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Quem é Andrea Kimi Antonelli, líder mais jovem da história da F1

Quem é Andrea Kimi Antonelli, líder mais jovem da história da F1

Kimi Antonelli vence o GP do Japão | Melhores momentos | Fórmula 1 2026
“Ou vai bem na escola, ou não vai andar de kart”. A frase que ditou o ritmo na família Antonelli por anos sugere o quão jovem é o italiano Andrea Kimi Antonelli, que estreou na Fórmula 1 substituindo Lewis Hamilton na Mercedes, em 2025, em promoção que deu o que falar. Mas o potencial do piloto de 19 anos motivou a decisão da equipe, e o garoto retribuiu a fé nele pouco mais de um ano depois: venceu o GP do Japão e assumiu a liderança da categoria pela primeira vez.
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Kimi Antonelli vence no Japão e assume a liderança da F1 2026
Clive Rose – Formula 1/Formula 1 via Getty Images
Antonelli se tornou o piloto mais novo da história a assumir a liderança da Fórmula 1, com 19 anos, sete meses e quatro dias. O italiano superou o recorde que era justamente daquele que substituiu: Lewis Hamilton, ponteiro aos 22 anos durante a temporada de 2007. Marca que prova o tamanho do talento do jovem piloto, que sequer tinha carteira de motorista até o ano passado.
Natural da cidade da Bolonha, o adolescente já foi chamado de “novo Max Verstappen” porque, assim como o tetracampeão da Red Bull fez em 2015, chegou à elite do automobilismo europeu depois de queimar algumas etapas – Max não chegou a correr na Fórmula 2, e Kimi pulou a Fórmula 3.
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Em 2025, Antonelli se tornou o primeiro piloto novato a correr pela Mercedes nos últimos 70 anos, desde o estreante Karl Kling na temporada 1954. Todos os últimos titulares da marca, incluindo George Russell (seu colega em 2026), Nico Rosberg, Valtteri Bottas, Michael Schumacher e o próprio Hamilton já haviam passado por outras equipes antes.
Na temporada de estreia, não fez feio: com três pódios, foi o sétimo colocado na classificação geral, com 150 pontos.
Fã de Senna e aluno exemplar
– Infelizmente, eu não cheguei a vê-lo ao vivo. Mas fiquei fascinado por (Ayrton) Senna quando, ainda criança, assisti a uma reportagem sobre ele na televisão. Desde então, ele tem sido uma fonte de inspiração e eu assisto a muitos vídeos e imagens onboard – revelou o italiano, que corre na F1 com o mesmo número utilizado por Senna em algumas temporadas: o 12.
Antonelli teve a oportunidade de disputar uma corrida de Fórmula 1 no Brasil pela primeira vez no ano passado, e o respeito do italiano pelo ídolo chamou atenção. Dias antes da prova em Interlagos, Kimi visitou o túmulo do tricampeão, localizado no Cemitério do Morumbi. O piloto permaneceu no local por um tempo e chegou a ler um livro sobre Senna em meio ao ambiente.
— Foi uma experiência muito legal. O Ayrton é o meu herói no automobilismo e, como eu estava com bastante tempo livre, pensei: “por que não?”. Era bem perto do meu hotel, então decidi ir. Fui com meu treinador e ficamos lendo um livro, apenas curtindo aquele ambiente calmo. Foi realmente muito bom. Eu queria muito ir lá e prestar minha homenagem a ele — disse Antonelli.
Kimi Antonelli visita o túmulo de Ayrton Senna antes do GP do Brasil
Reprodução Instagram/ @kimi.antonelli
Aquele fim de semana no Brasil foi um marco na carreira de Antonelli, que até então vivia turbulências no ano de estreia: com um bom desempenho durante todo o fim de semana, o jovem foi ao pódio com o segundo lugar, melhor posição dele na F1 até então. Depois da prova, o piloto doou o capacete para o acervo da família Senna.
Os estudos também são um ponto chave na ascensão de Antonelli. Considerado um aluno exemplar, o piloto da Mercedes se formou no ensino médio no Instituto Técnico Salvemini di Casalecchio di Reno, com ênfase em Relações Internacionais e Marketing. Lá, ele integrava um programa especial para estudantes que competem em esportes de alto rendimento e, assim, pôde estudar, mesmo com as frequentes ausências para disputar corridas.
