Ídolo dos dois clubes, Uri Geller jogou último Flamengo x Remo no Brasileiro: “Era minha chance de voltar”
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O último Flamengo x Remo pelo Campeonato Brasileiro, em 1978, contou com a participação de um ídolo em comum dos dois clubes: cria da Gávea, Júlio César “Uri Geller” estava emprestado ao time paraense e viu o jogo no Mangueirão mudar o rumo da sua carreira.
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Há 48 anos, no dia 2 de abril de 1978, o Flamengo venceu o Remo em Belém por 1 a 0, com gol de Valdo. A vitória rubro-negra, no entanto, não apagou o brilho de um jogador que estava do outro lado.
— Eu me concentrei duas semanas para esse jogo, porque era minha chance de voltar. Treinei muito e fui o melhor jogador em campo. Peguei meu grande amigo Rondinelli, eu estava daquele jeito, estava muito louco nesse jogo, e deu tudo certo (risos) — recordou ele ao ge.
— Esse jogo foi muito importante, a passagem pelo Remo em si, para eu voltar ao Flamengo. Meu treinador no Remo era o Joubert Meira, ele deixou o clube em uma situação muito boa e foi para o Flamengo, me levando de volta. Aí depois já foi o Cláudio Coutinho — completou Uri Geller.
Mesquita, Bira e Júlio César Uri Geller no Remo em 1978
Arquivo Ferreira da Costa/O Liberal
Ele chegou Remo em 1977 para a disputa do Campeonato Brasileiro e teve destaque na campanha, quando o Remo ficou próximo da semifinal da competição. Na temporada seguinte, o ex-atacante teve fundamental importância na conquista do Campeonato Paraense diante do maior rival, Paysandu. Foi dele, inclusive, o gol do título em cobrança de pênalti. No mesmo ano, também brilhou no Brasileirão, o que lhe rendeu uma nova chance no clube rubro-negro.
— Minha paixão é o Flamengo, mas eu tenho uma consideração muito grande pelo Remo, que me ajudou a pular o degrau. O meu primeiro degrau foi jogando pelo Leão, e eu tenho uma paixão muito grande por eles também. Lá ,ganhei como o melhor jogador da temporada e voltei para o Flamengo. Participei de um dos maiores times do Remo e tenho muito orgulho. O Remo foi o clube que me deu a mão para que eu pulasse o muro — destacou o ídolo dos dois clubes que se enfrentam nesta quinta-feira, às 20h, no Maracanã.
— O que mais me marcou lá foi a torcida. Joguei vários clássicos – Flamengo x Vasco, River Plate x Boca Juniors, Grêmio x Inter -, mas Remo x Paysandu é impressionante. Uma rivalidade absurda. A torcida do Remo é muito grande no Norte — acrescentou ele.
Júlio César Uri Geller foi campeão brasileiro com o Flamengo em 1980
Arquivo
Uri Geller foi formado na base do Flamengo e, quando fez 18 anos e completou a idade para subir ao profissional, não encontrou vaga no time, por isso foi emprestado. No retorno ao clube em 1979, voltou com outro status e foi importante nos títulos cariocas e na conquista do primeiro Campeonato Brasileiro da equipe rubro-negra, em 1980.
— Já volto como titular e reencontrei meus amigos, porque o time todo era da base. Isso é impossível hoje em dia. Meus amigos me abraçaram e deu no que deu. Desde aqueles tempos, a gente ia para a Europa e ganhava vários torneios. Pararam de convidar a gente (risos). Depois de ganhar o Brasileiro, a Libertadores e o Mundial, o Flamengo teve uma evolução absurda. Eu rodo o país, e eu vejo, o Brasil todo é flamenguista. Me sinto muito orgulhoso em ter chutado essa porta — destacou o ex-atleta.
O apelido de Uri Geller foi inspirado em um ilusionista famoso dos anos 1970, que era conhecido por entortar talheres com a “força do pensamento”. Júlio César foi chamado assim por entortar os adversários com seus dribles. Ele disputou 132 jogos pelo Flamengo, com 10 gols marcados.
Parceria com Adílio
A passagem de Uri Geller pelo Flamengo ficou marcada também pela parceria com um dos maiores ídolos do clube, Adílio. Foi o ex-atacante que levou o camisa 8 ao clube.
— Eu tenho uma história com o Adílio desde os 6 anos de idade. Eu vendia amendoim, ele era flanelinha, então o Adílio sempre foi minha referência. Meu irmão eterno de vida. Éramos de duas comunidades diferentes do Leblon, e eu descobri que tinha um menino que jogava mais do que eu na Cruzada (comunidade Cruzada São Sebastião). Jogamos uma pelada, e eu descobri o Adílio. Eu já pulava o muro para jogar futsal no Flamengo e chamei ele para ir comigo. Como não era sócio, eu pulava o muro para treinar. Ficamos e fomos do futsal ao time profissional. Fomos os primeiros a chegar nesse time que ganhou tudo — concluiu Uri Geller.
Adílio e Júlio César Uri Geller eram grandes amigos e começaram juntos no Flamengo
Marcos Carvalho/sportv
Hoje, Júlio César Uri Geller mora em Sergipe, mas continua próximo do Flamengo. Junto com Andrade, ele trabalha no apoio a ex-jogadores do clube e roda o Brasil com o FlaMaster, time formado por ex-atletas lendários rubro-negros. A iniciativa era presidida antes por Adílio, falecido em 2024.
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