Áudio revela ameaças de chefe de facção à família de secretário municipal assassinado no Ceará; ouça
Áudios revelam ameaça de facção a secretário
Um áudio atribuído ao chefe de facção Wesley Pereira Balbino, conhecido como “Guaxinim”, revela o teor das ameaças do criminoso contra a família do secretário de Administração de São Luís do Curu, Ricardo Abreu Barroso, morto a tiros na manhã da última quinta-feira (19). O conteúdo do áudio foi confirmado à TV Verdes Mares por uma fonte policial (ouça no vídeo acima).
Wesley “Guaxinim” é um dos principais responsáveis pelo tráfico de drogas em São Luís do Curu. Ele é considerado uma liderança da facção Comando Vermelho e há suspeitas de que ele está foragido no Rio de Janeiro, de onde teria arquitetado a trama criminosa e recrutado os criminosos para a execução do secretário municipal.
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A motivação do crime estaria relacionada ao fato de ‘”Guaxinim” creditar a influência política do secretário à atuação da Polícia Militar na cidade, em especial do Comando de Policiamento de Rondas de Ações Intensivas e Ostensivas (CPRaio).
Vídeo mostra momento em que secretário municipal é morto a tiros no interior do Ceará
Além de Secretário de Administração do município, Ricardo Abreu é pai do vereador Júnior Abreu, atual presidente da Câmara de São Luís do Curu, e tio do atual prefeito do município, Tiago Abreu. Ele também foi vereador da cidade por dois mandatos.
No áudio, que teria sido enviado em 2025, o criminoso fala justamente de “apertar quem tem o poder” para expulsar o Raio da cidade, e cita explicitamente o filho de Ricardo, o vereador Júnior Abreu, bem como o depósito de construção da família, onde Ricardo foi morto.
“Tem que dar uma rajada de bala boa. Tem que apertar quem tem o poder na mão, entendeu? Na casa do Júnior Abreu, uma rajada boa de bala! No mesmo tempo da outra rajada do depósito dele, pra chegar pra nós perguntando “O que foi, o que foi?’, ‘O que foi meu filho é o seguinte: Dessa vez foi nas casas, agora vai ser na sua cara viu, você num tire o Raio dentro da cidade não’. É desse jeito, aqui é o Guaxinim, não é caô não. E se eles desacreditar eu vou mandar é matar”, diz o chefe da facção no áudio.
Secretário de Administração de São Luís do Curu, Ricardo Abreu Barroso, foi morto a tiros no depósito de construção de sua propriedade.
Reprodução
Em depoimento à polícia, um dos filhos de Ricardo Abreu cita o áudio ao qual o g1 teve acesso e relata que, de fato, em agosto de 2025, a fachada da casa do vereador Júnior Abreu foi atingida por disparos de arma de fogo, tal como “Guaxinim” ameaçou.
Entre 2024 e 2025, vários criminosos subordinados a Wesley foram presos no município. Ele próprio e o irmão, Uesclei Pereira Balbino, conhecido como “Gringo”, deixaram a cidade por causa da atuação do Raio. Por isso, Wesley teria mandado mensagens para a família de políticos, exigindo que eles usassem da influência na gestão municipal para enfraquecer a atuação policial.
Na sexta-feira (20), a Polícia Civil prendeu duas mulheres suspeitas de dar apoio ao assassinato de Ricardo Abreu. Elas teriam sido recrutadas para monitorar o secretário e repassar informações do seu paradeiro aos atiradores. Já no domingo (22), um suspeito de participar da execução foi preso na Bahia, em um ônibus que ia de Fortaleza para Goiânia (GO).
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Ameaças, monitoramento e morte
Conforme depoimento ao qual o g1 teve acesso, o secretário e a família vinham recebendo ameaças, pelo menos, desde a campanha eleitoral de 2024. Na ocasião, o carro de Ricardo chegou a ser alvejado por tiros de arma de fogo, mas ele teria optado por não fazer Boletim de Ocorrência (BO) por temer uma nova represália.
Em agosto de 2025, a fachada da casa do vereador Júnior Abreu, filho de Ricardo, foi atacada a tiros. Pouco depois, o político teria recebido o áudio revelado pelo g1. À autoridade policial, o depoente disse que à época foi orientado a registrar um BO, mas temia que, caso se envolvessem em um processo contra Wesley Guaxinim, acabariam mais expostos.
Ainda conforme o depoimento da família, no fim de dezembro de 2025, “Guaxinim” teria dito que, se o Raio continuasse prendendo os comparsas dele na cidade, ele iria matar Ricardo Abreu. Esta última ameaça levou a família a registrar um Boletim de Ocorrência na primeira semana de janeiro de 2026.
A família acredita que um ponto de virada no comportamento de Wesley foi a morte do irmão dele, o Uesclei “Gringo”, durante uma intervenção policial no dia 12 de março, em Fortaleza. Cinco dias após o irmão ser morto, Wesley entrou em contato com as duas mulheres que ficaram responsáveis por monitorar Ricardo e, posteriormente, repassar aos atiradores a localização dele.
Câmeras de segurança registraram Gleiciane Barbosa Diniz, de 24 anos (condutora) e Laila Aparecida Rodrigues Meneses, de 18 anos (passageira) seguindo o secretário municipal antes de ele ser executado.
Reprodução
Na manhã do dia 19 de março, Ricardo Abreu foi ao depósito de construção da família. Ele estava lá quando as duas suspeitas, identificadas como Gleiciane Barbosa Diniz, 24 anos, e Laila Aparecida Rodrigues Meneses, de 18 anos, passaram de motocicleta em frente ao depósito, pararam um pouco à frente e mexeram no celular. Logo depois, os executores chegaram.
A execução foi captada por câmeras de segurança do depósito. Nas imagens, o secretário aparece conversando dentro do estabelecimento, acompanhado de outros dois homens, quando dois suspeitos encapuzados entram no local e efetuam diversos disparos. O secretário morreu no local.
Horas antes de matar o secretário, um grupo, formado por cerca de cinco indivíduos, invadiu um sítio e rendeu os moradores, passando a aguardar as informações sobre o paradeiro da vítima, que foram colhidas por Laila e Gleiciane. Depois de receberem informações sobre a exata localização da vítima, quatro suspeitos pegaram o carro de um dos reféns para ir até o depósito.
Dois criminosos mataram o secretário de Administração de São Luís do Curu, Ricardo Abreu Barroso.
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