Brasileiros fizeram parte de equipes novatas, como a Cadillac na F1 2026
Jornalista Rodrigo França projeta temporada da estreante Cadillac na F1 2026
Mudanças de nome, parcerias, aquisições de equipes… nada disso é incomum na F1. O que não costuma acontecer com frequência é a entrada de uma equipe totalmente do zero na categoria, sem tirar o lugar de ninguém e com instalações novas. No GP da Austrália de domingo (8), a Fórmula 1 verá um novo exemplo deste tipo após dez anos: a Cadillac.
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Na quinta-feira, a partir das 22h, você acompanha ao vivo o primeiro e o segundo treino livre do GP da Austrália no sportv 3. A transmissão das sessões de sexta-feira começa às 22h30 também no sportv 3. A primeira corrida da temporada 2026 da Fórmula 1 no circuito de Melbourne será transmitida ao vivo pela TV Globo, pelo sportv 3 e pelo ge a partir da 0h15 na madrugada de sábado para domingo.
Bruno Senna no GP da Turquia da F1 em 2010, com a HRT
Charles Coates/LAT Images
Excluindo o time americano da conta, apenas oito equipes surgiram desta forma nos últimos 30 anos, e só uma segue de pé: a Haas. Curiosamente, algumas delas tiveram brasileiros como pilotos durante os anos de estreia na Fórmula 1. Foi o caso da HRT, time que só permaneceu na categoria por três temporadas. Bruno Senna, porém, revelou as dificuldades enfrentadas em sua passagem na equipe.
– O clima dentro da equipe era sempre muito ruim, terrível. O carro estava sempre com problemas, não tinha peça nova, não tinha peça sobressalente. Tudo que quebrava era reemendado, então era sempre uma situação bem complicada – revelou o ex-piloto, sobrinho do tricampeão Ayrton Senna, ao ge.globo. Bruno categorizou a HRT como um “projeto complicado” desde o início e detalhou:
– A expectativa de conseguir fundos era um pouco otimista demais. A gente estava tentando ajudar eles com nosso conhecimento e trazendo, inclusive, potenciais patrocinadores do Brasil. Mas eles, com a visão irrealista de que conseguiriam, se atrapalharam. O carro (Dallara) era bem-nascido, mas acabou ficando atrasado, sem o desenvolvimento da pré-temporada. A gente tentava fazer certas pontes, mas o Colin Kolles (chefe de equipe) não estava interessado em fazer a equipe ir para frente, ele estava interessado em fazer dinheiro e trazer as pessoas que interessavam para ele.
Bruno Senna foi piloto da modesta Hispania (ou HRT) na F1 2010
Mark Thompson/Getty Images
Em seu primeiro ano na F1, a HRT não saiu do fundo do grid; seu melhor resultado foi um 14º lugar, obtido duas vezes por Karun Chandhok e uma por Bruno Senna.
– O carro era muito limitado, então o dia que a gente conseguia estar na frente das outras, ficava feliz. Mas o problema maior é que nessa situação de estar com peças remendadas, etc, o carro variava muito de um dia para o outro, ele não tinha todos aqueles sensores das equipes mais avançadas. Psicologicamente era muito complicado entender se era a tua falta de performance, ou era do carro. A gente teve que lutar muito para se manter com uma moral alta em poucos momentos. Nenhum esportista quer estar numa situação dessa.
Bruno Senna durante a temporada de 2010 da F1, na Hispania
Mark Thompson/Getty Images
O brasileiro deixou o time na temporada seguinte, migrando para a Renault, mas as dificuldades seguiram na garagem espanhola até sua retirada, ao fim de 2012. Senna, por sua vez, ainda correu pela Lotus e a Williams antes de deixar o grid da categoria.
