Jardim revela “cobrança” a jogadores do Flamengo no intervalo e diz que não conhece adversários da Libertadores
O Flamengo chegou à terceira vitória consecutiva sob o comando de Leonardo Jardim com o 3 a 0 sobre o Remo nesta quinta-feira, no Maracanã, pelo Brasileirão. O time teve dificuldades de agredir o adversário no primeiro tempo, mas melhorou na etapa final depois da conversa com o técnico no intervalo:
— O primeiro tempo tivemos aquela posse de bola estéril, circulamos muito a bola, mas não fomos agressivos para entrar dentro do bloco defensivo adversário. Isso proporcionou muitas perdas de bola e alguns lances de contra-ataque. Foi um assunto que falei com os jogadores no intervalo, que tínhamos que ser mais eficazes jogando entre linhas do que só circular a bola por trás de um lado para o outro. Foi isso que fizeram, dei os parabéns, só jogadores inteligentes como eles é que conseguem entrar logo no segundo tempo e em 15 minutos resolvemos o jogo. Pressionamos alto, com as linhas próximas, ganhamos as primeira e segunda bolas e criamos as situações. Depois do 3 a 0, rodei alguns jogadores por estratégia, porque temos outro jogo em três dias, e tivemos mais posse para gerir o jogo — analisou Jardim.
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Leonardo Jardim elogia Samuel Lino e revela nova função táticas dos pontas do Flamengo
O melhor jogador do Flamengo foi Samuel Lino. O atacante achou bons passes, chegou com perigo e marcou o gol no início do segundo tempo, o que mudou a dinâmica do jogo. Também participou do terceiro gol ao dar passe que Pedro ajeitou na área para Luiz Araújo marcar. O treinador comentou a nova função tática dos pontas rubro-negros, que têm atuado mais por dentro:
— Temos preocupação, não só com o Lino, mas com todos os pontas. Hoje foi o Araújo. O Cebolinha entrou. Já jogou o Paquetá, o Plata também, o Carrascal. Tínhamos uma preocupação de preenchimento da área. Quanto mais jogador colocamos na área temos chance de a bola cair nos nossos pés. Se vamos pensar que só o atacante entra na área, uma equipe do Flamengo que cria muito, vamos enfrentar quatro adversários contra um nosso. Procuramos que os jogadores preencham a área. O Lino vem percebendo isso. O Araújo já estava por dentro. O rebote cai nos pés dele porque estava na área, se não estivesse encostado na linha, não teria feito o gol. É uma ideia mais coletiva, não só para o Lino.
Flamengo 3 x 0 Remo | Melhores momentos | 7ª rodada | Brasileirão 2026
Com o resultado, o Flamengo chegou a 13 pontos e é o quarto colocado do Brasileirão. O time tem um jogo a menos, contra o Mirassol. No próximo domingo, às 20h30, o Fla vai enfrentar o Corinthians, pela oitava rodada, fora de casa.
O Flamengo tem dois desfalques confirmados para o próximo jogo: Léo Pereira e Pulgar receberam o terceiro cartão amarelo contra o Remo e não enfrentarão o Corinthians.
Leonardo Jardim em Flamengo x Remo
André Durão
Enquanto o Flamengo jogava pelo Brasileirão, a Conmebol sorteou os grupos da Libertadores 2026. No Grupo A, o time rubro-negro vai enfrentar Estudiantes (Argentina), Cusco (Peru) e Independiente Medellín (Colômbia), equipes que Jardim admitiu não conhecer:
— Independentemente das equipes que estão no nosso grupo, temos que qualificar a nossa. Se me perguntarem se conheço as equipes, vou dizer que não. Não tenho uma grande afinidade para falar. Nesse momento, só tenho a dizer sobre a nossa responsabilidade em evoluir. Vamos ter tempo para trabalhar os jogadores que não vão para seleções. Em temos estratégicos, mesmo com poucos dias tivemos ótimos dias de trabalho, os jogadores estão tendo uma postura formidável. Estamos conseguindo rentabilizar o pouco tempo em muito trabalho — comentou o treinador.
— É uma responsabilidade. Representar o Flamengo, com a obrigação de jogar para vencer, me motiva. Na Europa, já há alguns jogos de Champions League, assim como na Ásia, e essa será a minha Champions League. Será uma experiência para desfrutar e para mostrar a melhor versão no Flamengo— completou ele.
Outras declarações de Jardim:
Corinthians
— O próximo jogo será um pouco diferente desse, o Corinthians também vai jogar. Temos muito respeito pelo Corinthians como clube. O Flamengo, onde joga, tem que ter no seu DNA um espírito vencedor. Vamos começar a trabalhar amanhã para escalar uma equipe competitiva. Seja os 11 iniciais ou os jogadores que entraram. Hoje, os que entraram contribuíram para a equipe. Vamos tentar nos preparar bem para o próximo jogo.
