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Parece mentira, mas aconteceu: 7 histórias inacreditáveis da F1

Parece mentira, mas aconteceu: 7 histórias inacreditáveis da F1

Parece mentira, mas aconteceu: Rodrigo França conta sete histórias inacreditáveis da F1
A vitória de Kimi Antonelli no GP do Japão criou um fato inédito nos 76 anos da categoria: um adolescente de 19 anos passa a ser o mais jovem piloto a liderar o Mundial.
Décadas atrás, talvez pouca gente acreditasse que isso poderia acontecer em 2026, mas a F1 também já protagonizou algumas histórias curiosas, que para o público de hoje pareciam “inventadas” (ou “fake news”, para usar o termo mais recente), mas que de fato aconteceram em um GP de F1.
Scheckter venceu uma corrida com a Tyrrell de seis rodas
Getty Images
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Neste Dia da Mentira, o ge.globo relembra algumas corridas em que os fatos reais parecem ter saído da ficção:
1. Torcida local vibrando com o abandono de um piloto de casa
Patrick Tambay venceu pela segunda vez na carreira em Imola, em 1983
Getty Images
As imagens da torcida brasileira vibrando com vitórias de Emerson Fittipaldi, José Carlos Pace, Nelson Piquet, Ayrton Senna e Felipe Massa estão entre as mais memoráveis do esporte nos GPs de F1 no Brasil. Mas será que a torcida iria vibrar com o abandono de um piloto de seu próprio país nas voltas finais?
Sim, isso aconteceu em 1983 e o local da corrida já entrega o porquê desta história não ser mentira. Autódromo Enzo e Dino Ferrari, em Ímola, na Itália. Riccardo Patrese liderava com sua Brabham até escapar da pista e ser obrigado a abandonar a corrida. E o que o italiano depois ouviu foi a torcida ir a loucura, comemorando a saída dele, já que a Ferrari assumiria a liderança da corrida, com vitória de Patrick Tambay.
Será que, mais de 40 anos depois, os italianos fariam o mesmo contra Kimi Antonelli a favor de Lewis Hamilton ou Charles Leclerc? É um cenário que pode acontecer no GP de Monza deste ano, em setembro.
2. Carro com seis rodas
Ken Tyrrell olha para o modelo P34 antes da primeira corrida
Reprodução
Um F1 com seis rodas? Os fãs mais antigos da categoria podem até já ter visto de perto o carro em ação, já que o Tyrrell P34 correu nas temporadas de 1976 a 1977. Mas quem vê hoje a imagem pode até achar que ela é gerada por inteligência artificial, de tão curiosa e inusitada para os dias atuais.
Projetado por Derek Gardner, o carro não era só inovador no conceito, como também venceu corridas, com direito a dobradinha da Tyrrell no GP da Suécia de 1976 com Jody Schekter em primeiro e Patrick Depailler em segundo. O time terminou o ano em terceiro no campeonato de construtores, um ponto apenas atrás da vice, McLaren – o título foi da Ferrari.
Apesar do bom ano de estreia, após a segunda temporada, em 1977, a Tyrrell desistiria da ideia. As quatro rodas na dianteira do carro usavam pneus menores, o que ajudava na aerodinâmica e aumentariam a velocidade nas retas.
Mas o acerto de suspensão, a complexidade do sistema (as quatro rodas eram esterçantes, ou seja, viravam no comando do volante) e inviabilidade da produção dos pneus menores ajudaram a por fim ao exótico projeto. A partir de 1982, a FIA proibiu em regulamento este tipo de inovação e assim nunca mais um carro de seis rodas foi usado novamente na F1.
3. Greve de pilotos
Pilotos dormem juntos durante greve no GP da África do Sul de 1982
Riccardo Patrese/Divulgação
Já imaginou os pilotos da F1 se unindo para fazer uma greve, impedindo a realização do primeiro GP da temporada? Pois isso aconteceu em Kyalami, na África do Sul, em 1982, após uma mudança nas regras de superlicença causarem revolta em vários deles, liderados por Niki Lauda.
Entre as cláusulas polêmicas, estava a que impedia os pilotos de trocarem de equipe por três anos. Para pressionar a FISA pelas mudanças, os pilotos foram juntos até o Hotel Sunnyside Park e ficaram o dia todo juntos para garantir que ninguém furasse a greve.
Há relatos de Elio de Angelis tocando piano no hotel, Nelson Piquet dormindo em colchonetes no chão, tudo para mostrar a força dos pilotos. No fim, Jean-Marie Balestre (aquele mesmo das polêmicas com Ayrton Senna anos depois) cedeu e o GP foi disputado normalmente em Kyalami e vencido por Alain Prost.
