UFC BJJ: Aos 43, Vagner Rocha encara “fã” por cinturão e busca feito histórico
Vagner Rocha fala do crescimento do jiu-jítsu sem quimono nos Estados Unidos
Campeão mundial de jiu-jitsu sem quimono, vice-campeão do ADCC e ex-UFC. Aos 43 anos, Vagner Rocha viveu grandes momentos na arte suave, mas terá um dos capítulos mais desafiadores da carreira no próximo dia 2 de abril, quando enfrentará o americano Andrew Tackett pelo cinturão peso-meio-médio no UFC BJJ 7. Convidado do podcast “Mundo da Luta” desta semana, o veterano contou como iniciou no jiu-jitsu, os desafios em competir em alto nível e a emoção de lutar contra um “fã” pelo título. (Clique no player abaixo para ouvir o programa na íntegra).
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UFC BJJ tem regras diferentes dos eventos tradicionais de jiu-jítsu; entenda
Natural de Nova Friburgo, no Rio de Janeiro, Vagner se mudou para os Estados Unidos com a família ainda criança, aos 5 anos. Franzino, iniciou no taekwondo por iniciativa do pai, que temia que ele fosse “apanhar muito”, mas acabou perdendo contato com o esporte. Anos mais tarde, descobriu em uma viagem ao Brasil o que seria sua paixão: o jiu-jitsu.
— Nos mudamos pra cá quando eu tinha cinco anos de idade, e meu pai me colocou pra lutar por que achou que eu ia ser pequenininho e apanhar muito. Morávamos em um bairro ruim, mas eu sempre gostei de lutar, era meio brigão. Quando eu fui para o Brasil de férias, meu primo estava fazendo jiu-jitsu e eu aprendi. Comecei a fazer por hobby e acabou virando, comecei a ganhar alguns campeonatos, ganhar lutas e a marcar a história — lembra.
Vagner Rocha é ex-UFC e disputará o título peso-meio-médio do UFC BJJ
Chris Unger/Getty Images
Muitos anos se passaram e Vagner pode continuar fazendo história. Aos 43 anos, pode se tornar o campeão mais velho da história do UFC BJJ. Com experiência no MMA, o lutador teve passagens pelo Strikeforce, Bellator e UFC, mas decidiu abandonar as artes marciais mistas para focar no jiu-jitsu profissional aos 37 anos, em 2019. De lá para cá, foi vice campeão mundial do ADCC – considerado o mais importante campeonato de grappling do mundo – duas vezes, e acredita que os treinamentos do MMA ajudaram na transição considerada “incomum”.
— Eu sempre treinei jiu-jitsu para o MMA, sempre fui muito agressivo e buscava finalizar, então funcionou bem. Quando eu fui para o jiu-jitsu (competir) eu percebi que estava dando mais dinheiro do que o MMA. Já estava em uma idade avançada, 37 anos, parei no MMA e foquei no jiu-jitsu, que hoje está providenciando uma oportunidade para os outros viverem da luta sem ser pelo MMA — disse.
Mesmo veterano, Vagner se sente bem para competir em alto nível. Dono de uma academia na Flórida há 17 anos, ele se mantém em ritmo de competição constante e enfrentou alguns dos expoentes do jiu-jitsu nos últimos anos, como Nicholas Meregali, Mica Galvão e Fabrício Hokage.
– Hoje eu vejo que sou um cara muito sortudo de estar na idade que eu estou lutando nos maiores palcos e contra os maiores atletas e enfrentando de igual para igual. Eu simplesmente sei que sou abençoado, gosto do que faço e não tem dia ruim.
Estreante no UFC BJJ, o brasileiro se diz habituado com o formato do evento, que conta com algumas mudanças no regulamento em relação aos principais eventos de jiu-jitsu internacionais. Apesar de ter “furado a fila”, o veterano é considerado uma lenda do jiu-jitsu e é figurinha carimbada nos grandes palcos da luta agarrada.
— Eu luto assim já tem muito tempo, estou na luta casada há quase 10 anos. No exterior, esses eventos já são assim (com esse tipo de pontuação). Eu já estou há muito tempo fora de luta de federações que usam pontos ou algo assim. Os eventos que tem aqui (EUA) são desse jeito, com uma régua parecida com a que o UFC BJJ está fazendo. É lutar pra frente, os caras querem ver luta agressiva, pra frente, buscando finalização, esse é o segredo — acrescenta.
Vagner Rocha lembra momento em que conheceu Andrew Tackett, seu adversário no UFC BJJ 7
O adversário de Vagner pelo título é um velho conhecido do brasileiro. Andrew Tackett conquistou o cinturão inaugural da categoria ao vencer uperar Andy Varela no UFC BJJ 1, em junho do ano passado. Aos 22 anos, o americano tem como ídolo pessoal o próprio Vagner, 21 anos mais velho, e cresceu tendo o brasileiro como referência no tatame. A dupla se conheceu durante um pan-americano na Califórnia, quando Andrew ainda era criança, e mantém uma relação leve desde então.
— Uma vez eu estava com o meu filho Achilles, ele tinha uns 10 anos de idade e fomos para o pan-americano lá na Califórnia. O evento tinha acabado e estávamos comendo hambúrguer em uma mesa. O Andrew devia ter uns 14 anos, sentou na minha frente e disse: “Eu sou o maior fã seu, posso sentar aqui?”. Eu disse que sim. Ele sentou, contou o dia inteiro dele, das lutas, dos treinamentos e desse momento até os seus 18 anos, mais ou menos, ele me cercava em todo evento para conversar comigo. É uma luta que eu sei que vai ser exatamente o que é, briga, mas estou feliz de compartilhar esse momento com ele — conta Vagner.
Andrew Tackett é o campeão peso-meio-médio do UFC BJJ
Divulgação/UFC
— O Andrew é um menino muito bom, assim como o Mica (Galvão). Esses meninos da geração nova eles são diferentes, nasceram em uma era diferente. O jiu-jitsu não tem uma rivalidade muito forte, então são meninos bonzinhos, simpáticos, personagens do bem. Ele é extremamente bom, não é campeão por acaso, e eu tenho uma missão grande na minha frente para ir lá e enfrentar ele. O plano é ir lá, derrotar ele, pegar o cinturão dele e depois abraçá-lo (risos) — completa.
O UFC BJJ 7 contará com três defesas de cinturão. Além de Andrew x Vagner, a brasileira Rebecca Lima enfrenta a francesa Aurélie Le Vern pelo peso-pena, enquanto o duelo brasileiro entre Carlos Henrique e Lucas Valente define o novo campeão peso-leve. Veja o card completo abaixo:
UFC BJJ 7
2 de abril de 2026, às 21h (de Brasília), em Las Vegas (EUA)
CARD DO EVENTO:
Peso-meio-médio (77,1kg): Andrew Tackett x Vagner Rocha (disputa de cinturão)
Peso-pena (65,7kg): Rebecca Lima x Aurélie Le Vern (disputa de cinturão)
Peso-leve (70,3kg): Carlos Henrique x Lucas Valente (disputa de cinturão)
Peso-pesado (120,2kg): Nicholas Meregali x Declan Moody
Peso-mosca (56,7kg): Adele Fornarino x Alex Enriquez
Peso-meio-médio (77,1kg): Renato Canuto x Yonathan Cardenas
Peso-pena (65,7kg): Raphael Ferreira x Kenzo Biyong
Peso-pena (65,7kg): Rana Willink x Carol Joia
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