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Ele foi mais um da lista de brasileiros que compuseram equipes estreantes na F1, assim como os compatriotas Lucas di Grassi (Virgin, em 2010); Rubens Barrichello (Stewart, em 1997) e Ricardo Rosset (Lola, em 1997). Mas apesar do frustrante retrospecto pessoal, Senna projeta um começo melhor para a Cadillac em 2026:
– Eles já vêm com um background mais sólido, estão fazendo essas preparações e têm um respaldo bem grande da GM por trás. Estão realmente investindo na equipe, no que eles querem atingir; eles não estão ali para brincar, estão ali para investir, mostrar a força dos Estados Unidos. Vão ter pilotos experientes também, o que acho que vai ajudar bastante. Espero que eles consigam ir bem, toda equipe nova na Fórmula 1 ajuda o esporte e ajuda a competição.
Valtteri Bottas observa carro da Cadillac quebrado em terceira manhã de testes na F1 2026, no Bahrein; começo da equipe não deve ser fácil
Joe Portlock/Getty Images
Abaixo, o ge mostra como foi a trajetória das últimas estreantes no grid:
Haas – 2016
A única equipe ainda em atividade na lista. O time americano disputava a NASCAR desde o início dos anos 2000, mas decidiu dar o passo rumo à F1 após anos de preparação. A Haas comprou a sede da antiga Marussia em Banbury, na Inglaterra, e cumpriu o planejamento de chegar à categoria em 2016.
Com quarto lugar no México em 2025, Ollie Bearman igualou melhor resultado da Haas na F1
Eloisa Sanchez/Reuters
No primeiro ano, a Haas teve o francês Romain Grosjean e o mexicano Esteban Gutiérrez como pilotos. E não fez tão feio: foi oitava colocada na temporada, com 29 pontos. No entanto, não mostrou muito progresso depois disso; embora seja um time consolidado na Fórmula 1, ainda não conseguiu ter uma campanha de destaque.
Com apenas uma pole position (em São Paulo, com o dinamarquês Kevin Magnussen em 2022) e sem pódios, o melhor resultado da equipe em corridas foi o quarto lugar, em duas ocasiões – a última delas com Oliver Bearman, no GP do México do ano passado. O único brasileiro a pilotar pelo time foi Pietro Fittipaldi, mas como substituto em duas corridas de 2020.
HRT – 2010
A Hispania Racing Team surgiu por iniciativa do ex-piloto Adrián Campos e se tornou a primeira equipe da Espanha na F1. No entanto, a equipe não tinha esse nome: se chamava Campos Meta e viveu uma crise antes mesmo de estrear, com dificuldade de achar investimentos. Por outro lado, anunciou Bruno Senna – sobrinho de Ayrton – como titular para a F1 2010.
Sem dinheiro até para pagar a Dallara, contratada para desenhar e construir o carro, a Campos Meta foi vendida pouco antes do início da temporada ao acionista majoritário José Ramón Carabante e, aí sim, passou a se chamar Hispania (ou HRT). Mas o início foi muito difícil: na corrida de abertura no Bahrein, Bruno e o indiano Karun Chandhok ficaram a respectivos oito e nove segundos atrás do pole position Sebastian Vettel.
Bruno Senna no GP do Bahrein da F1 em 2010, com a HRT
Charles Coates/LAT Images
Durante a temporada, a tônica foi a mesma: quebrar ou terminar muito atrás dos líderes. A HRT acabou ano sem pontuar, rompeu com a Dallara e buscou uma parceria com a Toyota, também encerrada de forma precoce. Bruno Senna saiu no fim de 2010, com a 14ª posição na Coreia do Sul como melhor resultado.
Depois disso, a trajetória do time não mudou: diante dos problemas financeiros, os donos da Hispania botaram o time à venda em novembro de 2012. Sem compradores, a escuderia fechou as portas sem nunca ter pontuado.
Virgin – 2010
Mais uma equipe da leva de 2010, e mais uma que mudou de identidade: inicialmente, se chamaria Manor (depois surgiria um time com este nome, mas essa é outra história). Comprada pelo magnata Richard Branson, a escuderia se transformou em Virgin, mas estreou com o menor orçamento da Fórmula 1, estimado em 40 milhões de libras.