4. Um empate triplo na pole para o GP decisivo do Mundial
Largada do GP da Europa de 1997, em Jerez de la Frontera
Getty Images
A decisão do Mundial de 1997, em Jerez, parece ter sido escrita por um roteirista de cinema. A começar pelos dois protagonistas na luta pelo título. De um lado, o já bicampeão mundial Michael Schumacher, da Alemanha, que buscava ser campeão com a Ferrari em seu segundo ano pela tradicional equipe italiana.
Do outro lado, um jovem piloto da Williams, Jacques Villeneuve, filho da lenda ferrarista Gilles Villeneuve, que em seu segundo ano na F1 lutava pelo título que seu pai não conquistou, após ter a carreira abreviada em um trágico acidente no GP da Bélgica de 1982.
Em um fato que hoje pareceria irreal, os dois candidatos ao título registraram na classificação exatamente o mesmo tempo, empatando em todas as casas decimais: décimos, centésimos e milésimos. Para deixar o cenário ainda mais incrível, outro piloto Heinz-Harald Frentzen (Williams), também registrou a mesma volta, em 1min21s072.
Como previa o regulamento, largou na frente quem obteve a marca primeiro – no caso, Villeneuve.
Schumacher joga a Ferrari em cima de Villeneuve em Jerez, em 1997
Reuters
A corrida também teria momentos surreais, como na ultrapassagem de Villeneuve sobre Schumacher, que lhe daria o título mundial. O alemão fechou a porta em cima da Williams do canadense, mas acabou saindo da pista. Culpado pela batida, Schumacher ainda foi punido posteriormente pela FIA com a perda de todos os pontos do campeonato e o vice-campeonato.
Jacques, por sua vez, “corrigiu” uma longa injustiça do esporte ao colocar o nome Villeneuve na lista de campeões mundiais de F1. Foi também a última vez que um piloto fora da Europa conseguiu se sagrar campeão – o penúltimo não-europeu foi Ayrton Senna, em 1991.
5. Vencer seu primeiro GP na F1…e bater logo após a bandeirada!
Escapadas marcaram a carreira de Vittorio Brambilla
Getty Images
Imagine a emoção de vencer seu primeiro GP de F1 e, metros depois da bandeirada, bater e destruir o carro da vitória? Isso aconteceu com Vittorio Brambilla após a vitória no GP da Áustria de 1975, disputado em Zeltweg sob forte chuva.
Competindo pela March, o italiano tomou a liderança na volta 19, ultrapassando James Hunt. As condições pioram e a prova foi encerrada com 29 das 54 voltas. O “gorila de Monza” como era conhecido celebrou bastante ao cruzar a linha de chegada, mas perdeu o controle do March e bateu forte no muro. Tudo bem: o resultado já havia sido conquistado, e aquela acabou sendo a única vitória de Brambilla na F1
6 – Piloto atropelado pelo Safety Car
Taki Inoue foi atropelado por um carro de serviço na Hungria, em 1995
Reprodução/rede social
A palavra “safety” já mostra que o carro “de segurança” na F1 foi criado justamente para ser usado em condições em que os pilotos precisam deste recurso para correr menos riscos. Mas o oposto disso aconteceu no GP da Hungria de 1995.
O japonês Taki Inoue abandonou a prova após o motor de seu carro explodir e pegar fogo. Na tentativa de acabar com o incêndio, foi buscar um extintor e, ao retornar para seu F1, foi atropelado pelo Safety Car que chegava no local. Inoue não ficou seriamente ferido, mas ficou marcado para sempre em uma das cenas mais inusitadas – e até cômicas – da história da F1.
7 – Uma corrida com seis carros no grid
Largada do GP dos Estados Unidos de 2005, com apenas seis carros
Getty Images
Já imaginou uma corrida de F1 com apenas seis carros desde a largada? Isso não só foi verdade, como aconteceu em uma dos maiores templos do esporte, o circuito de Indianápolis, palco da centenária Indy 500 e que recebia o GP dos Estados Unidos de F1 nos anos 2000, usando uma parte do oval e um circuito misto interno.
Na corrida de 2005, os pneus Michelin sofriam desgaste excessivo ao passar pela curva inclinada do oval de Indianápolis. Alguns acidentes ocorreram nos treinos e, sem uma solução imediata para o problema naquele GP, todas as equipes que usavam Michelin foram orientadas a dar a volta de apresentação e recolher o carro para os boxes, sem sequer alinhar no grid.
A cena surpreendeu a F1 e em especial os torcedores norte-americanos, que vaiaram a largada com apenas seis carros. Com apenas Ferrari, Jordan e Minardi na pista, que usavam pneus Bridgestone, a vitória ficou com Michael Schumacher, com Rubens Barrichello completando uma esperada dobradinha. A corrida ainda marcou o improvável pódio do português Tiago Monteiro com a Jordan em terceiro. geRead More