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Em encontro de campeãs olímpicas, Sandra relembra início de Duda: “Cuidava dela para a mãe jogar”

Em encontro de campeãs olímpicas, Sandra relembra início de Duda: “Cuidava dela para a mãe jogar”

Sandra|Duda 13 x 15 Ana Patrícia|Jackie | Melhores Momentos | Jogo de Ouro | Areia Games
Quando Jackie Silva e Sandra Pires conquistaram a primeira medalha de ouro olímpica feminina do Brasil, em Atlanta 1996, Duda Lisboa ainda nem havia nascido. Mesmo sem presenciar o pódio histórico do vôlei de praia, a sergipana trilhou o caminho já aberto pelas veteranas e repetiu o feito 28 anos depois, ao lado de Ana Patrícia, em Paris 2024. No último sábado (21), as duplas se reencontraram em Niterói, no Areia Games, e contaram ao ge sobre o passado em comum antes da vitória nos Jogos da capital francesa.
“Jogo de Ouro” reuniu as primeiras e as atuais campeãs Olímpicas de vôlei de praia
Priscilla Basilio
Em um jogo de exibição, na tarde de sábado, campeãs olímpicas de diferentes gerações entraram em quadra com as duplas trocadas para disputar um set único de 15 pontos. Sem nenhum treino prévio, Jackie e Ana Patrícia acabaram superando Sandra e Duda em duelo acirrado, por 15 a 13. O chamado “Jogo de Ouro” despertou a emoção do público presente, que vibrou a cada ponto, sem dar tanta importância ao placar final.
– Estamos falando aí das primeiras campeãs olímpicas, né? Quando a gente imaginou? Eu nunca imaginei que a gente ia ter esse privilégio. A gente tem que agradecer sempre a Deus e a esse esporte lindo, que deu pra gente muito da nossa vida e, hoje, deu, com certeza mais uma grande lembrança que a gente vai carregar pra sempre – disse Ana Patrícia.
Duda e Jackie Silva no Areia Games
Arquivo pessoal
Quem vê o encontro das duas gerações em quadra, talvez nem imagine que alguns caminhos já se cruzaram antes. Filha de Cida Lisboa, ex-jogadora e atual treinadora de vôlei de praia, Duda era presença certa nas quadras, ao lado da mãe, que disputava o Circuito Brasileiro. Amiga de Sandra, Cida deixava a filha aos cuidados da campeã olímpica quando não estava jogando contra ela.
– Eu convivi muito com a mãe dela e com ela na arena, mas como filha da Cida, né. Não era a Duda ainda. Aí, eu acompanhei toda a carreira dela. Ela sempre foi além do tempo, porque ela convivia com aquilo ali, acho que era a segunda casa dela. A mãe levava e a gente ficava tomando conta dela para a mãe jogar – contou Sandra.
Duda e Jackie Silva em etapa do Circuito Brasileiro
Arquivo pessoal
Aos 13 anos, Duda foi convocada para jogar o Mundial Sub-19 de Vôlei de Praia, no Chipre. Na época, Jackie Silva havia assumido o comando das seleções femininas de base e apostou no talento da jovem atleta, que foi finalista da competição, ao lado da parceira Drussyla.
– Ela entrava em quadra e o placar dava o nome dos atletas, né? Duda e Drussyla. Duda tinha 13 anos, só que jogava que nem gente grande. Essa idade não dizia nada, jogava muito, era um espetáculo a parte. Isso era muito bom de assistir. Ela entrava em campo toda arquibancada batia palma, sabe? Era muito bacana – lembrou Jackie.
Drussyla e Duda em treino para o Mundial Sub-19
Alexandre Arruda/CBV
Para Sandra, a rapidez com que Duda evoluiu no vôlei de praia já indicava, desde cedo, que o topo do pódio olímpico seria uma consequência natural.
– Foi muito rápido, ela já jogava muito bem tão nova. Foi convocada para o sub-19 com 13 anos. Já era muito precoce no jogo, então, deu no que deu. Ela já tinha uma bagagem para ser campeã olímpica – analisou.
O encontro mais marcante entre as pioneiras olímpicas do vôlei de praia e Ana Patrícia, porém, só aconteceria anos depois, justamente no cenário em que o Brasil voltaria a escrever história.
Ana Patrícia e Duda encontram Jackie e Sandra, campeãs olímpicas em 1996
– Em Paris é que foi o grande encontro. Eu resolvi ir, a Jackie já estava se organizando com o COI, e aí, tudo aconteceu lá. A Duda e a Ana Patrícia veem a gente chegando na arena para dar uma entrevista, elas ali aquecendo, e eu pensei: ‘Eu não vou cumprimentar’. Jackie também não cumprimentou para não tirar o foco. E elas olharam e falaram: “Ai, meu Deus”, elas contam isso em entrevistas – recordou Sandra.

Sandra também teve a oportunidade de se aproximar mais de Ana Patrícia no Ceará, durante uma partida de beach tennis. A veterana da areia brincou com a altura da jogadora de 28 anos, que com 1.94m, é considerada uma das melhores bloqueadoras de sua geração.
Pódio do vôlei de praia
Luiza Moraes/COB
Jackie Silva, Sandra Pires, Mônica e Adriana em Atlanta 1996
divulgação/COB
– Uma vez eu fui jogar beach tennis com a Ana Patrícia, em Fortaleza. Ali a gente acabou conversando um pouquinho, soltado um pouco mais. Eu falava: ‘Gente, não bota ela para jogar beach tennis, não! Não dá, ela é muito grande. Vamos subir essa rede”. E aí, foi quebrando um pouco essa distância que a gente tem, porque foram 28 anos – contou Sandra.
Para Sandra, a parceria de Ana Patrícia com Duda ainda pode render novos capítulos para o Brasil em Los Angeles.
– Elas passaram por essa Olimpíada (Tóquio 2020), que não foi legal para nenhuma das duas, jogando separadamente, e focaram muito para essa medalha. Então, acho que elas têm condições de ganhar outra medalha olímpica. Quem sabe uma de ouro, de novo. Acho que o Brasil está em excelentes mãos. São muito dedicadas, muito humildes – acrescentou. geRead More