Jardim vê evolução após vitória e comenta reencontro com Cruzeiro: “No campo, sou 200% Flamengo”
Flamengo 2 x 0 Cruzeiro | Melhores momentos | 5ª rodada | Brasileirão 2026
Após a vitória do Flamengo sobre o Cruzeiro, o técnico Leonardo Jardim elogiou a evolução da equipe no segundo jogo sob o comando dele. Para o português, a equipe evoluiu ao ficar sem sofrer gols e criar mais chances, mas ainda precisa melhorar em alguns aspectos.
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— Acho que existem algumas coisas importantes a valorizar. Em primeiro lugar a equipe conseguir mais um jogo sem sofrer gols, foi importante. Entrar forte também no jogo. Tivemos os primeiros 15, 20 minutos fortes, além do gol outras duas bolas na trave. Do outro lado também tem uma equipe boa. Ano passado consegui excelentes resultados contra o Flamengo. Esse ano é uma equipe diferente, com mais posse, mais jogadores na zona central. Por isso houve momentos que eles tiveram essa posse. Sabemos sempre que um Flamengo x Cruzeiro é grande. Só em 2014 conseguimos um placar com mais de dois gols de diferença — analisou.
— Isso mostra do outro lado o rival que estava lá com o objetivo claro de conseguir um bom resultado. Mas fomos competentes e a vitória justificada. Pelos gols, as bolas na trave, as situações que criamos. Com certeza temos um caminho a percorrer e melhorar. Algumas decisões que podemos melhorar, algumas decisões com bola que podemos ter mais critério. Mas estou feliz, feliz que os jogadores tem tido uma atitude formidável. Hoje além dos que jogaram de início, os que entraram foram importantes com assistência ou gol, com o Lino e o Carrascal. Vamos andando no nosso caminho e trabalhando diariamente — completou.
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O jogo marcou o reencontro de Jardim com o Cruzeiro, ex-clube que deixou no fim do ano passado e prometeu ser o único que treinaria no Brasil. A chegada ao Fla repercutiu mal entre os mineiros. Antes do jogo, o treinador foi cumprimentado por alguns atletas do elenco celeste.
— Com certeza tenha boas amizades e relações lá. Esses atletas, ajudamos a colocá-los em um nível que eles estavam um pouco perdidos. E por isso tenho proximidade com alguns. Antes do jogo, o presidente esteve na minha cabine para batermos um papo para verem a relação que tenho com ele. E foi bom, mas dentro de campo é outra coisa. Dentro de campo eu sou 200% Flamengo e o objetivo é ser o mais competitivo possível, tentar atacar da melhor forma, defender e ganhar o jogo. Claro que as relações não se apagam, como aconteceu em todos os clubes que passei. Continuo manter relações com as pessoas com quem trabalhei — disse o português.
Leonardo Jardim, Flamengo x Cruzeiro
André Durão / ge
O primeiro gol do Fla foi marcado por Pedro logo no início da partida. Na reta final, em um momento de pressão do adversário, Samuel Lino fez a jogada e deu a assistência para Carrascal. Ambos foram reservas nesta partida depois de iniciarem a final do Carioca contra o Fluminense no domingo.
— Temos alguns jogadores que ainda não estão na sua melhor forma, alguns por lesão, outros por ser um início. Se todos os jogadores estivessem na melhor forma, o resultado teria sido diferente, não haveria troca de treinador e estava tudo bem. Temos que cobrar os jogadores animicamente, em termos de trabalho e em termos de atitude, mas eles já têm sido muito cobrados, quem entra e quem joga de início. Hoje trocamos três jogadores, outros entraram para ajudar naquela parte onde queríamos um pouco mais de transição, porque o Cruzeiro estava se expondo. Em um movimento desse, acabamos fazendo o 2 a 0. Por isso estou satisfeito. Digo exterior e interiormente que só um grupo coeso, competitivo e largo é capaz de jogar em várias competições. Isso o Flamengo tem. Todo mundo que jogar tem que ter a confiança do treinador. A cada jogo a confiança do treinador está sempre presente.
O português garantiu que Pedro e Arrascaeta podem e devem continuar jogando juntos. Com Filipe Luís nesse início de 2026, os dois dificilmente começavam partidas ao mesmo tempo.
