RÁDIO BPA

TV BPA

100 dias para a Copa do Mundo: conheça o torcedor que vai de fusca do Brasil aos Estados Unidos

100 dias para a Copa do Mundo: conheça o torcedor que vai de fusca do Brasil aos Estados Unidos

Gaúcho irá de fusca até os EUA
O gaúcho Guilherme Martin, de 33 anos, tem um fusca e um sonho: viajar até os Estados Unidos para acompanhar a seleção brasileira durante a Copa do Mundo. Serão mais de 14 mil quilômetros em três meses. O torcedor saiu de Porto Alegre nesta segunda-feira e, se tudo correr dentro do previsto, chegará a Miami em meados de maio.
+ Veja a tabela da Copa de Mundo da FIFA
A aventura é organizada há sete meses, desde a emissão do visto americano, em julho de 2025, e será feita na direção de um fusca azul, ano 1971.
O veículo teve a parte interna adaptada com cama, geladeira automotiva e minicozinha e recebeu nova adesivagem externa, com listras verdes e amarelas. As rodas e o motor também foram substituídos pelas peças do primeiro fusca de Guilherme, reavido no Uruguai, semanas antes de rumar à América do Norte (entenda abaixo).
Guilherme adaptou a parte interna do fusca com cama, geladeira automotiva e mini cozinha
Guilherme Martin/Arquivo Pessoal
Serão 14 países percorridos e uma travessia de container para levar o fusca da Colômbia ao Panamá. Guilherme estima um gasto de R$ 100 mil, parte do valor já foi arrecadado com patrocínios e o restante ele espera angariar no decorrer da viagem, com uma vaquinha on-line e a venda de souvenirs nas redes sociais.
– Eu vou ficar até a final da Copa, estando o Brasil ou não. Nesse meio tempo vou ver os lugares para onde vou, quais seleções ver, pois estou indo sem ingresso. Nem sei se vou ver o Brasil, mas vou pra cidades dos jogos. Estou confiante – contou.
Leia também:
+ Torcedor vai de Fusca até a Bolívia para acompanhar o Grêmio
+ Conheça gari acrobata que conquistou torcida e ídolos do Inter
Guilherme Martin viajará de fusca até os Estados Unidos
Alana Schneider/ge
Fusca apreendido
Guilherme é torcedor do Grêmio e comprou seu primeiro fusca em 2021. Três anos depois, ficou conhecido por acompanhar os jogos do time pelo Brasil e na América do Sul. O projeto foi nomeado “Até de Fusca Nós Iremos”, uma alusão ao verso “até a pé nós iremos” do hino do Tricolor.
A primeira viagem foi em abril de 2024 até a Bolívia e, três semanas depois, retornando de outra partida, teve o fusca apreendido ao entrar no Uruguai. Guilherme trazia 50 miniaturas do troféu da Libertadores e foi punido por suspeita de contrabando.
– Precisei concertar o para-brisa na Argentina e custou 400 dólares. Não tinha esse dinheiro, comprei os troféus e abri uma live para vender. Parei a lista em 50, botei no fusca e quando cruzei a fronteira apreenderam o veículo e a mercadoria – explicou.
Initial plugin text
Foi necessário então, comprar um novo fusca, inicialmente pintado de azul. O plano era iniciar a aventura rumo aos EUA ainda em janeiro, mas uma audiência para reaver o fusca apreendido no Uruguai obrigou o torcedor a adiar os planos em um mês. No dia 12 de fevereiro, ele conseguiu liberar o veículo e trazê-lo de volta a Porto Alegre.
– Um ano e oito meses parado, bati chave e pegou de primeira. Não terminou a bateria, o tanque cheio, só enchi os pneus e saí de lá rodando. (…) Queria muito ir com ele, mas ficou parado no tempo, tem muita coisa podre e não tenho tempo para arrumar.
Mas uma parte do veículo antigo estará presente na viagem, uma vez que o motor e os pneus foram instalados no fusca azul.
Fusca recebeu nova identidade visual, com listras verdes e amarelas e a bandeira do Brasil
Guilherme Martin/Arquivo Pessoal
Por terra, céu e mar
Guilherme não estabeleceu uma quilometragem diária, mas disse pegar estrada somente durante o dia. Saindo de Porto Alegre, a primeira parada será no extremo oeste de Santa Catarina. De lá segue até o Marco das Três Fronteiras, em Foz do Iguaçu, e passará por Paraguai, Argentina, Chile, Peru, Equador e Colômbia.
O planejamento do trajeto pela América do Sul foi feito com base no Google Maps, dando preferência a rotas já utilizadas em outras viagens. A partir da entrada no Panamá, recorreu a dicas dos amigos.
– Na divisa o fusca vai de navio, em um container para o Panamá. Eu pego um avião da Colômbia e no porto retiro ele e sigo viagem pela América Central. Falaram que todo o processo demora uns 15 dias. (…) Vão ser quase R$ 30 mil.
Guilherme Martin viajará de fusca até os Estados Unidos
Alana Schneider/ge
Além do envio do fusca pelo mar e das rodovias nunca exploradas, outro desafio é passar pelo Deserto do Atacama, devido às altas temperaturas e o risco de fundição do motor, que é refrigerado a ar. Conforme Guilherme, nesses locais, será preciso uma pausa, no mínimo, a cada 100 quilômetros.
– Meu medo é o motor fundir, como já aconteceu na Argentina. Isso faz a viagem parar por um bom tempo, porque até arrumar, retífica, leva dias. Agora, medo de violência, essas coisas, não.
Conheça a história do torcedor que irá a Bolívia para acompanhar o Grêmio na Libertadores
O plano é chegar aos Estados Unidos em meados de maio e passar algumas semanas hospedado com amigos, em Miami. Em caso de atraso, Guilherme seguirá direto a Nova York, onde o Brasil estreia no dia 13 de junho, contra Marrocos.
– Casa de amigos só vou ter em Miami. No resto, vou dormir dentro do fusca, parado em algum estacionamento e tomar banho em vestiários de uma rede de academias.
Um louco sonhador
Gaúcho de 33 anos, Guilherme nasceu e cresceu em Porto Alegre, mas já morou em Curitiba e no Rio de Janeiro. Trabalhava como crupiê de poker e cursava faculdade de aviação, mas hoje se dedica às redes sociais, sendo a criação de conteúdo seu “ganha pão”.
– Sempre fui meio desgarrado, querendo conhecer e explorar o mundo. Então, o fusca me ajudou muito nisso – contou o torcedor, que fará uma espécie de diário de viagem no perfil @atedefuscanosiremos.
– Vou ter conteúdo diário no Instagram e Youtube e quero ver se ainda consigo outro celular para manter uma live 24 horas, fazer um tempo real da estrada – acrescentou.
Guilherme Martin viajará de fusca até os Estados Unidos
Alana Schneider/ge
Guilherme já viajou acompanhado, mas a imprevisibilidade dos roteiros dificulta o planejamento de amigos e familiares, que segundo ele, já desistiram de demovê-lo das viagens e, hoje, apoiam as aventuras.
– Eles pensavam que não teria como piorar a situação, agora inventei de ir até os Estados Unidos – brincou.
Terminada a Copa do Mundo, serão outros três meses para a viagem da volta. A expectativa de Guilherme é estar em solo gaúcho no final de outubro. geRead More