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Análise: Santos demorou a perceber que o trabalho de Vojvoda não evoluiria

Análise: Santos demorou a perceber que o trabalho de Vojvoda não evoluiria

Santos anuncia demissão de Juan Pablo Vojvoda
A derrota do Santos para o Inter por 2 a 1, na última quarta-feira, na Vila Belmiro, foi um símbolo do que vinha sendo, já há algumas partidas, o trabalho do técnico Juan Pablo Vojvoda. E a diretoria do clube demorou para enxergar isso.
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A demissão, no início da madrugada de quinta-feira, era uma decisão esperada há muito tempo pelo torcedor. No entanto, a alta cúpula do Peixe optou por postergar uma decisão que, jogo a jogo, vinha se mostrando inevitável.
O Santos poderia ter tomado essa decisão após a queda no Campeonato Paulista para o Novorizontino. Teria o jogo contra o Vasco e, depois, um período de dez dias para que um novo comandante pudesse trabalhar e começar a implantar um modelo de jogo próprio.
A diretoria do Peixe preferiu bater na tecla quebrada. O Santos ganhou do Vasco sem convencer e manteve Vojvoda. Os jogos contra Mirassol, Corinthians e Inter foram uma sequência de más atuações individuais e coletivas. Após mais de uma semana só para treinos, a impressão é que o trabalho estava no mesmo lugar.
A gestão tem responsabilidade em insistir num trabalho que vinha se mostrando estagnado. A diretoria santista também precisa fazer um mea culpa quando falamos sobre a montagem do elenco, desequilibrado, e que, mesmo assim, insistiu-se no discurso de que não era necessário reforçar determinados setores.
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Vojvoda em Santos x Vasco
Mauricio De Souza/AGIF
Pelo lado do treinador, o argentino optou por “morrer abraçado” com as convicções que não vinham surtindo resultado. Contra o Corinthians, talvez um momento de maior ousadia, arriscou um esquema com três zagueiros, que até trouxe uma novidade ou outra. Era algo diferente.
Contudo, no jogo seguinte, voltou a insistir numa formação de 4-3-3, que varia entre o 4-4-2 e o 4-2-4 e que, com exceção a jogos acessíveis como contra o Velo Clube, se mostrou ineficiente. O roteiro do jogo contra o Inter foi o mesmo de tantos outros nessa temporada. Até o gol sofrido nos minutos finais.
O torcedor viu isso ocorrer contra Guarani, Novorizontino, Athletico-PR… E, além das convicções táticas, Vojvoda seguiu dando espaço para jogadores que não estão correspondendo.
João Schmidt, por exemplo, veio de não estar entrando nos jogos para ser titular contra o Mirassol, e foi mal. Zé Ivaldo, muito questionado pela torcida, assumiu a posição no time no jogo de maior pressão sofrida pelo treinador, fez um gol contra e quase cometeu um pênalti num carrinho totalmente imprudente na entrada da área. Só não fez dois gols contra porque Brazão já havia evitado um ainda no primeiro tempo.
No outro lado da balança, o treinador não deu sequência para quem vinha pedindo mais espaço. Miguelito fez bons jogos em sequência. Não teve bom desempenho quando foi titular contra o Vasco, é verdade. Mas, o garoto sumiu das partidas. Deixou até de ser relacionado após esse jogo.
Moisés foi titular contra o Vasco, deu uma assistência para um gol de Neymar e, como recompensa, ficou no banco de reservas contra Mirassol e Corinthians, sem nem entrar em campo. Quando teve a oportunidade de entrar, contra o Inter, foi bem e sofreu o pênalti, convertido por Gabriel Barbosa.
Executivo de futebol do Santos, Alexandre Mattos, ao ser apresentado ao elenco pelo presidente Marcelo Teixeira
Raul Baretta/Santos FC
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Um terceiro ponto, e esse talvez o mais crítico, é que Vojvoda não conseguiu achar uma forma de fazer Gabriel Barbosa e Neymar atuarem juntos. O camisa 9 ainda brilhou contra Mirassol e Corinthians, fez bons jogos. Mas o craque, que deveria ser a referência do time, se tornou uma figura discreta.
A partida contra o Corinthians foi de um Neymar irreconhecível. Não só pela parte individual, mas também como coletivo porque o time, ofensivamente, enfrenta enormes dificuldades para produzir. O jogo contra o Inter foi um pouco semelhante, com a diferença que o camisa 10 acertou mais passes e fez um gol, de pênalti.
Depois do jogo contra o Cruzeiro vem uma nova pausa no calendário. O período da Data Fifa será valioso para que o novo treinador chegue e comece a tentar achar algum norte para o Santos na temporada.
Essa decisão volta a ter, de novo, uma responsabilidade enorme na diretoria. Ano passado já cometeu erros em sequência e trocou de treinador por três vezes, em um ano que o Santos sofreu para se manter na Série A do Campeonato Brasileiro.
Não há mais espaços para que alta cúpula do Peixe erre na escolha do comandante. É preciso acertar agora para que o time não trilhe, novamente, a estrada de 2025. Até o momento, tem sido difícil ver o Santos fora dela.
Marcelo Teixeira, presidente do Santos, no Morumbis
Marcos Ribolli
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