— Está mais do que provado que podem jogar juntos. Tivemos dois jogos altamente competitivos. O do Fluminense, que era um adversário difícil porque pressiona bastante, tem atitude. O Cruzeiro também é deste gênero. Eles mostraram competência. Tenho que os preservar em algumas situações para não terem que jogar sempre. Aí que entram os outros elementos do elenco para criarmos o melhor numero de soluções a essas duas posições. O Arrasca tem um talento enorme, não posso também o massacrar por isso. Vão vir alguns jogos que vai ter que entrar menos tempo porque nós, o Flamengo, precisamos da qualidade dele como capitão e também como jogador — afirmou.
Com a vitória, o Flamengo chega a sete pontos e vai dormir no G-4 do Brasileirão. Este foi o segundo triunfo da equipe rubro-negra, que tem um jogo a menos na competição. O time de Jardim volta a entrar em campo no sábado, às 20h30 (de Brasília), contra o Botafogo, no Nilton Santos, pelo Brasileirão.
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A postura do Pedro de hoje é que te agrada? Houve alguma conversa com ele?
— Conversa foi muito simples e direta com o Pedro. É um dos melhores atacantes do futebol brasileiro e tem mostrado isso ao longo dos anos. Existe as duas faces do jogo, com bola e sem bola, e ele tem mostrado que pode ser competente. Além de fazer os gols, em termos de estratégicos, se posicionar, pressionar e ter uma atitude mais colaborativa. É isso que ele tem feito porque tem essa capacidade, física e compreensão do jogo coletivo. Ele não está me surpreendo porque eu acreditava desde o início que conseguiríamos colocar um Pedro ofensivamente, mas também com função defensiva, que todos os jogadores têm que ter. Hoje em dia, no futebol moderno, não existe em nenhuma equipe um jogador que só ataca.
Como avalia o jogo do Pulgar?
— É um jogador importante no Flamengo por tudo que tem mostrado. Compreende bem o jogo. Pedi a ele para fazer dois ou três movimentos que precisava fazer dentro da minha estratégia. E ele compreendeu facilmente. Isso mostra que ele não tem só qualidade, mas inteligência acima da média, que permite de um momento para outro dar resposta, com uma semana de trabalho. Por isso estou muito satisfeito com ele.
Trocas e mudança de posicionamento de Carrascal e Luiz Araújo
— O Luiz Araújo é um jogador que normalmente joga por fora, mas inverte um pouco para dentro, como Paquetá. Mas naquele momento do jogo eu precisava ter alguém mais para frente, que com o pé direito conseguisse fazer uma diagonal e foi o que acabou acontecendo. Por isso a opção do Carrascal mais por fora, para as opções nas diagonais. Os laterais do Cruzeiro estavam se expondo e não tinham mais capacidade de cobrir as costas, e foi essa a ideia de mudança. E o Luiz Araújo, com toda inteligência que tem, com certeza não está na sua melhor forma por tudo que ele passou. Nós acreditamos nele e que as coisas, pouco a pouco, vão acontecer.
Começo do jogo mais rápido
— Minha prioridade é que o Flamengo jogue bem e ganhe. Em relação ao jogo, esses jogadores tem uma capacidade de circulação da bola muito grande. Estamos aos poucos tentando incluir outras variáveis. A vida do jogador normalmente não é com apenas uma variável, então acredito que possam ter outras na partida, como carregar mais nos espaços quando os tem, fazer alguns movimentos de facão para ter dinâmicas ofensivas. Aos poucos estamos fazendo. O Pulgar hoje transportou o jogo várias vezes para o ataque, não só associando para o passe, mas quebrando linhas para jogarmos mais a frente. Eu pessoalmente gosto de jogadores que quebram linhas e quando conquistam o espaço, conquistem esse movimento com bola quebrando as linhas.
Usar mais Wallace ou improvisar
— Sinceramente neste momento, o Plata teve um toque no joelho durante os treinos. Não estava 100%, o Wallace é um jogador jovem, todos o conhecem. Estava para sair, ainda não está no melhor momento. Mas acreditamos nele. Depois vamos fazer uma análise. O futebol é uma análise constante. Não é agora que vamos pensar no que falta ou não. Às vezes há crescimento dos jogadores, evolução. Temos que aproveitar os que estão aqui e rentabilizar ao seu melhor nível. Esse é o meu objetivo para o Pedro, Wallace Yan, Everton. Todos que jogam menos, mas sabemos que tem uma margem de produção ainda grande.
Como vê o momento físico da equipe?
— Acho que o futebol não é só físico, é um conjunto de ações. Por vezes o físico depende do modelo que implementamos. E quero que os jogadores estejam dentro desse modelo que eu quero implementar. às vezes o jogador tem que dar um pouco mais e os pontas, às vezes, têm que defender mais. Os meias saltar das marcações… É o que procuro como treinador para os meus jogadores.
