“É minha casa”: Arthur vive primeiro título como capitão do Grêmio e projeta permanência
Alice e Maurício recebem Arthur e Gustavo Martins no estúdio do GE
Oito anos depois de deixar o Rio Grande do Sul para defender o Barcelona, em 2018, Arthur escreve mais um capítulo nos livros de história do Grêmio. O volante revelado na base, campeão da Copa do Brasil 2016 e da Libertadores de 2017, voltou às origens para ajudar o clube do coração e, agora, ergue sua primeira taça como capitão.
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O título gaúcho conquistado pelo Grêmio após o empate em 1 a 1 com o Inter no Beira-Rio, no último domingo, foi levantado por muitas mãos, uma delas de Arthur Melo. Na segunda passagem pelo clube, desde agosto do ano passado, o volante se tornou uma das principais lideranças do elenco e ressignificou sua própria figura dentro da equipe.
Se pudesse acordar todos os dias como eu acordei hoje, é uma sensação maravilhosa.
Arthur fala sobre o caminho do Grêmio até o título Gaúcho
Arthur também teve atuação de destaque ao longo do Gauchão 2026. Foram oito partidas, sete como titular, com 95% de acerto nos passes. Consolidou-se como uma das referências técnicas e emocionais da equipe na campanha do título.
O porém é que o contrato do meio-campista com o Grêmio vai até junho de 2026. O clube gaúcho tem, no acordo, a possibilidade de prorrogar o vínculo até o fim da temporada. O jogador ainda pertence à Juventus, com quem tem contrato até junho de 2027.
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Na tarde desta segunda-feira, o jogador concedeu entrevista exclusiva ao ge. Falou sobre os bastidores da conquista, expectativa para o restante da temporada, trabalho de Luís Castro, contrato com o Grêmio e sobre a nova fase na equipe. Confira a entrevista completa abaixo.
Minha vontade é permanecer no Grêmio. É minha casa.
Arthur levanta primeira taça como capitão do Grêmio
Lucas Uebel/Grêmio
Como é o dia seguinte de um campeão?
— Se pudesse acordar todos os dias como eu acordei hoje, a sensação de dever cumprido, acho que tudo está bom. Não tem algo que você acorde e algo está ruim, é tudo bom. Acorda da cama, bate o dedinho ali na beira da cama, você está feliz igual, porque foi campeão a noite passada. É uma sensação maravilhosa.
Como é que foi o início de ano para vocês, com os titulares desde a primeira partida do Gauchão, um jogo atrás do outro e início do Brasileirão. Como foi administrar tudo isso?
— Foi um pouco mais complicado, diferente do que estávamos acostumados, porque basicamente não teve pré-temporada. Pré-temporada a gente fala aquele período de treinos amistosos, e não tivemos esse período, é muito importante, até pelo condicionamento físico, entrosamento de jogadores. O Grêmio está vindo com um novo treinador, então uma metodologia um pouco diferente do que tínhamos, demora um pouco de tempo para nós jogadores também nos acostumarmos com isso, E não tivemos esse tempo, né? Foi tudo à vera, digamos assim. Não tivemos basicamente tempo de treinar, de provar alguma coisa, porque essa temporada já começou tudo um pouco mais cedo. Mas acho que no decorrer da temporada, dos jogos, fomos ganhando nível físico, tático e técnico. E chegamos, né? Conquistamos o nosso objetivo, que foi ser campeão gaúcho.
Arthur com a taça do Gauchão
Esther Fischborn
Como tem sido o dia a dia com o trabalho do Luís Castro, como vocês conseguiram pegar essa metodologia dele. O Grêmio oscilou, mas se recuperou. Como foi esse processo?
— Sabemos que no começo de temporada vai ter essas oscilações, porque é um conhecendo o outro, um trabalho novo. O trabalho do Mister, é um trabalho no dia a dia de muito cognitivo, são trabalhos muito rápidos, intensos, acho que a intensidade foi uma coisa que nos surpreendeu bastante, são trabalhos curtos, mas bastante intensos. Como pessoa, me surpreendeu muito, porque é um cara super do bem, está o tempo inteiro preocupado com o bem-estar do jogador, para que o jogador possa oferecer o seu melhor dentro de campo, mas não só ele, toda a comissão. Então, para nós está sendo um privilégio ter uma pessoa desse porte nos liderando e com toda a sua comissão também.
