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Último título do Grêmio no Beira-Rio foi “profetizado” entre reservas; ex-atletas contam bastidores

Último título do Grêmio no Beira-Rio foi “profetizado” entre reservas; ex-atletas contam bastidores

Grêmio empata com Inter no Beira-Rio e conquista Gauchão de 2006; relembre
Vinte anos depois da última conquista no Beira-Rio, o Grêmio pode repetir o feito no Gre-Nal deste domingo, a partir das 18h, no segundo jogo da final do Gauchão. Em 2006, um grupo cicatrizado pela Série B no ano anterior ficou com a taça do estadual após empate em 1 a 1 na casa colorada. O título foi profetizado entre reservas que se aqueciam para o segundo tempo.
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O desafio de duas décadas atrás era, sem dúvida, maior do que o atual. No primeiro confronto, no Olímpico, ao invés dos dilatados 3 a 0 de 2026, houve empate sem gols. Igualdade no placar no segundo jogo, mas com gols, dava o título ao Grêmio, em função do antigo “gol qualificado”.
Personagens que participaram daquela conquista lembram que o Inter – campeão mundial no fim daquele ano – era tido como amplo favorito naquele campeonato. O ge conversou com o zagueiro Pereira, o volante Jeovânio, capitão nos clássicos decisivos, e o atacante Pedro Júnior, autor do gol do título. O trio contou bastidores da campanha e da pressão enfrentada no Beira-Rio com 57.541 pessoas.
– Todos no Rio Grande, tirando os torcedores do Grêmio, colocavam o Inter como favorito. Mas a gente, dentro do grupo, tinha sempre uma convicção muito forte que a gente poderia chegar – recorda Pedro Júnior.
– 100% da imprensa falava que eles seriam campeões – atesta Jeovânio.
Grêmio pode voltar a ser campeão no Beira-Rio depois de 20 anos
Posta a diferença de expetativa entre os times e o empate em 0 a 0, tática e emocional ganharam peso especial na preparação para o segundo clássico. Calejado pela Batalha dos Aflitos e técnico em ascensão no futebol brasileiro, Mano Menezes teve atuação crucial na conquista.
– O Mano sempre foi um treinador estratégico. Algumas coisas foram desenvolvidas ao longo da semana. Primeiro, na questão tática. Sabíamos que tínhamos que fazer um jogo de excelência. O Mano estruturou muito bem a equipe. No primeiro jogo, com dois laterais-direitos (Patrício e Alessandro). No segundo, com dois laterais-esquerdos (Escalona e Wellington). Acho que isso bagunçou um pouco o Abel (Braga, técnico do Inter) – explica Pereira.
E teve a questão motivacional. Todos davam o Inter como favorito, diziam que ia ser fácil. Isso foi trabalhado durante a semana, com recortes de jornais. Não adianta, isso faz a diferença.
Pereira em disputa de bola com Fernandão no Gre-Nal de 9 de abril no Beira-Rio
Valdir Friolin / Agência RBS
Coube aos atletas mais experientes o papel de tranquilizar os jovens talentos, como o volante Lucas Leiva e o goleiro Marcelo Grohe, ambos com 19 anos e titulares no clássico. O favoritismo do Inter somado à casa cheia tornavam o ambiente ainda mais hostil para as então promessas da base tricolor.
– A nossa referência era o Sandro Goiano, mas tínhamos outros jogadores experientes que incentivavam os mais jovens, como o Pereira, o Patrício, o Marcelo Costa, o Lipatín. Dizíamos para eles (os jovens) que a responsabilidade era nossa, mas sabíamos o talento que eles tinham. O Lucas e o Marcelo também tinham muita personalidade – afirma Jeovânio, que hoje é diretor do Itaberaí, clube de formação de Goiás.
Jeovânio (o segundo, a partir da dir.) com a taça do Gauchão
Ricardo Duarte / Agência RBS
Passada a preparação, o Gre-Nal se desenrolou de forma equilibrada no Beira-Rio. O Inter tomava a iniciativa, mas as chances de gol eram poucas. Até que Fernandão abriu o placar aos 12 minutos do segundo tempo.
Nesse momento, os reservas do Grêmio estavam no aquecimento. E Marcelo Lipatín profetizou com sotaque uruguaio o que na hora pareceu uma loucura:
– Foi bom que saiu o gol.
Pedro Júnior, outro garoto do elenco, com 19 anos, lembra da conversa que guarda até hoje como um dos momentos marcantes daquele domingo.
– Eu olhei para ele na hora assim e falei: “por que guerreiro?”. O gol, a gente está perdendo o título. Ele falou: “não, agora um de nós dois vai entrar, e quem entrar vai fazer o gol do título”. Aí logo em sequência o Mano me chamou para entrar – sorri, ao contar, o ex-centroavante, atualmente empresário de jogadores.
Pedro Júnior fez o gol do empate e do título do Grêmio no Gauchão de 2006
Júlio Cordeiro / Agência RBS
Dezessete dias antes, Pedro Júnior havia sido o vilão da queda precoce do Grêmio na segunda fase da Copa do Brasil. O Tricolor decidiu nos pênaltis a vaga contra o 15 de Novembro, de Campo Bom, e o centroavante paraense bateu a sexta cobrança na trave.
No vestiário, após a eliminação, Jeovânio deu o primeiro sinal para Pedro Júnior de que o futuro seria melhor.
– Eu falei para ele: “às vezes, a gente não sabe o que Deus está preparando”. Usei minha experiência para proteger o menino. O pênalti perdido, depois do título do Gauchão, foi apagado – lembra o ex-volante.
Pedro Júnior conta história inusitada do gol do título do Gauchão em 2006
Pedro Júnior entrou no lugar de Ramon aos 16 minutos da etapa final. Pouco tempo depois, sofreu falta na intermediária. Marcelo levantou a bola na área e, ele mesmo, Pedro Júnior torneou de cabeça para fazer o gol do empate e do título.
Foi a segunda vez na história que o Grêmio conquistou um título dentro do Beira-Rio. Só havia ocorrido no Gauchão de 1980. Com o empate em 0 a 0 no último jogo do hexagonal decisivo, na casa do rival, o Grêmio ficou confirmou a taça.
Cabeçada de Pedro Júnior para marcar o gol de empate do Grêmio no Beira-Rio
Ricardo Chaves / Agência RBS
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