA atacam o Irã. Em junho de 2025, uma operação norte-americana bombardeou estruturas nucleares iranianas. A ação ocorreu em apoio a Israel, que travava uma guerra contra o país.
O resultado do ataque de nove meses atrás, no entanto, não é claro. Na época, o presidente americano disse que as instalações haviam sido destruídas. Na sequência, Rafael Grossi, chefe da Agência Internacional de Energia Atômica, disse que os ataques causaram danos graves, embora “não totais”.
O programa nuclear iraniano: o que é que o Irã tem que assusta tanto os norte-americanos?
Entenda a cronologia do programa nuclear do Irã:
1953: Golpe apoiado pelos Estados Unidos consolida o poder do xá Reza Pahlavi, que se torna peça-chave na estratégia americana de contenção da União Soviética durante a Guerra Fria.
1957: Início do programa nuclear iraniano com incentivo dos Estados Unidos. O Irã aderiu ao programa “Átomos para a Paz”. A iniciativa previa o desenvolvimento de energia nuclear para fins pacíficos.
1979: Revolução Islâmica derruba o xá. Em pouco tempo, os aiatolás assumem o poder no Irã.
1987: O programa nuclear passa a ser usado pelo regime islâmico como trunfo contra seus inimigos, Estados Unidos e Israel.
2015: Irã e governo Obama chegam a um acordo. Em troca de alívio nas sanções econômicas, o país aceita limitar o enriquecimento de urânio, sob controle das Nações Unidas.
2018: No primeiro mandato, Donald Trump retira os Estados Unidos do acordo, classificando-o como “o pior de todos os tempos”.
Após 2018: Sem fiscalização, o Irã retoma o programa nuclear e passa a enriquecer mais urânio.
2025: O confronto chega ao auge com ataques americanos contra complexos nucleares de Danz, Isfahan e Fordham. Em Fordham, havia 2.700 centrífugas, que provavelmente foram destruídas.
2026: Após semanas de negociações para tentar limitar ou encerrar as atividades do país, americanos e israelenses lançaram neste sábado (28) um ataque coordenado contra o território iraniano.
Imagem de satélite mostra instalação nuclear de Isfahan, no centro do Irã, com reformas recentes nas entradas de túneis, em 10 de fevereiro de 2026.
Vantor/Handout via REUTERS
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