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Vice de futebol do Grêmio explica reformulação em 100 dias e diz que Luís Castro ajuda clube se atualizar

Vice de futebol do Grêmio explica reformulação em 100 dias e diz que Luís Castro ajuda clube se atualizar

Antonio Dutra Júnior fala sobre remontagem do elenco, Luís Castro e permanência do Arthur
Em 100 dias, o Grêmio passou por uma mudança de comissão técnica e uma reformulação no elenco. O vice de futebol Antônio Dutra Júnior detalhou o trabalho do departamento de futebol e da diretoria do presidente Odorico Roman, eleito em dezembro e como foi possível realizar investimentos. Ao receber o ge no CT Luiz Carvalho, o dirigente afirmou que o Tricolor recuperou credibilidade no mercado a partir do pagamento de R$ 100 milhões em dívidas.
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Foram 21 saídas do Grêmio e sete contratações (com Luís Castro), uma medida vista como essencial pela nova direção para arrancada do trabalho. No período, o Grêmio foi campeão gaúcho e está na 7ª colocação no Brasileirão, com 11 pontos. Vislumbra brigar por uma vaga na Conmebol Libertadores de 2027. Este é o objetivo gremista.
A possibilidade do Tricolor realizar investimentos como Tetê, na casa dos R$ 38 milhões, e Nardoni, na casa dos R$ 46 milhões, ocorreu porque o clube pagou cerca de R$ 100 milhões em dívidas. Dutra Júnior explicou que o CEO Alex Leitão e o presidente Odorico Roman realizaram esse trabalho, reduziram o peso das dívidas a curto prazo e geraram fôlego para as contratações. Além de contar com a parceria do investidor Celso Rigo, apoiador da gestão.
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Ao mesmo tempo, o vice de futebol, o diretor de futebol Rafael Lima e o executivo Paulo Pelaipe colocaram em prática a ideia de mudar o elenco. A agilidade do executivo foi decisiva para o sucesso no que havia sido entendido como necessário internamente. Nas negociações para rescisões, o clube buscou reduzir valores ou parcelamentos mais longos. As quantias são mantidas em sigilo.
A folha mensal ainda não está no patamar almejado, mas o momento é visto como uma transição, já que a gestão iniciou há três meses. O 2026 é tido como um ano para organizar processos e consolidar um novo trabalho no CT Luiz Carvalho. Depois, a ideia é elevar o patamar do Grêmio a partir de 2027. No cenário ideal, com vaga na Libertadores.
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A partir do início do ano, foram 21 saídas do Grêmio. Como foi concebida essa reformulação?
É um projeto que a gente começou ainda em 2021, antes da eleição anterior, a gente já começou a fazer esse plano de ação. A gente entendia que o Grêmio precisava realmente de uma mudança muito forte, uma mudança profunda e a gente veio construindo isso ao longo do tempo. Quando a gente começou, a gente tinha a impressão que já estava, muitas coisas a gente já sabia exatamente o que fazer. Nesses primeiros 100 dias da gestão, foi desafiador, nós tivemos que fazer uma força muito grande com relação ao pagamento das dívidas. Pagamos mais de R$ 100 milhões em dívidas nos primeiros 60 dias. E a reformulação do elenco, eu acho que hoje a gente está seguindo esse projeto, atacando todas as áreas que precisam ser atacadas, especialmente no futebol, que é onde eu estou atuando, no sentido de colocar as coisas das nossas ideias, os nossos projetos, em prática.
Dutra, esses R$ 100 milhões que você diz que o Grêmio pagou, isso ajudou também a recuperar a credibilidade no mercado? Foi um obstáculo, digamos, para vocês enfrentarem na arrancada de ano?
Com certeza, essa gestão começou a sinalizar para o mercado, desde o momento que começamos a nos comunicar com as pessoas envolvidas, que nós tínhamos um objetivo de reorganizar o clube de forma administrativa, de forma financeira. Através disso nós recuperaríamos a credibilidade do Grêmio como instituição. O Grêmio foi atrás dessa questão, a vinda do Luís Castro, a vinda de profissionais experientes do mercado, como o Paulo Pelaipe, um executivo de grande experiência no mercado, tudo isso gera um ambiente mais propício para o resgate da credibilidade.