Lucas di Grassi pilota carro da Virgin na F1 2010
Paul Gilham/Getty Images
Assim como a HRT, a Virgin optou por contratar um brasileiro. Lucas di Grassi, antes na GP2, formou dupla com o alemão Timo Glock. E o desempenho das escuderias foi semelhante: muito atrás das equipes já consolidadas, o time inglês suava para tentar finalizar as provas. Como a melhor posição de cada um dos pilotos foi o 14º lugar, a estreante ficou na lanterna do campeonato de construtores.
A Marussia resolveu se tornar acionista majoritária do time em 2011, e Lucas di Grassi foi trocado pelo belga Jerome d’Ambrosio, hoje vice-chefe de equipe da Ferrari. No entanto, o carro – desenvolvido só com CFD (uma espécie de túnel de vento virtual) – continuava bastante lento, brigando apenas com a HRT. Após mais um ano zerada, a equipe mudou de nome e passou a ser Marussia F1 em 2012.
Lucas di Grassi foi piloto da estreante Virgin na F1 2010
Vladimir Rys/Bongarts/Getty Images
Lotus Racing (ou Team Lotus?) – 2010
Não, essa não é a Lotus original. A nova equipe foi fundada em 2010 por empresários malaios liderados por Tony Fernandes, sob o nome Lotus Racing – isso aconteceu com apoio da montadora Proton, então dona do Grupo Lotus. Embora tenha ficado consistentemente à frente das outras novatas, a escuderia passou dois anos sem pontuar.
Em 2010, Lotus Racing usou as cores da tradicional equipe inglesa
Getty Images
No entanto, o que marcou a trajetória do time na F1 foi a polêmica em relação ao nome: o Grupo Lotus decidiu encerrar a licença do nome Team Lotus para a equipe ainda em 2010, mas os malaios responderam: compraram o nome Lotus Racing, com intuito de utilizá-lo em 2011. Ao mesmo tempo, o Grupo Lotus se juntou à empresa Genii Capital e comprou a Renault, rebatizando o time como Lotus Renault.
Ou seja: a temporada de 2011 da Fórmula 1 teve duas equipes chamadas Lotus, e ambas com motores Renault. Depois de uma batalha judicial sobre o uso dos nomes, Tony Fernandes comprou a fabricante Caterham e a transformou em Caterham F1 Team para 2012, encerrando a trajetória da Lotus malaia na categoria.
Super Aguri – 2006
Talvez a equipe mais folclórica da Fórmula 1 no século 21, a Super Aguri foi criada pelo ex-piloto Aguri Suzuki para ser uma espécie de “time B” da Honda. Embora tenha começado do zero, a Super Aguri tinha algumas ligações técnicas e estruturais com a finada Arrows – e o carro do ano de estreia era uma versão atualizada de um monoposto de 2002 da antiga equipe.
Yuji Ide sai da pista com sua Super Aguri em um dos treinos para o GP da Austrália de 2006
Australian Grand Prix/Getty Images
Os resultados foram ruins, e a equipe não pontuou na primeira temporada. E embora Takuma Sato fizesse provas minimamente consistentes, o segundo piloto Yuji Ide caiu de paraquedas na F1: estreante aos 31 anos, não sabia falar inglês (quase um pré-requisito na categoria) e cometeu vários erros bobos, incluindo uma pancada que deixou o carro de Christijan Albers de cabeça para baixo. Como resultado, Ide virou reserva após quatro provas e teve a superlicença revogada pela FIA.
Em 2006, Albers capotou em Imola após ser acertado por Ide, da Super Aguri
Reprodução/rede social
O time viveu seu auge em 2007, quando Takuma Sato marcou quatro pontos no campeonato, com direito ao sexto lugar no Canadá e ultrapassagem sobre o vigente bicampeão Fernando Alonso. No entanto, a perda de uma parceria comercial e os subsequentes problemas financeiros fizeram com que a Super Aguri fechasse as portas durante a temporada de 2008.