O clima ali parece bem de resenha, até com os auxiliares, tudo muito leve, certo?
— É mais ou menos por aí. Acho que tem momento para tudo, sabemos separar bem os momentos, tem momentos de resenha, de brincadeira, mas também tem os momentos que você tem que focar, tem que ser momentos sérios, mas eu acho que esse equilíbrio é o diferencial do grupo para deixar um ambiente leve, mas também muito profissional que sabe que na hora de trabalhar tem que trabalhar.
O meio de campo do Grêmio passou por alguns altos e baixos desde o ano passado, quando você chegou. Agora tem contratações (Juan Nardoni e Leonel Pérez), qual o processo com estes jogadores e também com os jovens da base, que aparecem neste setor.
— Acho que tem uma mescla de tudo, jogadores um pouco mais experientes, jogadores que saíram, chegaram, jovens. Acho que é uma mescla boa, consegue ter a juventude, os garotos com muita qualidade, uma humildade incrível, porque escutam, tentam aprender no dia a dia, também nos ensinam, eu aprendo diariamente com eles. Então, é normal também esse rodízio, porque é começo de temporada, a gente vai se acertando. Mas é uma disputa saudável, que só tem a ganhar o Grêmio, porque com essa disputa saudável. Então, acho que é uma posição disputada, mas que bom problema para o mister (Luís Castro).
Arthur, capitão do Grêmio, no Gre-Nal 451
Lucas Uebel/Grêmio
O Grêmio conseguiu uma vitória boa no primeiro Gre-Nal da final. Como vocês trabalharam durante a semana, principalmente você que é capitão, para não deixar esse resultado da primeira final tomar conta na segunda partida?
— Fizemos um grande primeiro jogo. Sabíamos que seriam duas etapas. Depois da primeira, obviamente, vem a euforia, um resultado tão expressivo te dá muita confiança, entusiasmo, mas é um pouco perigoso também, entra a parte de relaxar um pouquinho, de já achar que está ganho. Mas o grupo foi muito consciente, muito profissional. Sabíamos da grandeza do jogo, do tamanho que é o Internacional, que seria um jogo muito difícil, assim como foi, então eu acho que a nossa humildade e profissionalismo prevaleceu.
Teve alguma conversa no vestiário, no intervalo, para dar uma segurada, para que o jogo não fosse para um outro lado, que poderia ser mais violento. Você falou alguma coisa nesse sentido também?
— Acho que não precisou ser dito. Ninguém falou, todo mundo é profissional, estávamos ali para fazer o nosso trabalho, que é jogar futebol, respeitar o adversário, independente se é rival, respeitar a torcida, os clubes. Sempre vamos entrar em campo pensando em defender o nosso escudo, em ganhar as partidas, obviamente nem sempre será possível, mas eu acho que o futebol já não tem espaço para isso, para essas bobagens. Obviamente tem algum outro lance que vai gerar um pouco de polêmica, mas de momento nenhum, nenhuma fala desrespeitosa ao adversário, nem nada de soberba, mas sim muito trabalho, humildade e dedicação.
Você voltou ao clube e assumiu o papel de capitão. Como foi este processo?
— Temos muitas lideranças, obviamente cada um tem sua forma de liderar. Eu sempre falo que a braçadeira de capitão é apenas uma braçadeira, uma faixa, o que faz você capitão ou não é o seu dia a dia, o seu trabalho, é o seu comprometimento com o grupo. O nosso verdadeiro capitão é o Kannemann, todo mundo sabe disso. Ele não vem jogando muito, mas todo mundo ama ele, ele fez por merecer. Ele tem o respeito de todo o grupo. É um privilégio ter um cara desse tamanho ao nosso lado, nos ensinando. Jogo passado foi incrível, ele entra faltando uns 10 minutos, eu acho que nem ele sabe quantos Campeonatos Gaúcho já ganhou, e na primeira bola ele dá um carrinho de cabeça. Isso mostra o porquê ele é capitão. Acho que não são com palavras ou com algo, mas sim com atitudes. Nada e ninguém melhor do que ele para demonstrar o que é ser capitão.