Kimi Antonelli viaja com livros na mão para a Itália, após a etapa de Jeddah da F2 em 2024, para fazer testes na escola
Reprodução/Redes sociais
– Ele tem uma média excelente, todos os últimos anos foram com notas acima de 8. Ele é muito humilde, esse é o seu ponto forte – revelou à época o diretor da escola, Carlo Braga.
Habilitação recente
Por ainda ser muito jovem, Kimi Antonelli sequer tinha carteira de motorista quando foi anunciado pela Mercedes como novo piloto. O novo talento da Fórmula 1 completou 18 anos em agosto de 2024, e só então pôde pensar em obter a habilitação para dirigir nas ruas – apesar de já ter pilotado carros de corrida a mais de 250 km/h.
Antonelli só conseguiu concluir o processo de habilitação em janeiro de 2025, quando passou na prova prática e, enfim, ganhou autorização para dirigir – a menos de dois meses de estrear na F1. Detalhe: ele já tinha a superlicença exigida pela Federação Internacional de Automobilismo (FIA) para disputar na elite do automobilismo mundial.
– Missão concluída – comemorou o sorridente piloto.
Kimi Antonelli tira carteira de motorista antes de estreia na F1
Reprodução/Redes sociais
Primeiros passos no esporte
Antonelli é filho de piloto, Marco Antonelli, que disputou provas da GT3 e da Fórmula 4 e também é dono de uma equipe, a AKM Motorsport. Marco ainda foi piloto de testes da Alfa Romeo na DTM, campeonato alemão de turismo.
Ele, porém, quase esteve em outro esporte: o futebol. O pai do jovem piloto garante que ele também tinha talento com a bola nos pés, mas o amor pelo automobilismo venceu:
— Eu sempre joguei futebol e tentamos levá-lo nessa direção; e ele também era bom. Mas, para meu filho, o apelo dos motores era muito forte. Ele chegou a ter cerca de 150 carros de brinquedo, os colocava no chão e organizava corridas, até fazia o papel de comentarista. Mas nós o “infectamos”, já que ele ia para a pista com a gente desde que estava no berço.
Andrea Kimi Antonelli em 2008
Reprodução/Redes sociais
Kimi deu as primeiras voltas no kart com sete anos e, em 2015, aos oito, passou a competir. Em sua primeira prova, ganhou ao largar da pole position com 7s sobre o segundo colocado. Na modalidade, o italiano também venceu a Grande Final de Easykart International; venceu duas vezes a Euro Series da WSK, a Super Master Series, e foi bicampeão continental de kart em 2020 e 2021.
O piloto ainda acumulou um terceiro lugar na WSK Super Master Series e o vice-campeonato da WSK Final Cup, em 2017. Sua campanha no Mundial, porém, foi afetada por um acidente no qual ele fraturou o pé e uma perna.
Kimi Antonelli no kart, em 2021
Reprodução/Redes sociais
Chegada à Mercedes e início em monopostos
Antonelli esteve na mira da Mercedes desde a infância: no GP da Itália de Fórmula 1 em 2017, o chefe Toto Wolff soube do piloto por meio de Giancarlo Minardi, fundador da equipe de mesmo nome na F1, e o filho dele, Giovanni Minardi.
Na semana do GP de Mônaco de 2018, Kimi assinou com a Academia da equipe alemã, que seguiu observando-o desde então. Mas o time chefiado por Wolff não foi o único de olho no piloto. A Ferrari , na época comandada por Maurizio Arrivabene, tentou fechar com ele, mas o negócio não avançou por imbróglios contratuais e a pouca idade de Antonelli – na época, com 12 anos.
Kimi Antonelli e o ex-piloto da Mercedes Nico Rosberg no GP da Itália de F1 em 2018
Reprodução/Redes sociais
Antonelli estreou em monopostos em 2021, guiando o carro da Prema na Fórmula 4 italiana e fechando o campeonato em décimo lugar com 54 pontos. No ano seguinte, seu primeiro completo, ele foi campeão com 13 vitórias. Ainda em 2022, o italiano disputou a F4 dos Emirados Árabes, vencendo duas das quatro corridas que disputou, e a F4 alemã, cujo título também faturou.
Em 2023, Kimi migrou para a Formula Regional Europeia (FRECA), sendo campeão em sua temporada inaugural. Simultaneamente, ele conquistou o campeonato da Fórmula Regional do Oriente Médio. Os resultados motivaram a Mercedes a antecipar sua formação visando a F1 e, em 2024, Antonelli foi direto para a Fórmula 2 – ele acabou o ano na sexta posição, em campeonato vencido por Gabriel Bortoleto.
