Análise: desabafo de Diogo Silva escancara o real problema de uma Ponte desiludida
Náutico 1 x 0 Ponte Preta | Melhores momentos | 3ª rodada | Brasileirão Série B 2026
Daria para falar da expulsão de Saravia no segundo tempo, quando o jogo contra o Náutico estava equilibrado, das limitações técnicas e táticas da Ponte Preta e da falta de evolução sob o comando de Rodrigo Santana.
Mas o forte desabafo de Diogo Silva sobre a situação extracampo deixa em segundo plano qualquer avaliação em relação à derrota por 1 a 0 para o Náutico nos Aflitos, na noite do último sábado, pela terceira rodada da Série B.
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O goleiro, remanescente da campanha do título da Série C do Brasileiro de 2025, escancarou o real problema alvinegro ao dizer que se o cenário extracampo não mudar, o time está fadado a mais um rebaixamento e que os atrasos salariais têm “atrapalhado demais o elenco”.
Lance de Náutico x Ponte
Marlon Costa/AGIF
Segundo apuração do ge, existem casos de atletas que receberam apenas três salários desde junho do ano passado e de pessoas que trabalham no futebol que vão completar, em abril, um ano sem pagamento.
É inadmissível trabalhar em condições assim. Como jogadores e profissionais conseguem focar no que acontece dentro das quatro linhas enquanto falta dinheiro para pagar os boletos e sustentar a família?
O lateral-direito Pacheco, que recentemente conseguiu a rescisão contratual na Justiça, chegou ao ponto de precisar fazer uma rifa de artigos utilizados na final da Série C do Brasileiro (camisa, shorts, meiões, além de chuteira e um par de luvas) a R$ 20.
Parece um filme repetido, a exemplo do que já foi exposto nas análises da campanha que derrubou a Ponte para a Série A2 do Paulista, mas, diante do que se passa no Majestoso, a responsabilidade pela realidade caótica recai sobre quem comanda o clube e não tem honrado com as obrigações.
Enquanto a Ponte não se acertar nos bastidores, colocando em dia as pendências que se acumulam desde meados de 2025, será injusto atribuir qualquer resultado a questões técnicas e táticas – ainda que os jogadores se esforcem.
Os números da temporada são apenas o reflexo e a consequência natural da crise administrativa e financeira que assola e sangra a Ponte e a paixão do torcedor a cada dia. Em 13 jogos, entre Paulistão, Copa do Brasil e Série B, o time perdeu 10, empatou dois e ganhou apenas um.
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Mas a principal derrota não é dentro de campo. É mais complexa e preocupante que deixar de somar pontos na tabela. É estrutural.
O círculo vicioso que afunda cada vez mais uma Ponte desiludida com o futuro exige mudanças mais profundas que eventuais trocas na escalação ou de técnico. Caso contrário, a bola de neve só vai crescer até destruir o pouco que resta de esperança por dias melhores. geRead More


