Workaholic e discreto: Zubeldía foge dos holofotes e conquista admiração no Fluminense
A animação de Luis Zubeldía ao entrar na sala de coletiva após o último jogo, no dia 21 de março, mostra um pouco do seu lado pessoal. O treinador estava feliz e com pressa para viajar no mesmo dia com o objetivo de rever a mãe, algo que não fazia há quase um ano.
O argentino chegou ao Rio de Janeiro para comandar o Fluminense em setembro do ano passado e, desde então, se debruça no dia a dia do clube. Mais do que isso, vive intensamente o time a ponto de ser considerado um viciado em trabalho pelas pessoas que o cercam.
Ou seja, tratar da vida do treinador de 45 anos no Brasil se entrelaça com o motivo de ele estar aqui. Afinal, ele costuma ser um dos primeiros a chegar ao CT Carlos Castilho e também é um dos últimos a sair.
O que sobra são as poucas folgas do dia a dia, que ele aproveita no aconchego de casa e, muitas vezes, diante da sua estante de livros — acredite se quiser, com títulos voltados para a temática tricolor.
Workaholic? Muito provavelmente sim. Mas a vida mudou um pouco com a chegada da esposa e da filha ao Rio de Janeiro, em janeiro, justamente no momento em que viveu um grande susto: passou por exames e precisou colocar quatro stents no coração.
Zubeldía com esposa e filha após conquista da Taça Guanabara
MARCELO GONÇALVES / FLUMINENSE F.C.
A causa? O próprio treinador afirmou que teria sido o colesterol alto, fatores hereditários e a forma como encara o futebol. O procedimento, aos 45 anos, o fez mudar hábitos alimentares e cuidados com a saúde.
A intensidade, porém, segue no dia a dia do trabalho. Na virada do ano, ele só viajou para a Argentina, onde vivia sua família antes de vir em definitivo para o Brasil, para passar o Natal. O treinador voltou antes do previsto, passou a virada no Rio e já estava trabalhando no dia 2 de janeiro, quando parte do grupo se apresentou.
— O Zubeldía é um profissional excelente, que chega 5h/6h da manhã no clube. Se dedica muito, vive o futebol. Sou prova disso, posso falar. Todo mundo no São Paulo falava isso e é aqui também. Motorista até falou isso, que ele chega muito cedo — revelou o volante Alisson em sua apresentação no Fluminense.
Zubeldía interrompe entrevista de Serna e brinca: “Às vezes erra, às vezes acerta”
Zubeldía é reservado e pouco dá entrevistas, algo que fica praticamente restrito às coletivas após os jogos. Na verdade, ele não gosta de “colher os louros” antes da hora e acredita que ainda há muito a ser feito pelo Fluminense. Além disso, é pouco visto pelas ruas. Dos registros na internet, apenas um torcedor fez uma foto dele passeando no shopping.
O perfil mais reservado e focado no trabalho já era perceptível nos tempos de São Paulo. Na época, ele chegou a ser flagrado explorando a cidade com a família, andando de metrô, levando a filha ao fliperama e até aproveitando um parque.
Luis Zubeldía, do São Paulo, em shopping na capital paulista
Bruno Giufrida
No Rio de Janeiro, essa característica ficou ainda mais evidente — apesar de na beira do gramado normalmente extrapolar os sentimentos. A rotina intensa no Fluminense e a pressão do calendário fizeram com que a vida fora do futebol ficasse ainda mais restrita.
As aparições públicas pelo Rio são quase inexistentes. Talvez um reflexo da nova vida depois do problema cardíaco que teve. O que também pode ajudar a explicar a preferênica pelo aconchego do lar. Ele mora no terceiro andar de um apartamento perto do posto 5 da Barra da Tijuca, distante cerca de 20 minutos do centro de treinamentos, e praticamente com o “pé na areia”.
E uma das poucas visitas no período, além dos companheiros de comissão técnica, foi a de um amigo jornalista argentino: Martin Macchiavello, do Olé, que trouxe detalhes da casa do treinador no Brasil.
Na estante, há livros da história do Fluminense, do Brasil de 1982, biografias de Telê Santana e Carlos Alberto Parreira, e uma mescla de “bagunça” dos temas de casa da filha Lara, de sete anos.
Zubeldía conversa com Maxi Cuberas durante treinamento do Fluminense
Marcelo Gonçalves / Fluminense FC
Martin chegou a registrar a decoração minimalista, como quem está de passagem, o que Zubeldía explicou:
— Eu estava justamente conversando sobre isso com o diretor esportivo, que veio tomar um café. Eu disse a ele: ‘Mário (Bittencourt), se há uma coisa que aprendi é que preciso sentir que vou ficar aqui por muito tempo, que vou decorar este apartamento do jeito que eu quiser. E, se eu tiver que gastar um centavo, eu gasto, porque esta é a minha vida, não o que está por vir.’ Mário estava me olhando… Porque, se eu pensar que os treinadores aqui duram, em média, três meses e meio, eu não vou a lugar nenhum — disse o treinador ao jornal, no início de março.
O perfil discreto do treinador também se estende às redes sociais. Ele vai na contramão do que se vê atualmente, quando treinadores usam as redes sociais para promover o trabalho e se comunicar com a torcida.
Mas, Zubeldía faz questão de espiar o que é dito de vez em quando, ainda que com perfil falso.
— Não tenho interesse em mostrar nada. Uso as redes sociais para espionar, claro. Mas nada pessoal. Nem me lembro do meu nome de usuário. Não tenho Twitter, só Instagram. Consumo tudo relacionado ao meu trabalho e para ver como meus amigos estão. Só isso — disse.
Zubeldía é expulso no clássico e invade o campo
Na contramão dos holofotes que hoje cercam o futebol, o treinador do Fluminense aposta da discri ão, rotina pesada de trabalho e em uma vida cada vez mais reclusa fora de campo. Os próximos dois meses devem levar isso ao limite: serão 18 jogos em pouco mais de oito semanas.
Ainda assim, é justamente desse jeito — longe das câmeras, mas próximo do que acontece dentro de campo — que ele tem alcançado os objetivos que traça. O time briga pelo topo do Brasileirão e vai começar a disputa na fase de grupos da Libertadores e mata-mata da Copa do Brasil.
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