Kimi Antonelli comemora título da Fórmula 4 ADAC em 2022
Reprodução/Redes sociais
Com o desempenho impactante na base, Toto Wolff, chefe da Mercedes, revelou já ter pensado em contratar Antonelli no momento em que Lewis Hamilton lhe comunicou sobre a decisão de ir para a Ferrari, em janeiro de 2024. Começou, aí, o processo de preparação do adolescente que, na época, ainda tinha 17 anos. Em agosto, Kimi foi oficializado como novo piloto da escuderia.
Dois anos depois, quando Antonelli ganhou na China e triunfou pela primeira vez na Fórmula 1, o feliz Toto Wolff viria a comentar o processo de contratação da promessa, durante conversa com o pai do jovem:
– Há dois anos, eu disse que o Kimi estava pronto para o assento e você disse “eu acho que sim”, então eu disse: “Vamos fazer isso” – disse Toto Wolff.
Primeiros passos na Fórmula 1
Em meio a uma legião de calouros que iniciaram o GP da Austrália de 2025 – seis, para ser mais exato -, Antonelli foi quem mais se destacou e deu uma prévia do que viria a seguir. Depois de ir mal durante a classificação e só largar em 16º, o menino de Bolonha fez uma ótima corrida de recuperação na chuva e concluiu a prova na quarta colocação, conquistando os primeiros pontos na Fórmula 1.
O bom resultado em Melbourne deu a Kimi uma marca interessante: ele se tornou o segundo mais jovem da história a pontuar na F1, atrás apenas de Max Verstappen. No mês seguinte, o circuito de Suzuka testemunhou outro recorde do piloto da Mercedes, que passou a ser o mais jovem de sempre a liderar uma corrida.
Debaixo de chuva, Andrea Kimi Antonelli teve um grande desempenho na estreia na Fórmula 1, no GP da Austrália
James Sutton/Formula 1 via Getty Images
No Canadá, o até então calouro conquistou o primeiro pódio da carreira ao terminar em terceiro lugar. Com isso, também se tornou o terceiro mais novo da história da F1 a obter tal feito. Porém, engana-se quem pensa que o ano de estreia de Antonelli na categoria mais renomada do automobilismo foi todo positivo.
As exibições de Kimi no meio da temporada tiveram um forte viés de queda, e o pódio no Canadá foi a única prova do piloto na zona de pontuação em um recorte de sete corridas, da Emilia-Romagna à Spa, na Bélgica. A má fase era tamanha que Antonelli chegou a chorar depois da prova belga, com dúvidas sobre seu talento.
– Eu choro. Naquele período difícil, chorei bastante. Sofri muito, principalmente mentalmente, porque comecei a duvidar de mim mesmo. Você chega à F1, é o sonho da sua vida, aquilo pelo qual trabalhou tanto, e depois de um grande início de temporada começa a não render mais como gostaria. Foi duro – admitiu.
Andrea Kimi Antonelli sai do carro após bater em Max Verstappen na primeira volta do GP da Áustria
Andy Hone/LAT Images
Porém, Antonelli conseguiu dar a volta por cima na reta final do campeonato e passou a incomodar de forma mais consistente o britânico George Russell, companheiro de Mercedes. Kimi pontuou nas oito últimas corridas de 2025, com destaque para a exibição em Interlagos, com 25 pontos (15 na corrida principal e dez na sprint).
Neste início de 2026, Antonelli ganhou a oportunidade de brilhar ainda mais graças ao potente carro da Mercedes, o mais rápido em um início de ano com novos regulamentos técnicos e de motores. Depois de acabar a corrida de estreia em segundo, o garoto se tornou o mais jovem pole position da história da F1, na China.
Kimi Antonelli se emociona após vencer pela primeira vez na F1
Go Nakamura/Reuters
No dia seguinte, chorou – mas de alegria – ao ganhar pela primeira vez na categoria e, de quebra, findar um jejum italiano que durava 20 anos na Fórmula 1. O segundo triunfo foi justamente o de Suzuka, que o colocou na inédita liderança do campeonato. Ainda é cedo para dizer se Antonelli vai mesmo brigar pelo título. Talento, no entanto, ele já mostrou que tem. geRead More