Uma das oito árbitras Fifa do Brasil, paraense aponta desafios: “Mais cobradas que homens”
As mulheres buscam espaço em todas as áreas de trabalho, principalmente naqueles que por muito tempo era dominado por homens. Hoje, no Dia Internacional da Mulher, cada vez mais profissionais do sexo feminino ganham espaço e visibilidade dentro e fora das quatros linhas. A árbitra Gleika Oliveira Pinheiro foi aprovada para o quadro de arbitragem da FIFA.
Gleika Pinheiro paraense que faz parte do quadro de arbitargem da FIFA
Silvio Garrido
Em 2025, Gleika se tornou a primeira mulher a apitar uma final do Campeonato Paraense masculino profissional no Pará. Em entrevista para o ge, Gleika falou sobre a conquista do escudo da FIFA por um paraense após sete anos – o último paraense no quadro da FIFA foi Dewson Fernando Freitas da Silva.
– Estou muito feliz com essa conquista. Essa conquista representa muita, muita coisa para todo. É uma conquista onde todo mundo ganha com isso, pois é um marco histórico onde todo mundo é está sendo representado da melhor forma possível. O Pará está em um quadro internacional depois de um tempo, né? Sem representantes e isso fica marcado na história da arbitragem do futebol paraense e abrem caminhos para todos os árbitros da nossa federação que sonham em chegar onde eu cheguei e buscam seus objetivos.
Toda mulher que se encontra num cenário gigante como o futebol, ela é testada, é avaliada, é cobrada de uma forma muito maior que um homem. Isso é fato.
Evolução do futebol feminino no Brasil
Junto com Edina Alves Batista, Deborah Cecilia Cruz Correia, Charly Wendy Straub Deretti, Daiane Caroline Muniz dos Santos, Rejane Caetano da Silva, Thayslane de Melo Costa e Andreza Helena Siqueira, Gleika é apenas uma das oito árbitras centrais brasileiras no quadro da FIFA. Geralmente, uma profissional precisa sair antes de outra entrar.
Contudo, o momento do futebol feminino no Brasil abriu uma porta para Gleika.
– Esse ano eles conseguiram fazer uma coisa diferente, conseguiram essa vaga, devido ao índice do futebol feminino ter crescido mais aqui no Brasil. E aí foi que abriram essa outra vaga, e quem conseguiu contemplar essa vaga foi o Pará, pela qualidade, que tinha outros estados disputando essa vaga, São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília – comenta Gleika.
Episódio de machismo em transmissão
A árbitra comentou que carregar o emblema da maior entidade esportiva do mundo é enfrentar batalhas, mas que não pensou em desistir. A arbitra que faz parte do quadro oficial da Federação Paraense de Futebol (FPF) desde 2017 enfatizou que mulheres que estão envolvidas em cenário grandes, como o do futebol, sempre são mais testadas e avaliadas.
– Sabemos que todos os dias a gente tem que mostrar cada vez mais, não só para a sociedade, mas como para nós mesmas que somos capazes e isso nos dá mais força para continuar a batalhar, a estudar, a treinar e mostrar que somos capazes de estar onde estamos. Vejo que hoje todo o preconceito que eu sofri lá atrás me deu forças para continuar, pois eu tive uma situação em um jogo de uma final, onde eu sofri um preconceito gigante de um locutor que dizia que eu não poderia estar ali, por pelo fato de eu ser mulher e isso não me representa. Eu continuei em frente.
Escalada para apitar o jogo entre Capitão Poço e Independente, pela final da Série B do Campeonato Paraense 2024, o trio de árbitros formado por ela, Nayara Lucena e Ederson Albuquerque foi alvo de comentários machistas na transmissão realizada pela TV Cidade Norte. A partida aconteceu no Estádio Rufinão, em Capitão Poço.
Confira as repostas completas de Gleika Pinheiro ao ge Pará. geRead More


