Clássico coloca ordem nas diferenças entre Palmeiras e São Paulo
São Paulo 0 x 1 Palmeiras | Melhores momentos | 8ª rodada | Brasileirão 2026
A vitória de 1 a 0 do Palmeiras sobre o São Paulo, na noite deste sábado, no Morumbis, foi um recorte muito preciso da realidade dos dois times – de suas qualidades e limitações, de suas identidades. O resultado isolou o time visitante na liderança do Campeonato Brasileiro, agora três pontos à frente do rival, e colocou ordem nas diferenças entre as equipes: mostrou por que o Palmeiras continua superior.
O gol cedo, aos cinco minutos do primeiro tempo, permitiu que o time de Abel Ferreira determinasse o humor da partida. Por mais que o São Paulo ficasse com a bola, circulasse, tentasse alcançar a área, muito pouco acontecia – sobretudo porque o Palmeiras não permitia que acontecesse.
Assim, o fator mais ilustrativo do clássico foi a supremacia da defesa alviverde sobre o ataque tricolor. O São Paulo concentrou o jogo pelo meio, onde tem jogadores interessantes (Danielzinho, Bobadilla, Marcos Antônio), mas foi anulado pelas linhas defensivas do Palmeiras, em mais uma demonstração do tanto que essa equipe é bem treinada.
Gol de Arias em São Paulo x Palmeiras
Reuters
Por mais que tenha feito três trocas no intervalo, Roger Machado mexeu pouco no jeito de o time jogar. É uma característica – e por vezes um defeito – do treinador são-paulino: ele costuma ser muito fiel ao modelo escolhido para a partida e, em momentos de adversidade, resiste a bagunçar as peças, a tentar uma cartada diferente.
O São Paulo precisava abrir o jogo pelos lados, precisava agredir pelas pontas, e Roger só ofereceu isso de forma mais aguda aos 39 minutos do segundo tempo, com Ferreirinha, uma alternativa sempre incerta – e que, na prática, pouco fez. O time não encontrou soluções. Entre bolas lançadas nas mãos do goleiro Carlos Miguel e ataques abortados por impedimento, irritou o ótimo público que foi ao estádio, com mais de 54 mil torcedores presentes.
Mas tudo isso foi consequência direta da enorme competência alviverde. A chave do jogo foi o contraste entre o esforço feito pelo São Paulo para chegar a lugar algum e a naturalidade com que o Palmeiras alcançou a vitória. Isso mostra a diferença entre as duas equipes: uma que joga de forma automatizada, outra que segue em formação, especialmente depois da troca de treinador.
Calleri reclama com Anderson Daronco em São Paulo x Palmeiras
Marcello Zambrana/AGIF
Mais uma vez, é possível questionar a estética de futebol do Palmeiras, que anestesiou o jogo para manter o resultado, especialmente no segundo tempo (quando praticamente não atacou). Mas a eficiência é inegável.
O gol de Arias é pródigo nesse sentido: o jeito como a saída de bola pela direita atrai a marcação adversária para aquele lado, a rapidez com que a jogada muda de direção, o espaço encontrado e explorado pelo colombiano, tudo isso mostra um time que sabe o que faz em cada movimento. É um patamar que o São Paulo, de vida tão tumultuada nos últimos anos, ainda está longe de alcançar.
Isso ajuda a explicar os 12 jogos de invencibilidade do Palmeiras no Choque-Rei e, claro, a liderança do Brasileirão. Em oito rodadas, a equipe de Abel Ferreira já soma seis vitórias. É uma campanha de time que, nenhuma novidade, nenhuma surpresa, brigará pelo título – objetivo que para o São Paulo é bem menos verossímil. geRead More