Toyota – 2002
Assim como a Cadillac, a Toyota chegou à Fórmula 1 com altíssimo investimento – à época, dizia-se que o orçamento dos japoneses só não era maior que o da Ferrari. Cercada de expectativas, a equipe estreou em 2002 com Allan McNish e Mika Salo como pilotos. Embora este último tenha pontuado já na estreia, a escuderia não conseguiu traduzir dinheiro em bons resultados e só somou mais um ponto no ano.
Da Matta liderou o GP da Inglaterra de 2003 com a Toyota
Getty Images
A equipe passou a evoluir gradualmente e contou com os brasileiros Cristiano da Matta e Ricardo Zonta como pilotos, em diferentes momentos. Ambos não tiveram muito destaque: Cristiano teve o sexto lugar como melhor posição, e Zonta, o décimo. Apesar de todo o investimento da Toyota, o primeiro ano de resultados decentes aconteceu só em 2005, quando o time acabou em quarto lugar no campeonato de construtores – a dupla era formada por Ralf Schumacher e Jarno Trulli.
No entanto, este seria o melhor resultado da equipe japonesa, que viu a pressão por resultados crescer a cada ano que se passava. Em 2009, a empresa como um todo registrou grandes perdas financeiras, e a Toyota tomou a difícil decisão de deixar a F1 – sem uma vitória sequer. No total, a escuderia conquistou 13 pódios em oito anos.
Stewart – 1997
Depois de uma carreira de sucesso com três títulos mundiais, Jackie Stewart resolveu retornar à Fórmula 1 em 1997, desta vez como dono da Stewart Grand Prix. A equipe tinha apoio da Ford, que também fornecia motores para os ingleses. Rubens Barrichello, antes na Jordan, foi um dos escolhidos para conduzir a equipe.
Barrichello conquistou única pole position da equipe Stewart na Fórmula 1
Getty Images
O carro da Stewart nos dois primeiros anos tinha potencial, mas sofria excessivamente com a falta de confiabilidade. Rubinho, por exemplo, conseguiu concluir apenas nove das 33 provas que disputou no período, mas pontuou por três vezes quando chegou ao final, incluindo um segundo lugar no GP de Mônaco de 1997.
O ano de 1999 foi o melhor da equipe britânica, mesmo com um carro ainda irregular. Rubinho fez uma pole position e foi ao pódio três vezes, enquanto o britânico Johnny Herbert conseguiu a única vitória da história da escuderia, no GP da Europa daquele ano – Barrichello terminou na terceira posição.
Jackie Stewart (centro) celebra vitória de Johnny Herbert e terceiro lugar de Rubens Barrichello em Nürburgring, em 1999
Getty Images
Em 2000, a Ford resolveu comprar a Stewart e renomeá-la para Jaguar, encerrando a trajetória da equipe de Jackie na Fórmula 1. No entanto, as raízes do time seguem na F1, já que a Jaguar foi comprada em 2005 pela Red Bull, uma das potências do atual grid.
Lola – 1997
A Lola é uma tradicional marca do automobilismo britânico, mas só tinha entrado na F1 fornecendo carros para outras equipes. Isso mudou em 1997: financiada por uma conhecida multinacional americana, a escuderia se preparou para estrear – no entanto, a pressão dos patrocinadores fez com que o projeto, com previsão de início para 1998, fosse adiantado em um ano.
O time escolheu o brasileiro Ricardo Rosset e o italiano Vincenzo Sospiri como pilotos, mas o projeto foi um fiasco: o motor Lola V10 planejado não foi à frente e acabou substituído por um Cosworth V8, e o carro não foi testado em túnel de vento – na pista, foram pouquíssimas voltas.
Ricardo Rosset com o pavoroso carro da Lola em 1997
Getty Images
A estreia na Austrália não aconteceu: Sospiri e Rosset ficaram, respectivamente, a 11 e 13s do pole position. Com isso, foram impedidos de largar e não participaram do grande prêmio. A próxima prova seria no Brasil, mas a Lola abdicou da corrida e, em seguida, anunciou a desistência do campeonato. O badalado projeto durou uma prova.
Infos e horários – GP da Austrália da F1 2026 v2
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