— Em termos físicos, claro que vamos ter que fazer gestão de alguns atletas porque não temos capacidade de jogar sempre de três em três dias com os mesmos e porque não tiveram aquela pré-temporada que normalmente existe. O Flamengo não teve, mas os outros também não tiveram. Por isso, vamos tentar gerir. Aproveitar para tentar aumentar o índice daqueles que não forem convocados e na próxima janela (período livre) aproveitar para fazer algumas correções neste nível.
Emerson Royal contribuiu para a boa atuação do Paquetá? Pensa nele mais centralizado?
— Eu respondi isso no outro dia sobre o Paquetá, acho que ele pode fazer três posições na equipe, pode fazer segundo volante, um meia mais ofensivo e um meia pela direita. Tínhamos que preparar um cenário porque ele não é um ponta, ele é um meia. O cenário que preparamos para hoje, se vocês repararem, era sempre de uma construção com o Erick ou do zagueiro pela direita, o ponta esticava para fazer o corredor, que era o Royal, e ele aparecia entrelinhas, que é o jogo dele. O meu trabalho como treinador também é proporcionar aos jogadores um bom posicionamento para que eles consigam impulsionar suas características. O Paquetá não é um ponta Se for para jogar com um ponta, melhor jogar com o Plata ou o Carrascal, se bem que o Carrascal também não é um ponta (risos). Por isso, tínhamos a preocupação de colocar os jogadores na sua melhor posição para impulsionar. Engraçado que uma das primeiras coisas em disseram é que “ai o Paquetá pelo lado direito não funciona”. Eu disso “pronto, vamos ver”. Eu estou satisfeito, acho que ele pode funcionar, mas tem que ter uma organização estratégica. Se for receber a bola em cima da linha e driblar, não vai funcionar. Mas se for uma estratégia mais coletiva, pode ajudar ali ou por dentro. Foi o melhor jogo, mas eu acredito numa evolução dele porque ele ainda tem muito mais para dar. Eu falei isso para ele. Eu conheço o jogador, ele precisa de mais tempo porque vai ser uma temporada mais cheia para ele, vai ser uma temporada de um ano e meio.
Libertadores sub-20
— Eu estaria mentindo se dissesse que vi todos os jogos, eu não vi. Mas por um acaso eu vi o primeiro jogo, que tivemos um miúdo que fez um gol saindo do extremo indo para dentro. Verifiquei que alguns jogadores tem muito potencial, o lateral-direito e o zagueiro estavam no ano passado no time principal, o ponta do lado esquerdo eu vi que já teve oportunidades. Com certeza eles vão ter o carinho e a proteção do nosso estafe não para criar fenômenos, mas para orientá-los da melhor forma. Aqui no Brasil, ele faz dois gols e já são um fenômeno. Não. É orientá-los da melhor forma para que, no futuro, a médio prazo, consigam fazer parte desse elenco.
Como pode ajudar o Pedro a concorrer a uma vaga na Copa do Mundo
— Vou ser mais abrangente nessa questão porque não gosto de falar sobre o trabalho de um colega, com um currículo que tem o Ancelotti. Mas acho que todos os jogadores que jogam mais no Flamengo vão ser sempre opção para as diferentes seleções, do Chile, do Uruguai, da Argentina, do Brasil… Jogar no Flamengo é um estatuto que vai permitir qualquer um dos jogadores a estarem próximos de uma convocação. Por isso, eu acredito que jogar no Flamengo, e ser importante para o Flamengo, há uma oportunidade para todas as seleções.
Como foi essa primeira semana
— Engraçado que as pessoas me caracterizam e muitas delas não me conhecem. O que eu faço sempre é ter um grupo onde eu seja coerente com todas as decisões, essa é a minha forma de trabalhar. A coerência, para mim, é palavra-chave no esporte. Coerência numa ideia de jogo, num tipo de trabalho, de realizar algumas situações. É isso que eu tento desenvolver com essa equipe e todas as minhas equipes. E, do lado dos jogadores, tenho uma recepção que tem sido impecável, eles têm abraçado a ideia, estão focados. Isso me deixa extremamente satisfeito. Quando você trabalha num clube e os jogadores compram a ideia, quando todo o estafe colabora no máximo que pode, eu só tenho satisfação. Temos que dar continuidade a isso, trabalhar bem é uma obrigatoriedade. Isso nos leva a melhores resultados.
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