Vitória do Grêmio transcende lance mais emblemático do Gre-Nal
Aos 32 min do 1º tempo – cartão vermelho direto de Bernabei do Internacional contra o Grêmio
Se fizéssemos uma maquete do Gre-Nal 450, se miniaturizássemos o clássico deste domingo e o expuséssemos feito decoração, um bibelô para a posteridade, a cena a ser congelada seria aquela dos 32 minutos do primeiro tempo: a falta para o Inter no ataque, a cobrança de Bruno Gomes (em vez de Alan Patrick) na barreira, a bola se oferecendo para a disparada de Amuzu, a falta desesperada de Bernabei, a expulsão.
Aquela jogada foi um microcosmo do jogo. Estiveram embutidos nela os erros do Inter, a atenção do Grêmio, a capacidade tricolor de, desta vez, se aproveitar das fragilidades do adversário. Foi o lance mais decisivo do Gre-Nal: o que aconteceu depois, a superioridade do Grêmio, a atuação ínfima do Inter, a vitória tricolor por 3 a 0, as polêmicas de arbitragem, foi consequência dele.
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Não que a vitória do Grêmio tenha descendido exclusivamente desse instante, desse estalo de caos em um jogo no qual, até então, pouco acontecia. O time de Luís Castro dava sinais promissores antes dele: anulava Carbonero, constrangia as ações de Alan Patrick, encontrava alguns espaços entre a marcação, se mostrava muito mais competitivo do que no clássico anterior, ainda pela primeira fase (4 a 2 para o Inter no Beira-Rio). O Grêmio já era levemente superior; a expulsão de Bernabei foi o empurrão para dominar cada pequeno quadrante do gramado da Arena.
A partir daquele lance, deu tudo certo para o Grêmio, a começar pela rapidez com que aproveitou a vantagem numérica para chegar ao gol. Aos 38, Enamorado pegou rebote na entrada da área e fez 1 a 0.
O técnico do Inter, Paulo Pezzolano, decidiu esperar o intervalo para mexer no time. Foi um erro. Ainda antes do fim do primeiro tempo, o Grêmio chegou ao segundo gol, com Amuzu, o melhor jogador em campo.
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Pezzolano fez no intervalo as trocas que deveria ter feito logo depois da expulsão, reforçando a última linha defensiva (com Aguirre e Victor Gabriel) e mantendo alguma tentativa (embora inócua) de saída para o ataque. Foi uma contenção de danos. O Grêmio ainda chegou ao terceiro gol, em chute de Carlos Vinícius que Victor Gabriel completou contra, mas o placar poderia ter sido ainda pior para os colorados – poderia ter sido irreversível.
O Inter reclama muito de dois lances: de uma cotovelada de Arthur em Borré, quando o jogo ainda estava 0 a 0, e de uma falta sobre Ronaldo pouco antes do segundo gol do Grêmio. Achei o primeiro lance discutível, mas me pareceu um choque de jogo; no segundo, realmente houve falta, mas o Inter manteve a posse e seguiu na direção do ataque, tirando proveito de clara vantagem, e só depois o Grêmio tomou a bola e fez o gol (não foi, portanto, caso de infração na origem da jogada).
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Mais do que se enfurecer contra a arbitragem, cabe ao Inter entender por que errou tanto, por que jogou tão pouco, por que seus principais jogadores estiveram tão apagados – e, em última medida, por que não conseguiu alcançar o desempenho que, nestes dois primeiros meses do ano, vinha sendo superior ao do rival. A expulsão de Bernabei ajuda a explicar, mas não explica tudo. A atuação foi abaixo do aceitável mesmo considerada a desvantagem numérica.
A consequência é o Grêmio muito perto do título, em especial com a evolução demonstrada nos últimos jogos. Só não é campeão porque este esporte se chama futebol e este jogo se chama Gre-Nal. E porque ainda estamos em um momento de oscilações muito fortes, como mostraram os dois primeiros clássicos do ano no Rio Grande do Sul.
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