Atuação pobre contra a França não define o limite da Seleção
Brasil 1 x 2 França | Melhores momentos | Amistoso Internacional 2026
Enquanto a Seleção Brasileira se esforçava como se disputasse um confronto eliminatório, o time francês tratou o jogo como o amistoso que, de fato, ele era. E nisso não há qualquer problema, afinal de contas o Brasil está em busca de afirmação, depois de um ciclo turbulento desde a última Copa. O que deixou a impressão um tanto decepcionante é que, mesmo com posturas antagônicas, a França teve a situação sob controle durante praticamente toda a partida.
Nesse ponto, a realidade mostrou-se categórica: não houve como fugir da evidência de que são times em estágios muito diferentes. A equipe de Didier Deschamps, que vai para sua terceira Copa na casamata francesa, é muito mais madura, com mecânicas bastante mais evoluídas do que o selecionado brasileiro. E, fundamental, conta com um grupo de jogadores melhores do que o Brasil — e praticamente todas as outras seleções. Não por acaso, esta é considerada por muitos como a maior geração francesa da história, tantos são os valores revelados — “parece até o Brasil dos anos 90”, diria o saudosista vestindo a camisa de Djalminha.
Matheus Cunha Brasil x França seleção brasileira
André Durão
Mesmo com todos esses atenuantes, a atuação brasileira teve pontos preocupantes. E provocados não apenas pelo desfalcado sistema defensivo, que na verdade se comportou bem em grande parte do jogo, ainda que tenham ficado evidentes os equívocos de Casemiro, Leo Pereira e Wesley nos gols franceses. Mas nesse caso também é preciso pontuar que os defensores brasileiros enfrentavam nada menos que o jogador consagrado melhor do mundo (Dembelé), o melhor jogador do mundo de fato (Mbbappé) e outro atacante que só não tem feito chover pelo Bayern (Olise). E, além deles, no decorrer do jogo, Doué, Kanté, Thuram. Ou seja, um verdadeiro caos na terra. Ou, como diriam os conterrâneos de Arthur Rimbaud, un chaos sur terre.
O Brasil não foi massacrado pela França, mas sofreu uma contundente revelação das suas fragilidades. E talvez a maior frustração tenha vindo justamente do que se acreditava mais promissor: o setor ofensivo do Brasil teve uma performance muito pobre. Pouco participativo, Raphinha saiu no intervalo, com dores musculares, enquanto o desempenho de Vinicius Jr. com a camisa amarela já está se tornando quase uma questão de Estado — a sua atuação ontem foi especialmente fraca, falhando em praticamente todas as jogadas individuais que tentou.
Vini Júnior parte para cima da marcação em Brasil x França
Rafael Ribeiro / CBF
A proposta do Brasil para o jogo passava por uma defesa sólida e transições rápidas, algo compreensível quando se enfrenta um adversário desse porte, e a estratégia se mostrou, em parte, bem-sucedida. No entanto, causou algum susto a ausência de articulação e cadência da equipe, que recorria quase somente aos lançamentos de Casemiro e a tentativas de correria generalizada pelas pontas. A expulsão do zagueiro Upamecano, aos dez minutos do segundo tempo, deixou a precariedade criativa da Seleção ainda mais perceptível. Faltando cerca de oitenta dias para a Copa do Mundo, é um repertório muito simplório, mesmo considerando que do outro lado havia uma seleção poderosa como a França.
Apesar da frustração, houve boas notícias. Nos primeiros minutos em campo, Luiz Henrique colocou fogo no jogo e mostrou que é forte opção não apenas para ir à Copa do Mundo, mas para brigar por titularidade, enquanto o zagueiro Bremer deixou impressão positiva, mesmo sob constante pressão — fez gol, marcou, finalizou e até se mostrou voluntarioso na construção de movimentos ofensivos. Apesar do erro no primeiro gol francês, Casemiro teve mais uma atuação consistente, ainda que sobrecarregado, pois precisou fazer de tudo um pouco.
A própria derrota, da forma como aconteceu, pode ser uma notícia auspiciosa e não define um limite para a Seleção. A partir desse resultado, Carlo Ancelotti tem muitos subsídios para lapidar a estratégia e o desempenho possíveis contra os maiores candidatos ao título. E, com esses ajustes, finalmente conseguir extrair de suas principais referências atuações condizentes com a qualidade que demonstram nos clubes.
Hoje, a obviedade grita: a França é uma seleção muito mais forte que o Brasil. Isso não impede de ver na Seleção bastante potencial de crescimento, ainda que o tempo seja tirano. Daqui a dois meses e meio, no entanto, o Brasil precisa ser superior à França (e aos outros 46 times) apenas durante trinta dias.
Confira a íntegra da coletiva de Carlo Ancelotti após a derrota do Brasil para a França geRead More