Arthur, Kannemann e Luís Castro comemoram título gaúcho do Grêmio
Lucas Uebel/Grêmio FBPA
A braçadeira de capitão é apenas uma faixa, o que faz você capitão é o seu dia a dia, o seu trabalho, é o seu comprometimento com o grupo.
E sobre ter assumido a camisa de número 8, antigamente usada pelo Maicon, teu parceiro, como é que foi? Você chegou a ligar para ele para avisar que estava pegando a camisa?
— Tive que pedir bênção para ele. Um momento muito feliz na minha carreira, porque quando eu subi, eu tinha ele… Chamo ele de ídolo até hoje, e não é brincadeira, ele é. Porque ele tem muitas qualidades, que eu, quando subi, era o cara que eu olhava e falava ‘o que ele tem de diferente, o que eu preciso fazer, o que eu preciso melhorar’. E tive a grande sorte de ele sempre ter me ajudado. Foi uma pessoa muito próxima, seja conselhos dentro de campo e fora do campo. E poder ter o número 8 que ele carregou, ganhou tantos títulos com a camiseta do Grêmio, é especial.
Arthur e Maicon pelo Grêmio
Lucas Uebel/Grêmio
Qual a expectativa para o restante da temporada?
— Sabemos que jogar no Grêmio é um privilégio, mas também é muita responsabilidade, porque todos os campeonatos que você disputa, a torcida, as pessoas criam expectativas que você será campeão. E nós pensamos assim e queremos isso. Obviamente, sabemos que não vai ser sempre possível, mas nossa ideia é essa. Independente do adversário querer ganhar, independente do campeonato querer vencer. É um ano com muitos jogos, o calendário mudou um pouco, mas acho que temos plantel, temos qualidade para isso. A direção sabia desse cronograma de jogos, então preparou um plantel muito forte. Mas vamos passo a passo, pensar no presente. Eu sempre falo, o próximo jogo sempre será o mais importante. Então agora já temos o Bragantino na quinta e nossa expectativa é entrar em campo e conquistar os três pontos.
Sobre contrato com o Grêmio, que vai até o final de junho. Qual a situação sua com a Juventus, houve procura de outros clubes? Você quer permanecer no RS?
— Minha vontade é permanecer no Grêmio. Eu já falei isso diversas vezes, é minha casa. Mas obviamente tem um contrato com a Juventus. O contrato inicial com a Juventus e o Grêmio é que eu ficaria até junho e depois retornaria. Até o momento é isso que será feito, porque temos contrato. Sobre a procura de outros clubes não estou sabendo se teve porque estou focado no Grêmio até junho, independente de qualquer coisa quero dar o meu melhor. Sobre ficar ou não, eu não posso falar porque não depende só de mim eu tenho um contrato com o Grêmio e com a Juventus, esse contrato vai ser cumprido, mas logo depois não sabemos, teremos que conversar, obviamente a Juventus abrindo essas negociações, todo mundo sabe que o meu desejo é de permanecer.
Todo mundo sabe que o meu desejo é de permanecer.
Queria que você comentasse sobre a final do Campeonato Mineiro. Estando sempre em um contexto de uma grande rivalidade, qual sua opinião sobre a confusão que ocorreu em Minas Gerais?
— Eu vi muito por alto, não tive tempo, estava comemorando o título. Mas eu vi que foram 23 expulsos, eu como jogador não vou ser hipócrita, no calor do momento, é muito difícil você segurar. Somos profissionais, tentamos ser exemplos para tanta gente, obviamente muitas vezes falhamos, mas sabemos que temos essa responsabilidade nas nossas costas. Acho que não pode normalizar, não quero apontar dedo, nem falar quem está errado e quem não está, mas também não pode normalizar uma cena. Acho que cada um fazer sua autocrítica, sua reflexão e acho que cada um tem a maturidade e a responsabilidade de saber o que é melhor para si mesmo e a responsabilidade que tem também em dar bons exemplos.
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