Suspensos e escolha dos titulares
— Sinceramente, a minha opção foi por começar com jogadores que achei mais pertinentes para ganhar esse jogo. Em relação ao próximo jogo, vamos começar a pensar, e eles estão fora (Pulgar e Léo Pereira). Um elenco como o do Flamengo, todos os que entram têm que mostrar por que estão no Flamengo. Se não me engano, na final da Libertadores tinha um ou dois jogadores menos utilizados, um até fez gol decisivo. Não podemos pensar que temos 11 jogadores para jogos importantes e outros para jogos menos importantes. O Flamengo vai para cada jogo com o objetivo de vencer e fazer bem as coisas. Infelizmente, eles estão de fora. Mas temos Danilo, temos Vitão, temos Paquetá, temos Nico (De la Cruz), temos Evertton… Temos jogadores que querem oportunidade. Como treinador, não me preocupo. Não posso dizer que somos um dos melhores elencos da América Latina e, depois, reclamar dessas coisas.
Posicionamento dos pontas
— Com certeza que neste momento existem muitas funções, Plata, Carrascal, Araújo, Paquetá também faz. Temos Lino, Cebolinha. São jogadores que gosto que joguem por dentro em algumas situações. Algumas vezes, nas costas da linha adversária. E defensivamente, que equilibrem a equipe, é fundamental. Por muitas vezes, aos 30 minutos eu troco quando estão cansados. Temos que atacar e defender. Jogar por dentro é algo que temos que trabalhar aos poucos. Num passado recente, eles eram mais abertos, jogavam na linha, no 1×1, às vezes os laterais que jogavam por dentro. Neste momento, quero associação mais por dentro por causa daquela ideia inicial de ter mais jogadores na área. Mais por dentro estão mais perto da área para os momentos de definição.
De la Cruz
— O De la Cruz é um jogador que todos conhecem por sua qualidade. Algumas vezes temos algumas preocupações como ocorreu contra o Botafogo. A estratégia não passou por alterar. Jorginho está bem. É um jogador que conheço a qualidade, é um jogador internacional. É um jogador que quando for chamado, acredito que vai performar com a qualidade dele, como foi hoje com o Araújo.
Momento da defesa e convocações
— São jogadores inteligentes, de capacidade. Conseguem entender quando damos feedbacks de organização. Foi o que aconteceu. Trabalhamos algumas situações pontuais de organização, compreenderam bem, por isso acredito que estamos mais compactos. No primeiro tempo não gostei de algumas saídas de contra-ataque e conseguimos retificar isso. O Léo Pereira foi convocado pela primeira vez, fico feliz por ele porque está performando no Flamengo. Os outros dois são jogadores históricos, com bagagem internacional grande seja na Seleção ou em clubes. Com certeza em uma competição desse tipo (Copa) o treinador quer do seu lado jogadores com experiência internacional.
Flamengo vai enfrentar altitude na Libertadores
— Minha sensação nesse jogo foi a rapidez da bola. Muitas vezes, essas equipes têm um jogo muito mais direto e de duelos. Temos que colocar a bola no chão e tentar jogar com o nosso DNA. Na fase defensiva, precisamos de atenção. As situações que eles podem criar, como chutes de fora da área, bola parada, precisamos ter mais atenção pela velocidade da bola.
Arrascaeta
— Com certeza a temporada do Arrascaeta no ano passado foi formidável. Não sei se é fácil repetir os números. Mas tenho verificado que o Arrascaeta é um jogador que evolui com a equipe ao longo do ano, acredito que vá acontecer isso. É um jogador importante. No jogo do Botafogo falei com ele: “Não joga porque quero te preservar. Não pode jogar 80 minutos numa temporada, jogadores como você não temos em todos os cantos”. É um jogador especial, que a gente conta muito e queremos preserva-lo para que consiga mais uma temporada importante no Flamengo.
Mercado para portugueses no Brasil
— Não consigo falar pelos outros treinadores. Eu tive minhas opções de vida. Passei a maior parte na Europa: Portugal, Grécia, França. Depois, decidi fazer uma inversão para o mercado árabe, onde estive em três países. Depois, inverti de novo para o Brasil. Foram as minhas decisões de carreira, não sei o que acontece com outros treinadores. Procurei, em todos esses países, trabalhar em equipes de ambição, que estão nos primeiros lugares. Sobre os outros portugueses, hoje em dia eles estão em todo o mundo. Pela formação, por aquilo que foi depois dos anos de 1990. Antigamente, não era assim. Quando comecei minha carreira, conheci muitos treinadores brasileiros em Portugal e mantive relações. Nesse momento, está passando a mesma coisa que passou com o Brasil há alguns anos, quando tinham brasileiros em toda parte do mundo.
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