Isso ajuda também os jogadores que virão para o projeto, ajuda a aproximação com investidores. Nós tínhamos aqui no clube uma prática muito comum já há algum tempo que era empurrar os problemas com a barriga, não dar muito retorno para as pessoas e isso estava afetando muito o moral interno das pessoas e também a visão que o clube estava transmitindo para o mercado. Tanto para os outros clubes, para os empresários, para os agentes, até para fornecedores.
Então, a partir do momento que a gente começou a mudar isso, nós saímos de um ambiente ruim, um ambiente de choradeira, um ambiente de reclamação, para um ambiente vencedor, um ambiente que nos faz atacar todas as questões do Grêmio sem limite, não tem nada que a gente não esteja debatendo, buscando melhoria.
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Como é que o Grêmio conseguiu ganhar esse fôlego, até para recuperar a sua credibilidade, conseguir investir, já que havia dívidas, dificuldades. Como é que foi possível organizar isso?
Quem lidera esse processo é o presidente Odorico Roman, junto com o CEO Alex Leitão, eles lideram essa situação de resgate das questões financeiras do Grêmio, todos esses esses aportes que nós tivemos iniciais, tanto da venda do Alysson, quanto de receitas advindas até da própria Arena, é o trabalho do Conselho de Administração, do CEO, da área financeira. O futebol dá sua contribuição nas questões que envolvem os pagamentos, nós tivemos as dispensas de jogadores, que ajudaram também a dar um certo fôlego, porque nós aumentamos, como regra geral das nossas negociações, o prazo e buscamos reduzir os valores. Cada caso é um caso nessa questão, e isso também nos ofereceu esse ambiente de credibilidade junto a agentes, a investidores.
O Celso Rigo nos ajudou bastante com relação a isso, foi uma pessoa que nos ajudou a botar essa roda a girar, colocar em prática esse plano, nós precisamos e utilizamos muito o apoio dele financeiro nesse sentido, e isso nos ajudou a dar esse primeiro passo que o Grêmio precisava.
E essas dispensas Dutra, como é que foram definidas?
Eu não posso avançar muito nisso sem de alguma forma ter que individualizar, o que não quero. Mas todos os jogadores são analisados, tanto os de mercado quanto os jogadores que aqui estavam. Por uma série de quesitos, a comissão técnica e a direção de futebol, se reúnem praticamente todos os dias. Através dessas observações, do desempenho dos jogadores, da forma como eles atuam em campo, do sistema de jogo utilizado pelo nosso treinador, a gente conseguiu fazer essa avaliação dos jogadores que poderiam ser dispensados e das necessidades que nós tínhamos de contratar. E aí, em cima disso, a gente atuou. Eu acho que o grande mérito nesse primeiro estágio que nós tivemos aqui foi a agilidade, porque é muito difícil conseguir fazer toda essa mudança em tão pouco tempo como fizemos.
Luís Castro e Paulo Pelaipe em treino do Grêmio
Lucas Uebel/Grêmio
Há alguns anos, falava-se na questão das rescisões que o Grêmio acertava, que ficava uma espécie de folha paralela. O Grêmio vai ter um gasto muito grande com jogadores que não estão no Grêmio?
Toda a saída foi uma negociação com os jogadores que estavam saindo, em termos de quanto a receber, quanto que poderia receber e o prazo de pagamento. É claro que pesa, que a gente sabe que tem que continuar honrando todos os pagamentos que foram determinados nas negociações, mas uma hora isso acaba. O nosso objetivo é esse, impacta no nosso gasto com o futebol, claro é uma parte importante do gasto, mas é como nós encontramos o clube e a solução que nós tivemos que dar foi essa.
Vocês conseguiram reduzir a folha para o patamar que era planejado?
