RÁDIO BPA

TV BPA

EUA só conseguem confirmar destruição de um terço do arsenal de mísseis do Irã, diz agência

EUA só conseguem confirmar destruição de um terço do arsenal de mísseis do Irã, diz agência

 Mísseis iranianos fotografados em ‘Cidade dos Mísseis’ da Guarda Revolucionária do Irã
Guarda Revolucionária do Irã/Wana/Handout via Reuters
Cerca de um mês após o início da guerra, os Estados Unidos só conseguem determinar com certeza que destruíram cerca de um terço do vasto arsenal de mísseis do Irã, revelou nesta sexta-feira (27) a agência de notícias Reuters.
✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp
A situação de outro terço do estoque iraniano de mísseis ainda é incerta, porém os bombardeios dos EUA provavelmente danificaram, destruíram ou soterraram os armamentos em túneis subterrâneos e bunkers, ainda segundo a agência
A informação foi confirmada à Reuters por cinco autoridades norte-americanas familiarizadas com informações de inteligência militar dos EUA em meio à guerra que o país trava com o Irã há cerca de um mês.
Os EUA e Israel bombardeiam diariamente o Irã e um dos objetivos declarados dos países é desabilitar o programa de mísseis iraniano, que é um dos trunfos de Teerã. O Exército norte-americano afirmou ter feito mais de 10 mil bombardeios em território iraniano desde o início do conflito, já o Exército israelense não divulga um balanço geral, porém anuncia ataques aéreos diários a lançadores de mísseis e a locais de produção dos projéteis.
Veja os vídeos que estão em alta no g1
Mesmo assim, a avaliação dos EUA é que apesar de muitos dos mísseis iranianos estarem destruída ou inacessível, Teerã ainda possui um estoque significante e pode recuperar parte dos mísseis soterrados ou danificados quando os combates cessarem.
Uma das fontes da Reuters afirmou que a avaliação de inteligência norte-americana é semelhante em relação à capacidade de drones do Irã, indicando haver algum grau de certeza de que cerca de um terço foi destruído.
A avaliação do Exército norte-americano à qual a Reuters teve acesso contrasta com declarações públicas superlativas do governo Trump desde o início da guerra. Autoridades como o secretário de Guerra, Pete Hegseth, e o presidente Donald Trump têm dito que os EUA obliteraram as capacidades militares do Irã e que Teerã estaria acabando com sua capacidade de disparar mísseis.
Trump, inclusive, afirmou ainda na quinta-feira que o Irã tinha “muito poucos foguetes restantes”, apesar de ter reconhecido a ameaça representada pelos mísseis e drones remanescentes de Teerã para navios no Estreito de Ormuz.
“O problema com o estreito é o seguinte: digamos que façamos um ótimo trabalho. Digamos que eliminamos 99% (dos mísseis). 1% é inaceitável, porque 1% é um míssil atingindo o casco de um navio que custa um bilhão de dólares”, disse Trump em uma reunião de gabinete televisionada na quinta-feira.
O que são ‘cidades de mísseis’ do Irã, fortalezas subterrâneas no coração das montanhas e importantes ‘armas’ na guerra
Mísseis do Irã são alvo principal dos EUA
O governo Trump afirmou que pretende enfraquecer as Forças Armadas do Irã, afundando sua marinha, destruindo suas capacidades de mísseis e drones e garantindo que a república islâmica nunca obtenha uma arma nuclear.
O Comando Central dos EUA disse que sua operação, oficialmente chamada de “Epic Fury”, está dentro do cronograma ou até adiantada em relação aos planos estabelecidos antes do início dos ataques, em 28 de fevereiro.
Os ataques americanos atingiram mais de 10 mil alvos militares iranianos até quarta-feira e, segundo o Comando Central, afundaram 92% dos grandes navios da marinha iraniana. Os militares dos EUA divulgaram imagens mostrando ataques a fábricas que produzem armamentos iranianos e destacaram que não estão apenas mirando estoques de mísseis e drones, mas também a indústria que os produz.
Ainda assim, o Comando Central se recusou a informar exatamente quanto da capacidade de mísseis ou drones do Irã foi destruída.
Uma fonte disse que parte do problema é determinar quantos mísseis estavam armazenados em bunkers subterrâneos antes do início da guerra. Os EUA não divulgaram sua estimativa sobre o tamanho do estoque iraniano antes do conflito.
As estimativas variam de 2.500, segundo o Exército israelense, até cerca de 6.000, de acordo com alguns analistas.
Irã ainda dispara contra vizinhos
Apesar do ritmo intenso dos ataques americanos, o Irã demonstrou que não ficou sem armas.
Somente na quinta-feira, lançou 15 mísseis balísticos contra os Emirados Árabes Unidos, além de 11 drones, segundo o Ministério da Defesa do país.
Também demonstrou novas capacidades. Na semana passada, forças iranianas dispararam pela primeira vez mísseis de longo alcance, atingindo a base militar EUA-Reino Unido em Diego Garcia, no Oceano Índico.
Nicole Grajewski, especialista em forças de mísseis do Irã e na Guarda Revolucionária Islâmica da universidade Sciences Po, em Paris, afirmou que o governo Trump pode ter superestimado o impacto dos ataques sobre as capacidades iranianas.
Ela citou o fato de o Irã continuar realizando ataques a partir da instalação militar de Bid Kaneh, que foi intensamente bombardeada.
“O fato de eles conseguirem manter isso indica que os EUA podem ter exagerado o sucesso da operação”, disse Grajewski, acrescentando acreditar que o Irã ainda mantém cerca de 30% de sua capacidade de mísseis.
Ela afirmou que o Irã possui mais de uma dúzia de grandes instalações subterrâneas onde consegue manter lançadores e mísseis.
“A grande questão é: essas instalações colapsaram?”, acrescentou.
Túneis do Irã
Um alto funcionário americano expressou ceticismo sobre a capacidade dos EUA de avaliar com precisão o arsenal de mísseis do Irã, em parte porque não está claro quantos estão em instalações subterrâneas e acessíveis de alguma forma. “Não sei se algum dia teremos um número preciso”, disse.
O secretário de Defesa, Pete Hegseth, reconheceu o desafio representado pela rede de túneis do Irã em declarações em 19 de março:
“O Irã é um país vasto. E, assim como o Hamas e seus túneis (em Gaza), eles investiram recursos — ajuda, desenvolvimento econômico, ajuda humanitária — em túneis e foguetes.”
“Mas estamos caçando esses alvos de forma metódica, implacável e massiva, como nenhum outro exército no mundo consegue fazer, e os resultados falam por si”, afirmou, sem detalhar a porcentagem de mísseis ou drones destruídos.
Esta reportagem está em atualização.g1 > Mundo Read More