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O Palmeiras e a arte de escapar das armadilhas

O Palmeiras e a arte de escapar das armadilhas

Palmeiras x Grêmio – Melhores Momentos
Existiam algumas possíveis armadilhas no caminho palmeirense para o confronto contra o Grêmio, na noite de ontem, em Barueri. O retorno turbulento da data FIFA, com importantes jogadores desgastados (ou lesionados, como o caso de Piquerez), era o mais evidente dos problemas, além da ausência de Victor Roque. Somava-se a isso um adversário potencialmente perigoso, que busca encontrar seu caminho no campeonato sob a batuta de Luís Castro.
Ao fim da noite, o time de Abel Ferreira (ontem comandado pelo auxiliar Vitor Castanheira) não apenas saiu ileso de todas as arapucas como se manteve na liderança isolada do campeonato, com distância de três pontos para o Fluminense (e cinco para o Bahia, que tem uma partida a menos). O desfecho do jogo mostra exatamente por que o Palmeiras, lá no fim do ano, no mínimo vai estar brigando nas primeiras posições, como é costume: é um time que domina a arte de escapar de eventuais emboscadas para não deixar pontos esparramados no meio da trilha.
Para isso, às vezes sucede de o Palmeiras agredir seu adversário usando estratégia parecida com a do dragão-de-komodo, cuja saliva cheia de veneno permite que ele persiga calmamente suas vítimas, fragilizadas após a primeira mordida. Desde já, peço perdão pela imagem um tanto explícita, mas ela ilustra com eficiência o método utilizado pelo time palestrino contra o Grêmio, especialmente durante o primeiro tempo: com sádica tranquilidade, ao poucos embretou o time gremista através de volume de jogo, com Allan e Arias buscando espaços internos, e investindo na crueldade das bolas aparadas, até que numa delas Marlon Freitas abriu o placar.
Gol de Marlon Freitas em Palmeiras x Grêmio
Marcos Ribolli
Não que Luís Castro tenha pensado o jogo de forma equivocada. Na verdade, diante do poderio palmeirense e sem contar com Arthur, referência técnica do meio-campo, o técnico português inclusive alterou parte de suas concepções, apostando em uma estratégia mais rudimentar: bolas esticadas em busca de Carlos Vinicius, o centroavante que equivale a um exército. Atrás no placar, colocou em campo o destemido Amuzu para buscar um jogo mais fluído. Após crescer no jogo, o Grêmio chegou ao empate com o camisa 9, que abriu a defesa palmeirense como se fosse uma ceifadeira para marcar seu sétimo gol no campeonato.
Não mais que de repente, o confronto se tornou duríssimo, mas nestas circunstâncias o Palmeiras nunca sucumbe à tentação de se desestruturar em campo. Já com Arthur Gabriel, Felipe Anderson e Sosa, continuou buscando os flancos, mas com um jogo mais acelerado, tentando desestabilizar o desfalcado sistema ofensivo do Grêmio. E, antes da situação encrespar de vez, a vitória palmeirense chegou pelos pés de Marlon Freitas, absoluto destaque individual em meio à eficiência coletiva — o homem que desarmou, construiu, mostrou imposição e encontrou as redes; neutralizou, enfim, grande parte das armadilhas que a noite escondia.
Diante de algumas circunstâncias sensíveis e contra um adversário exigente, o Palmeiras conquistou aquele tipo de vitória que lhe resulta tão típico, que esteve distante de ser uma formalidade, mas pareceu obedecer ao protocolo verde. Um método que, de forma gradual, consegue dobrar os adversários — e edificar campanhas.
“Noite de show de Marlon Freitas!”, vibra Leandro Bocca | A Voz da Torcida geRead More