Maior bloqueadora, Júlia Kudiess vê o Minas mais forte nos playoffs: “Na dificuldade a equipe cresce”
Júlia Kudiess comenta campanha do Minas e projeta playoffs: “Não pode faltar vontade”
Aos 23 anos, Júlia Kudiess disputa a sexta temporada profissional pelo Minas – em que começou na base há 10 anos. O clube mineiro terminou a primeira fase da Superliga em segundo lugar e, assim, enfrenta o Maringá nos playoffs. Em ano de pré-olímpico e Liga das Nações (VNL), a central sabe da importância do desempenho pelo time para retornar à lista de convocadas do técnico José Roberto Guimarães. Em entrevista ao Hello LA, do sportv2, exibida nesta sexta-feira (27), ela abordou estes e outros temas em conversa com Marcelo Barreto e Fabi Alvim.
+ Confrontos dos playoffs da Superliga feminina são definidos com término da 1ª fase; confira
Com 97 pontos de bloqueio nesta edição do torneio nacional, Júlia divide a liderança neste fundamento com Luzia, do Paulistano Barueri, embora lidere na estatística de eficiência. Detentora de três títulos na Superliga, ela ressalta a grandiosidade da equipe, frequentemente presente em etapas finais das competições.
“Nestes momentos de dificuldade é onde nossa equipe cresce. É onde a gente ver onde tem que crescer e evoluir”.
Na primeira fase, o clube somou 54 pontos – um a menos do que o líder Sesc-Flamengo – ao acumular 18 vitórias e quatro derrotas. Para a central, mesmo com a queda de desempenho em alguns momentos, o coletivo será determinante na evolução para o mata-mata.
– Esta primeira fase da competição, nosso time passou por muitos altos e baixos. Eu acredito que em muitos momentos, a gente não conseguiu performar da forma que queria. Jogos que a gente tinha que ter performado de uma forma, a gente não conseguiu atingir, mas acho que nestes momentos de dificuldade é onde nossa equipe cresce. É onde a gente ver onde tem que crescer e evoluir. Sei que agora nesta próxima fase dos playoffs, a nossa equipe vem com uma performance diferente. Cada uma buscando o seu individual, mas o coletivo também. A gente sabe que é um tiro curto, mas tem que tentar crescer ainda mais. Acredito que o time que mais quiser este ouro, vai conseguir. O que não pode faltar é a vontade, que é isso que vai mover a gente até o final – disse a jogadora, que teve Leila Barros, do vôlei, e Emanuel Rego, do vôlei de praia, como padrinhos dentro do esporte.
Júlia Kudiess, maior bloqueadora da Superliga, em entrevista ao Hello La
Lafaete Vaz
O avanço às semifinais também passa pelo desempenho da jogadora, que em 2025 foi eleita pela Federação Internacional de Voleibol (FIVB) como a quinta melhor atleta. No ano passado, ela foi a maior bloqueadora da Liga das Nações (VNL) e do Mundial, torneios em que o Brasil conquistou a prata e o bronze, respectivamente. Na VNL, inclusive, Kudiess igualou o recorde da competição, que pertencia a outra brasileira, Carol. Júlia considera que a escolha da FIVB é um reconhecimento de que está no caminho certo.
Quando Fabi perguntou se pretende jogar em ligas como a italiana – onde a capitã da seleção brasileira Gabi Guimarães joga e é destaque – ela confirma, mas ressalta que a prioridade é defender a camisa verde e amarela. Por isso, uma ida ao exterior passaria por conciliar dois sonhos.
– É um sonho sim estar jogando em alto nível. Acredito que chega um momento que você sente que quer novos desafios. Sou movida a isto. Não gosto de ficar num ambiente muito cômodo e jogar lá sempre vai ser um sonho. Acho que é onde vou conseguir me tornar a atleta que quero ser. Claro que hoje estou muito bem, mas quero muito ter estes novos desafios. Também sei que vai depender muito das circunstâncias porque a minha posição, talvez não seja muito que eles busquem entre estrangeiras. O que sei é que só vou para fora se for para jogar. É um ponto que levo muito em consideração, pois sei que, num ciclo olímpico, se quero estar vestindo a camisa da seleção brasileira, tenho que estar jogando. Então é um ponto muito importante para mim. Tenho que casar o sonho de estar jogando fora, mas também de estar jogando.
Ainda sobre seleção, Júlia afirma: “Espero chegar na seleção com tudo”. Faltando pouco mais de dois anos para as Olimpíadas de Los Angeles, ela projeta um período intenso de muita preparação. Para a central, este ano, que tem pré-olímpico e VNL, é especial, já que 2025 foi marcado por seu retorno depois da lesão ligamentar do joelho e microfratura do platô tibial ter deixado a central fora das Olimpíadas de Paris. O incidente aconteceu no Maracanãzinho, durante partida da VNL.
Estar sonhando com Los Angeles, para mim, é muito especial, por ter ficado fora do último (ciclo olímpico).
Apesar do tratamento ter a tirado de quadra, Júlia foi para a capital da França. Por meio do “Vivência Olímpico” – projeto do Comitê Olímpico Brasil (COB) – ela acompanhou a seleção e experimentou um pouco do ambiente promovido pelos jogos.
– Eu era uma menina que sonhava em jogar titular uma competição de Superliga e muitas coisas aconteceram da li para frente e meu sonho acabou dois meses antes de acontecer. (…) Eu voltei para casa e falei: “Eu vou trabalhar todos os dias para poder viver isso daqui quatro anos”. Estou aqui trabalhando todos os dias. Tento dormir pensando que entreguei tudo o que eu podia naquele dia. Acho que é isto que está me ajudando a conquistar tudo o que estou conquistando.
