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França 163 x 9 Brasil: a derrota em Boston aponta para a corrida contra o tempo da seleção

França 163 x 9 Brasil: a derrota em Boston aponta para a corrida contra o tempo da seleção

Daqui a algum tempo, quando alguém revisitar as estatísticas do Brasil x França de quinta-feira, verá que a seleção teve mais finalizações. Quem assistir aos melhores momentos, verá lances em que os brasileiros até criaram oportunidades para modificar o resultado. Mas não era disso que se tratava. Era um jogo para colher sensações, observações sobre como o time se comportava em diversas tarefas importantes de uma partida. E ficou claro que estavam em campo equipes em estágios diferentes.
No fim, a França ganhou por 163 a 9. Mais precisamente, os quase 163 meses (quase 14 anos) de trabalho de Didier Deschamps contra os nove meses de Carlo Ancelotti. Claro que nem tudo se resume a isso. Há questões técnicas e táticas, também: a escola brasileira tem, hoje, dificuldade em produzir controladores de jogo no meio-campo e laterais, algo que parece ter moldado a própria proposta de jogo do treinador italiano; e, do outro lado, estava um dos maiores produtores de talentos do mundo na atualidade. O fato é que a história do jogo pode ser contada a partir da atrapalhada gestão da seleção nos últimos anos, das dificuldades atuais do futebol brasileiro e dos desfalques que fragilizaram uma seleção que, obviamente, ainda não está pronta.
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Claramente, Ancelotti tinha uma proposta de tentar retomar a bola e tentar acionar seus atacantes em velocidade, sem tanta pausa, sem tanta elaboração: um jogo mais direto. Não há nada errado nisso, é apenas uma das tantas formas de tentar ganhar um jogo, e que até rendeu uma oportunidade com Raphinha e um chute de fora da área de Martinelli. A questão é, se numa Copa do Mundo, isso será suficiente. Especialmente porque a seleção não ia bem em outros aspectos da partida.
O Brasil pressionava a saída de bola francesa com muito menos eficiência do que os rivais. Da mesma forma, tinha muito menos mecanismos para sair jogando sob pressão do que a França. E, quando precisou construir contra um adversário mais fechado atrás, especialmente após a expulsão de Upamecano, o time realizou pouca coisa, a não ser por mais uma ótima entrada de Luiz Henrique.
A grande diferença do jogo, no fim das contas, se deu na forma como cada time pressionava a saída rival, e como conseguia sair jogando quando era pressionado. Havia muito mais fluência do lado francês. No primeiro tempo, Ederson se viu obrigado a forçar passes, e o time perdeu muitas bolas no campo defensivo. E o gol francês surgiu justamente quando Léo Pereira tomou uma decisão ruim e forçou um passe. Casemiro acabou desarmado e Dembélé acionou Mbappé em velocidade entre Léo Pereira e Bremer.
Esta jogada parecia o grande risco do jogo para o Brasil. Porque em sua tentativa de acelerar sempre as jogadas, a seleção por vezes não concluía seus ataques, e se arriscava a expor a defesa a uma linha ofensiva muito poderosa. Quando tentava pressionar na frente, o time raramente oferecia dificuldades à saída de bola da França. Tchouameni quase sempre sobrava por trás da pressão brasileira.
No segundo tempo, justamente numa tentativa de marcar a saída de bola da França, a diferença de estágio das equipes se expôs novamente. Em duas grandes combinações, com triangulações e troca de passes, o time de Deschamps escapou da marcação e, mesmo após ter tido Upamecano expulso, chegou ao campo ofensivo com quatro atacantes contra três defensores do Brasil. O resultado foi o 2 a 0 de Ekitiké.
Claro que a linha defensiva toda alterada, sem nomes como Vanderson, Militão, Gabriel Magalhães ou Marquinhos, sem falar na ausência de Bruno Guimarães, tudo isso prejudicou a saída de bola do Brasil. Era uma formação que jamais jogara junta. E, também, sem os melhores jogadores do setor defensivo. E mesmo quando a bola chegava ao ataque, ali a seleção vivia um acúmulo de atuações decepcionantes, como as de Raphinha e Vinícius Júnior.
Com um jogador a mais, a necessidade de controlar o jogo cobrou um preço de uma seleção sem tantas opções na zona de criação, sem jogadores capazes de controlar o jogo, organizar e ditar ritmo. Aparentemente, esta é uma deficiência que deve acompanhar o Brasil na Copa do Mundo, tornando o jogo de transições rápidas um recurso mais frequente. Mas será preciso crescer em outros cenários. Porque a busca permanente pela aceleração pode não ser suficiente. geRead More