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A lanterna não é acaso: o Inter paga por uma sequência de equívocos

A lanterna não é acaso: o Inter paga por uma sequência de equívocos

Internacional 0 x 1 Bahia | Melhores Momentos | 6ª rodada | Brasileirão 2026
A temporada mudou, mas o Inter continua disputando o mesmo campeonato. Na verdade, a situação é ainda pior do que naquele assustador final de 2025: após seis rodadas, o time colorado é lanterna do Brasileiro, com apenas dois pontos. A equipe parece ter herdado todos os problemas do ano passado, mas sem apresentar soluções que pudessem permitir um começo de competição minimamente tranquilo.
A movimentação de mercado do Inter nem parece a de um time que se salvou na última rodada, graças a uma intervenção mística personificada em Abel Braga. O caso mais crítico é a negligência com o setor defensivo, mesmo que a equipe tenha sofrido 57 gols no Brasileiro e negociado Vitão, seu melhor zagueiro, com o Flamengo. Hoje, o defensor mais confiável é Gabriel Mercado, mas os 39 anos já pesam. Seu companheiro de setor, Victor Gabriel, conquistou a titularidade pela falta de concorrência e vem somando atuações comprometedoras (como ontem, contra o Bahia).
Até hoje, a gestão de Alessandro Barcellos paga pela investida frustrada em tentar conquistar um grande título. A taça não chegou, a vida financeira do clube está cada vez mais dramática e o time vem caindo pelas tabelas — literalmente. Dentro do campo, o nome que simboliza essa decepção é Rafael Borré, que jamais conseguiu corresponder à expectativa gerada por sua contratação. Desde o ano passado, deixaram o clube nomes importantes, como Vitão, Fernando, Wesley e Valencia, sem que houvesse reposição à altura. O Inter passou a contratar errado, reforçando seu banco de reservas enquanto o time titular agoniza em campo.
Erick em lance que terminou com gol do Bahia no Beira-Rio
Rafael Rodrigues/EC Bahia
Não que esteja isento de responsabilidade, mas, neste entrevero aparentemente sem solução rápida, o técnico Paulo Pezzolano parece ser o menor dos culpados. Inclusive, é quase consenso que em algumas rodadas o desempenho coletivo (contra Flamengo, Palmeiras e Atlético-MG) poderia ter se refletido em mais pontos na tabela — e, para os colorados, qualquer ponto hoje vale ouro. Antes de entrar em campo contra o Bahia, o time ostentava números capazes de enlouquecer o mais fleumático dos torcedores: era o primeiro entre os clubes da série A em finalizações e chances criadas.
A bengala anímica do desempenho já não se sustentou após o jogo contra o Bahia, a terceira derrota seguida no Beira-Rio, pois dessa vez o time perdeu com convicção. É verdade que criou um par de chances e a experiência com Bernabei como ponta-esquerda, antiga demanda dos torcedores, surtiu efeito no começo do jogo, mas com o andar da carruagem velhas sequelas apareceram: o sistema defensivo inseguro, um meio-campo que não marca nem joga e a falta de um atacante minimamente habituado a se comportar na cara do gol. O Inter de 2026 funciona como uma usina para acender um palito de fósforo.
Trata-se do pior início de Brasileiro na história, igualando o ano de 1990, quando o time livrou-se do rebaixamento apenas nas últimas rodadas (graças a um insólito gol do atacante chileno Letelier, cabeceando de fora da área). Os colorados estão rindo, mas é de nervoso. Porque a impressão é que o time vai passar o campeonato inteiro na zona da degola, aquela região lamacenta em que mesmo o esperneio às vezes te faz afundar mais. A lanterna que os colorados hoje empunham, que não tem pilhas e aponta para o escuro, é resultado de muito esforço: uma montanha de equívocos que todos percebiam, mas a direção do clube fez força para não ver.
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