Este recomeço, segundo Kudiess, foi marcado por entender que a lesão contribuiu para evoluir como atleta, sempre com um objetivo claro: estar em Los Angeles.
+ Saque “fura” rede e confirma set point na vitória do Suzano sobre o Goiás; veja o lance
+ Um ano após rebaixamento, Pinheiros vence Chapecó e retorna à elite do vôlei nacional
+ Zé Roberto confirma convite de time de Los Angeles: “Sempre é uma proposta importante”
+ Bernardinho celebra Pré-Olímpico no Rio de Janeiro: “Apoio da torcida é fundamental para essa geração”
– Estar sonhando com Los Angeles, para mim, é muito especial, por ter ficado fora do último (ciclo). (…) Claro, a lesão foi muito difícil, mas acredito que ali me tornei uma atleta diferente. Entendi que tinha que tentar melhorar os meus hábitos. Já era muito disciplinada, mas entender que ser atleta vai além das quadras, vai muito da parte psicológica, envolve muitas outras coisas. Então a lesão me fortaleceu muito nisso. Depois de você passar por uma lesão dessas, os outros problemas que enfrenta se torna menores. Ao mesmo tempo que fiquei fora de um ciclo, agradeço por ter acontecido isto de uma forma ok: “Você vai dá tudo de si para está na próxima”.
Júlia Kudiess fala sobre planos no vôlei após a temporada 2025/2026
Além de viver a fase final da Superliga, cuja decisão será no início de maio, Júlia, que admite ser ansiosa, está a poucas semanas de saber se será convocada para as duas competições mais importantes do calendário da modalidade no ano: VNL – em que a seleção jogará em Brasília, sua terra natal – e o pré-olímpico – com sede no Maracanãzinho, em setembro, que garantirá vaga antecipada para Los Angeles.
– O momento que eu mais cresço no ano é quando eu estou na seleção. É o momento que é o mais difícil, o mais puxado, mas é quando falo: “Nossa, estou atingindo o meu ápice”. (…) Este pré-olímpico a gente vem com tudo. Uma equipe forte, com certeza. O que todos nós queremos é esta vaga. Não vamos dar abertura para ficar sem ela.
Nós estamos engasgadas com este time porque é sempre a mesma história, mas a gente quer mudar isso, porque ninguém quer perder. É horrível perder. Aquele choro no final do jogo é de ódio.
Atualmente, a seleção feminina de vôlei é a segunda colocada no ranking da FIVB. Na liderança, a Itália, invicta há 36 partidas. O penúltimo triunfo das italianas, aliás, foi sobre o Brasil na semifinal do Mundial do ano passado, quando a central do Minas anotou 14 pontos, sendo nove de bloqueio. Entretanto, o time de José Roberto Guimarães é o responsável pelo último revés da equipe de Egonu, na VNL de 2024.
– Nós estamos engasgadas com este time porque é sempre a mesma história, mas a gente quer mudar isso, porque ninguém quer perder. É horrível perder. Aquele choro no final do jogo é de ódio, é de querer engolir, falar: “Meu Deus do céu, não aguento mais”. Mas acho que esta raiva é boa, pois faz a gente trabalhar o ano inteiro pensando: “O que eu preciso fazer a mais para conseguir bater essa seleção?”. Se torna uma motivação também.
Júlia Kudiess em partida contra a França no Mundial de 2025
Mustafa Hatipoglu/Anadolu via Getty Images
Mesmo que ressalte o alto nível da Superliga, o trabalho da comissão técnica, a evolução no decorrer dos anos e o potencial do grupo, Júlia aponta uma diferença que considera significativa entre as seleções.
– As meninas lá estão sempre jogando em alto nível e a seleção italiana está junta há muito tempo. Elas têm uma liga muito forte e a nossa está passando por uma transição. Nós somos meninas novas, com sonhos, muita vontade, mas que está buscando entrosamento e crescimento. Vejo que temos uma perspectiva de crescimento muito grande, e muita vontade.
Júlia Kudiess desabafa sobre hegemonia da Itália no vôlei: “Estamos engasgadas”
Despedida de Carol Gattaz
Assim que divulgou a aposentadoria, a também central Carol Gattaz recebeu diversas homenagens através das redes sociais, como a postagem de Júlia, que falou sobre o aprendizado obtido ao lado da jogadora de 44 anos. No programa, Kudiess chamou Gattaz de inspiração, sobretudo no que diz respeito ao ataque china, bloqueio e liderança dentro de quadra.
+ Carol Gattaz fala sobre saúde mental e revela ter vivido burnout na carreira: “Tive altos e baixos”
+ Carol Gattaz quer descanso após aposentadoria, planeja volta ao esporte, mas descarta ser técnica
+ Da prata olímpica às Superligas: relembre as conquistas de Carol Gattaz
+ Carol Gattaz e Macris lembram parceria que consagrou jogada imparável: “Marca registrada”
Júlia Kudiess cita inspiração em Carol Gattaz: “A jogada china dela me deixava alucinada”
– A Carol foi como uma mãe, principalmente por fazer a mesma rede que eu. Cheguei no Minas novinha. Era reserva delas (Carol e Thaisa), mas dali já almejava um dia jogar e ser como elas. A Carol sempre teve a china, que foi algo que sempre fui alucinada. Eu falava: “Quero jogar como ela”. Em todos os treinos, quando eu estava no lado de fora, tentava observar o que ela fazia que era tão diferente. Os anos que passei com ela foram primordiais para conseguir fazer, talvez, uma china que chega um pouquinho perto da que ela fez. geRead More