Não, nesse momento de transição nós ainda não conseguimos reduzir a folha, mas nós conseguimos equalizar os pagamentos para que a folha hoje representasse realmente o gasto com aquilo que nós vamos obter de forma desportiva dentro do campo.
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Qual o papel do Luís Castro no projeto? Como ele ajuda vocês vocês a colocar em prática tudo o que foi pensado?
Bom, hoje se pegar entre os 10 melhores técnicos do mundo, talvez uns 5 ou 6 são da escola portuguesa. Nós tínhamos já essa premissa de que nós poderíamos chegar mais rapidamente naquele patamar que nós desejamos para o Grêmio se nós tivéssemos a sorte e a felicidade de contar com um treinador desse quilate. O Luís Castro está entre essa lista reduzida de grandes treinadores do mundo, é um treinador rodado, experiente, conhece todos os processos do futebol. A vinda dele foi algo que nos motivou muito, no sentido de vai ser mais rápido o nosso projeto, porque os processos internos do futebol do Grêmio, eles estavam muito defasados.
O Luís Castro não é só aquele treinador da beira do campo que a gente enxerga quando vai ao jogo, nós temos uma série de questões internas que foram tratadas pela comissão técnica, que se integrou ao nosso quadro de funcionários e nós melhoramos uma série de coisas, estamos dando para o Grêmio uma infraestrutura e estrutura de processos, de pessoas, de capacitação que vai levar o Grêmio a um patamar superior que era o nosso desejo desde o início.
A figura do Luís é importantíssima nesse sentido, é uma pessoa que desde o primeiro momento nós tivemos quatro dias de negociação, foi intenso, foram três fusos horários que nós trabalhamos, quase 18 horas por dia, todos os dias de contatos. E nós nunca enganamos o Luís com relação ao que ele encontraria no Grêmio, a gente não dourou a pílula, a gente foi muito claro com o que ele encontraria aqui, os desafios, o que nós esperávamos dele, da comissão.
Desde o primeiro momento, teve uma sintonia fina conosco, com o presidente também, comigo, com o Pelaipe, com o Rafael, e essas conversas foram muito boas. Quando ele desembarcou aqui no Brasil, a gente já parecia que tinha já um conhecimento de bastante tempo e a gente sabia o que esperar dele. Tem muita coisa boa acontecendo, muitas coisas ainda vão resultar positivas para o Grêmio ao longo dessa passagem dele.
Antônio Dutra Júnior, vice de futebol do Grêmio
Eduardo Moura
Isso é muito interessante, esse papel dele interno. Se a gente pudesse exemplificar algumas coisas que tenha mudado internamente para o Grêmio, talvez dar um salto daqui para frente.
Nós podemos pegar um exemplo mais macro, que é a própria visão que o Grêmio como instituição hoje tem dos seus atletas da base. O Grêmio hoje enxerga nos seus atletas da base um potencial muito maior do que estava enxergando há pouco tempo atrás. Nós temos uma clara valorização dos ativos da base do Grêmio com a chegada do Luís Castro, porque ele deu oportunidade, valorizou esses jogadores, integrou esses jogadores no grupo principal, acho que o Grêmio nunca tinha subido tantos jogadores da base ao mesmo tempo, no mesmo momento. hoje contamos com jogadores da base, tanto quanto nós contamos com jogadores que poderiam vir de outros clubes. Muitas vezes a gente traz um jogador de outro clube porque a gente não olha corretamente para os jogadores da base. Isso é algo que mudou muito aqui em termos de perspectiva.
E internamente, não só necessariamente do Luís, o que o departamento de futebol reorganizou de processos?
Ainda estamos fazendo essas mudanças, eu posso te citar alguns exemplos, nós trouxemos um novo gerente de futebol, também muito experiente, que é o Sérgio Helt, nós trouxemos um head scout de mercado também, que é o Hugo Ribeiro, nós trouxemos uma psicóloga da seleção brasileira, que é a Marisa Santiago. Nós estamos fazendo ainda mudanças no departamento de saúde, investimos em vários profissionais novos que vieram para cá para agregar conhecimento. Trouxemos o Felipe Marques, que é coordenador de performance, um cargo que nós não tínhamos.
