Trump não aparece em reunião anual dos conservadores e expõe divisões às vésperas de eleições nos EUA
Steve Bannon discursa durante a CPAC em Dallas, na sexta-feira, 27 de março de 2026.
AP/Gabriela Passos
Neste sábado (28), a CPAC, grande conferência anual do movimento conservador, chega ao fim no Texas. Trata-se de uma espécie de grande encontro político que, tradicionalmente, serve para consolidar a linha ideológica do Partido Republicano e do movimento “MAGA” (“Make America Great Again”). Mas, neste ano, surgiram divisões durante o evento, ao qual o presidente Donald Trump não compareceu — algo inédito em dez anos.
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Nenhum alto responsável da administração dos Estados Unidos esteve presente no Texas. Nem o presidente, nem o vice-presidente, sinal claro de que o clima mudou desde a última edição da CPAC. Ao contrário dos anos anteriores, o discurso de Donald Trump não encerrará a conferência.
O encontro, no entanto, deveria funcionar como um grito de mobilização e uma espécie de roteiro político para o Partido Republicano, às vésperas de eleições consideradas decisivas em novembro, que vão definir o controle do Congresso e, por consequência, a continuidade da presidência. Historicamente, a CPAC funciona como espaço de reafirmação do apoio de lideranças conservadoras a Trump, reunindo parlamentares republicanos, influenciadores de direita e dirigentes internacionais.
Divisões no interior do campo “MAGA” Após a reeleição do presidente, o movimento conservador havia demonstrado forte coesão e entusiasmo. Em edições anteriores, figuras como o bilionário Elon Musk chegaram a subir ao palco em momentos simbólicos de apoio político. Contudo, desta vez, o tom foi diferente: menos exaltação e mais evidência de fissuras internas.
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A guerra contra o Irã aprofundou essas divisões. Setores importantes do movimento MAGA, incluindo nomes como Steve Bannon, têm manifestado oposição a uma eventual escalada militar com envio de tropas terrestres. De forma mais ampla, segmentos mais jovens do conservadorismo também demonstram crescente resistência a novos conflitos externos, refletindo uma mudança geracional na base eleitoral.
Apesar das divergências, críticas abertas ao presidente foram praticamente inexistentes. Com as eleições de meio de mandato se aproximando, prevalece um discurso de unidade. Ao longo da conferência, multiplicaram-se apelos à coesão do campo conservador, expressão de uma preocupação crescente com o risco de perda de maioria no Congresso.
“Cuba é o próximo”
Em paralelo, o governo cubano vem sendo alvo de crescente pressão da administração Trump, que teria imposto em janeiro de 2026 um bloqueio petrolífero de facto e levantado até a possibilidade de “tomar” a ilha, segundo declarações do presidente em um fórum de investimentos em Miami. No mesmo evento, Trump afirmou que o movimento “Make America Great Again” valoriza a “força” e a “vitória”, citando operações militares recentes, incluindo a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro.
“Construí este grande exército. Disse que vocês nunca precisariam usá-lo, mas às vezes não há escolha”, declarou Trump. “E Cuba é o próximo, aliás. Mas finjam que eu não disse isso.” O presidente não detalhou qualquer plano concreto em relação a Cuba, chegando a pedir aos meios de comunicação que ignorassem suas declarações, antes de repetir a frase “Cuba é o próximo”, o que provocou reações de riso entre parte do público.
No mesmo discurso, o presidente republicano também fez uma referência simbólica ao Estreito de Ormuz, ao apelidá-lo de “estreito de Trump”, gesto interpretado por analistas como parte de uma estratégia de personalização da política externa e de comunicação voltada à sua base.
Segundo leituras recorrentes em parte da imprensa internacional de referência, o cenário atual na CPAC não apenas evidencia uma menor centralidade do próprio evento no ecossistema conservador, como também expõe tensões estruturais dentro do trumpismo: entre isolacionistas e intervencionistas, entre prioridades domésticas e compromissos externos, e entre uma liderança presidencial ainda dominante e uma base cada vez mais fragmentada em torno de agendas concorrentes.g1 > Mundo Read More


