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Medina comenta escolha de Mineirinho como técnico: “Quando a gente conversou deu liga”

Medina comenta escolha de Mineirinho como técnico: “Quando a gente conversou deu liga”

Medina comenta parceria com Mineirinho para o CT
Na Austrália para o início do Circuito Mundial após ficar um ano afastado devido à uma lesão no ombro, Gabriel Medina terá ao seu lado em todas as 12 etapas da competição outro brasileiro campeão mundial: Adriano de Souza, o Mineirinho, anunciado como técnico na última quarta-feira (25).
O tricampeão mundial treina em Bells Beach acompanhado do novo parceiro mirando a primeira janela, que acontece entre 1 e 11 de abril na costa australiana. Em entrevista exclusiva ao ge.globo, Medina contou que o convite partiu do desejo de ter ao seu lado um profissional com quem pudesse estabelecer uma comunicação mais facilitada.
– Queria trabalhar com alguém que falasse a minha língua. Depois do meu padrasto Charles, eu trabalhei com o Andy King, que é um australiano, e foi muito bom. A gente ganhou título mundial. O King é um excelente profissional e, como pessoa, foi incrível viajar com ele, mas queria trabalhar com alguém que falasse a minha língua, me entendesse um pouco mais. Ás vezes fala em inglês e não fala do jeito que eu gostaria.
Gabriel Medina e o novo técnio Adriano de Souza
Reprodução
Com a escolha de Mineirinho, os dois ainda estão no início da convivência e da relação técnico-atleta. Neste momento, as condições do mar e tipos de equipamento são os principais temas das conversas, mas Gabriel garante que “tem sido maneiro”. Ele considera que o compatriota, que estará presente em todas as etapas, tem uma característica que o motiva e ajuda demais: “É um cara que ama o surfe, tem aquela fome de quando ainda estava competindo”.
– O Adriano é um cara que foi um exemplo para mim, crescendo dentro do surfe. Ele era o único brasileiro que eu realmente acreditava num título mundial um dia, quando eu era criança. Ele bateu de frente com esses caras. Tentou muitos anos e conseguiu o título mundial dele. É um cara que respeito muito. Quando a gente conversou, deu liga. Ele está disposto a me ajudar. Sei o quão inteligente ele é e sabe de competição. É um cara que admiro e acredito. É uma parceria fácil, na verdade. Agora é colocar em prática. Cada vez mais conhecer. A gente nunca teve esta relação de técnico, de conversa mais técnica de surfe e de baterias e a gente está começando agora.
A volta de Medina ao CT acontece depois de ter ficado afastado em 2025. Logo no início do ano, o surfista lesionou o tendão do músculo peitoral maior do ombro esquerdo ao executar uma manobra aérea durante um treinamento na Praia de Maresias, em São Sebastião, litoral norte de São Paulo. A cirurgia e a recuperação impossibilitaram a presença na disputa. Mais de um ano depois do ocorrido, ele afirma estar mais consciente e forte, com foco em recuperar o ritmo de competição. Apesar de ter sido difícil ficar parado, garante que a aceitação e a busca para sair o mais rápido possível daquele contexto foram os mais importantes durante o processo.
– Estou 100% recuperado. Foi um ano bom para me recuperar, para estar mais em casa. Tudo acontece por um motivo. Aconteceu o que tinha que acontecer e agora é hora de voltar ao trabalho. Estou feliz de estar aqui em Bells, revi todo mundo do circuito praticamente. Sempre muito bem recebido. Estou animado para o início da competição. Espero que dê altas ondas. Bells é uma onda que eu aprendi a gostar. É uma onda bem difícil de surfar, mas estou animado. Estou com as pranchas boas – disse, citando que aproveitou o tempo junto com amigos e família, sem deixar de treinar na academia que tem em casa, assim que foi permitido.
Gabriel Medina na disputa do bronze Paris 2024
Ben Thouard / POOL / AFP
O retorno acontecerá com algumas mudanças no regulamento do CT e na corrida olímpica. No que diz respeito a alteração nas vagas para as Olimpíadas de Los Angeles definidas pela ISA (International Surfing Association), ele considera que “a quantidade é um detalhe” e lembra que foi bem sucedido tanto pelo CT, quanto pelo Isa Games. Apesar disso, defende o “bom senso entre os dois”.
Quanto ao Circuito Mundial, as alterações anunciadas pela WSL envolvem pontos, como o fim da repescagem e a etapa final de volta à Pipeline, no Havaí, com pontuação diferenciada. A principal alteração, por sua vez, é a volta aos pontos corridos, que havia sido substituído pelos Finals desde 2020.
– Eu acho que é mais justo. O melhor vai vencer. Quem for mais constante vai vencer. Este cenário me deixa motivada. Já estive nesta posição antes. Eu gosto. Campeonato não é só uma corrida, é uma maratona e eu estou bem fisicamente. Estou preparado.
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Constância, aliás, é a característica que o surfista nascido em São Sebastião (SP) considera crucial para a conquista do título, haja vista as diversas etapas e os diferentes tipos de onda. Sobre os adversários, além de mencionar os oito brasileiros – que junto com ele, fazem do Brasil o país com maior número de representantes, os australianos Ethan Ewing e Jack Robinson e o americano Griffin Colapinto são citados como exemplos de evolução, deixando a disputa com o nível cada vez mais alto.
– São nove surfistas que realmente têm chances de ganhar etapas e título. O surfe brasileiro está muito bem representado. Fico feliz com este movimento e de estar participando disso tudo ainda. Espero que a gente dê muito alegria para o nosso país, ainda mais com nove atletas no circuito. O ano está começando, tem etapas boas e que esse legado continue. Nesses últimos anos, o Brasil praticamente dominou o Circuito Mundial.
Um surfista que certamente estaria na lista de principais confrontos, porém optou pelo segundo ano consecutivo de afastamento para cuidar de questões pessoais, é o havaiano John John Florence. Ele também tem o posto de maior rival dos brasileiros na última década, sobretudo de Medina.
– Sempre gostei de competir com os melhores e o John John está nesta lista. A gente tem uma amizade boa, saudável, a gente conversa, mas quando está na bateria, óbvio, cada um quer ganhar. Vou sentir falta. É diferente. Caras assim ajudam a puxar o nível. (…) Isso é legal. Querendo ou não. Puxa o meu melhor e puxa o melhor dele. A gente está sempre se esforçando. A evolução é constante.
Medina fala sobre rivalidade com John John Florence geRead More