Defesa de Gerson acusa Flamengo de má-fé e sede de vingança: “Cordeiro mudo levado ao matadouro”
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O meia Gerson apresentou defesa no processo em que o Flamengo cobra R$ 42,7 milhões dele e da FGM Sports, empresa de Marcão, pai e empresário do atleta. Na representação, o jogador afirma que o clube carioca agiu de má-fé, sede de vingança e violou direitos trabalhistas. Foi pedida a extinção do processo.
O ge teve acesso ao teor do documento, protocolado no final da noite desta quarta, às 22h48, na 25ª Vara Cível do Rio de Janeiro. Nele, Gerson e a empresa do pai afirmam que “o contrato foi extinto pelo cumprimento integral da cláusula 6.2″, com o pagamento da multa pelo Zenit, e que o Flamengo “violou Direitos Trabalhistas irrenunciáveis”.
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– O item 6.2 – e essa é a pedra angular da lide – estabeleceu que, em caso de pagamento integral da cláusula indenizatória desportiva (exatamente como ocorreu no caso em tela – fato incontroverso, pois confessado pelo próprio CRF7), NÃO ESTABELECEU QUALQUER MULTA (CLÁUSULA PENAL). E O MOTIVO É ÓBVIO: QUANDO A MULTA É PAGA O CONTRATO É CUMPRIDO, E NÃO INADIMPLIDO – argumentaram os advogados.
O Flamengo foi procurado pelo ge no fim da noite desta quarta-feira, mas ainda não se pronunciou. Assim que se manifestar, a matéria será atualizada.
“Gerson vem sofrendo como um cordeiro mudo levado ao matadouro Nenhuma entrevista sobre o assunto; nenhum comunicado, nenhuma nota à imprensa; e nenhum comentário em suas redes sociais. Gerson apenas disse: “no momento certo contarei umas verdades” – apontou a defesa do jogador.
O documento protocolado garante ainda que “Gerson assinou a renovação (com o Flamengo) sem perceber “a drástica redução da cláusula indenizatória desportiva” e que o pedido de demissão foi realizado sob orientação do clube que, de acordo com a defesa, agia de má-fé no caso. Além disso, a defesa afirma que o time carioca agiu com dolo na saída.
– Em 03/07/2025, Gerson foi orientado pelo seu pai, o Sr. Marcos Antônio dos Santos, a assinar um papel manuscrito pelo próprio Sr. Marcos, que, por sua vez, foi orientado pelo Departamento de Recursos Humanos do Flamengo. Segundo o Flamengo, aquele papel manuscrito de pedido de demissão seria “mera praxe interna do clube para cumprir questões burocráticas” e que não prejudicaria em nada a rescisão amigável e o acordo celebrado entre o CRF, o clube Russo e o próprio atleta – escreveu a defesa do jogador, que completou:
– Aliás, Gerson assinou vários outros documentos e instrumentos contratuais sem data e na mais pura confiança ao CRF. O Atleta nunca imaginou que pudesse ser traído pelo clube que, juntamente com os seus companheiros, ele tanto ajudou.
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Quando informou a saída do meio-campista para o Zenit, da Rússia, no ano passado, o Flamengo citou “pedido de demissão e rescisão unilateral apresentado pelo jogador”.
A defesa do meia e da FGM Sports apontou seis irregularidades que o time carioca teria cometido na condução do contrato. Além disso, citou que Gerson deixou de receber R$6.304.999,92 em bonificação de luvas. O ex-atleta do Flamengo ainda, por meio dos advogados, afirma que está sendo “vítima de vingança”.
– Gerson descobriu que está sendo vítima de uma sede de vingança do atual Presidente do Flamengo que não suportou o fato do Atleta ter sido contratado e repatriado do futebol russo ao Brasil justamente pelo clube Mineiro Cruzeiro Esporte Clube. Quiçá porque o atual Diretor de Futebol do Cruzeiro (Sr. Bruno Spindel) foi demitido do Flamengo pelo atual Presidente Rubro-negro. E a peça exordial não foi tímida em revelar essa sede de vingança.
Gerson
Anna Meyer / FC Zenit
Os advogados ainda questionam, na petição, o motivo de o Flamengo não ter ajuizado a ação antes do retorno de Gerson ao futebol brasileiro.
“E o curioso: por que o CRF só ajuizou a presente demanda quando o Atleta retornou da Rússia? Todos sabem os motivos: vingança, jogo sujo extracampo quiçá para prejudicar não só o Atleta como também o seu atual Clube Empregador.”
Veja os pontos da defesa (na íntegra) do meia ex-Flamengo:
O Flamengo, ignorando completamente a boa-fé negocial, ou melhor, dolosamente, induziu o Gerson e o seu pai a redigir e a assinar um documento manuscrito eivado de vícios de consentimentos, sob a falsa alegação de que seria um documento de praxe
Da data da maliciosa renovação com a anormal redução da multa indenizatória desportiva em 15/04/2025 até a data da rescisão amigável em 03/07/2025, o CRF nunca explorou a imagem do Gerson de alguma forma, o que revela que o contrato de imagem serviu apenas para “driblar” encargos trabalhistas, ou seja, burla à Lei Trabalhista;
Apesar do cumprimento integral do contrato de imagem (cf. cláusula 6.2) e do animus conciliatório para rompimento do vínculo e transferência do Atleta para o futebol russo ter ocorrido em 03/07/2025, somente em 12/08/2025 o CRF enviou o TRCT para assinatura do Atleta. E mais: quando indagado pelo conteúdo do TRCT, o CRF simplesmente ignorou o advogado do Atleta (vide cadeia de e-mails anexa);
Durante a Copa do Mundo de Clubes FIFA 2025, o CRF fez Gerson assinar um recibo de pagamento de premiação sem data e que nunca foi paga;
E o estopim: o CRF descumpriu totalmente com a obrigação do pagamento de R$6.304.999,92 (seis milhões, trezentos e quatro mil, novecentos e noventa e nove reais e noventa e dois centavos) previstos no contrato de bonificação (luvas).
Os contratos de Gerson
De acordo com o documento, no primeiro contrato com o Flamengo, entre 10/07/2019 a 21/12/2023, a multa contratual de Gerson foi estipulada em 70 milhões de euros. Entretanto, de acordo com a defesa, a venda ao Olympique, da França, ocorreu por 11 milhões de euros, com a concordância do time rubro-negro.
Gerson em Flamengo x Bayern de Munique pelas oitavas da Copa do Mundo de Clubes 2025
Michael Reaves / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images via AFP
Na segunda passagem, com contrato entre 02/01/2023 e 31/12/2027, a multa para transferência internacional estava no valor de 200 milhões de euros. Em abril do ano passado, as partes renovaram o contrato até 2030. De acordo com a defesa do meia, os salários passaram de R$ 900 mil para R$ 1,5 milhão. Entretanto, a multa contratual caiu dos 200 milhões de euros para para 25 milhões de euros.
*Colaborou Thiago Lima, do Rio de Janeiro. geRead More