Nós estamos ainda mudando processos diariamente. É algo que talvez seja o maior legado que nós pretendemos deixar, é o Grêmio se equiparando nesses quesitos aos melhores clubes do mundo. O Grêmio nunca vai ser equiparado em termos de receitas a grandes clubes do mundo. E quando alguém fala assim “bom, mas e as dívidas?”. Tem grandes clubes do mundo que tem dívidas, o Barcelona tem dívidas. Então nós temos que ter um equilíbrio, nós temos que ter uma geração de caixa suficiente para que o Grêmio seja autossustentável, nós temos que poder investir em infraestrutura e melhorias de processo.
O futebol ele é um ser vivo, ele não tem um trabalho que a gente possa fazer e dizer assim, terminei, não termina nunca, é algo que você tem que estar fazendo todo o tempo. Todo o tempo surgem coisas novas, surgem novos métodos, novas técnicas. O básico do futebol a gente sabe que não muda, mas todo esse entorno do futebol e aquilo que a gente tem que entregar para a comissão e para o grupo de jogadores, esse é o trabalho da diretoria.
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Tem como como chegar nesse estágio, talvez não em 2026, mas tem como colocar o Grêmio com Flamengo e Palmeiras brigando todo ano para ser campeão de todas as competições?
Em termos de receita, não. A gente sabe que o Grêmio sempre vai ter receitas inferiores aos clubes do centro do país. O mercado deles e a capacidade de geração de receita deles é maior, mas todos os outros processos que ocorrem dentro do Grêmio, no futebol, aquilo que nós podemos fazer em termos de produtividade, assertividade, de trabalho técnico, trabalho tático, isso nós vamos buscar e o futebol permite isso. Nós vamos certamente estar em pouco tempo no topo das disputas e disputando palma a palma com todos esses clubes.
Esse ano o Grêmio vive uma transição ou pode se colocar na briga por títulos?
Nossa política é a seguinte, nós vamos entrar em todos os campeonatos buscando sempre a melhor colocação possível, e se possível disputar para vencer o campeonato. O Campeonato Gaúcho teve um momento que havia até um descrédito , que o Grêmio tinha abdicado do campeonato. Em nenhum momento o Grêmio abdicou do Campeonato Gaúcho, nós fizemos o possível para levantar essa taça, levantamos a taça e assim vai ser nas competições que o Grêmio vai disputar.
No Brasileirão, a gente está em uma posição, não é a ponta exatamente, mas é um aproveitamento de mais de 50%, que garante que a gente consiga esse nosso objetivo de classificar para a Libertadores, ou nos deixa muito perto disso. É um campeonato longo, desgastante, vai ter muita coisa que vai acontecer, e aí o ano que vem, a partir do momento que nós conseguirmos, pelo menos esse objetivo de estar na Libertadores, aí vamos fazer um planejamento mais adequado ao nível de exigência da competição.
Nardoni, o Léo Pérez e o Enamorado, talvez o Nardoni mais conhecido deles pelo destaque no Racing, mas enfim, como é que o Grêmio chegou nesses nomes?
Essa nossa análise de jogadores era parte do nosso trabalho, do projeto que estava sendo feito já há mais tempo, então ao longo desses últimos anos nós fomos refinando isso. Quando trouxemos um head scout, quando nós temos aqui a nossa estrutura também, e com a comissão técnica, nós fizemos um ajuste fino dos nossos jogadores observados, nós temos um time sombra também que é observado, nós temos uma equipe de jogadores novos e promissores que é observada, então em cima disso e em cima das carências que nós identificávamos do perfil de cada um desses jogadores, nós fomos buscá-los.
Que bom que eles chegam com um grau de assertividade, porque era o que o Grêmio precisava. O Grêmio nesse momento precisa errar o menos possível em todas as suas atitudes, seja contratações, dispensas, processos internos, gastos, o Grêmio precisa ser assertivo em todas as suas áreas, então nos satisfaz muito ver que os jogadores que estão chegando e entregando o que nós esperávamos.
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