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Com influência do Pão de Açúcar, SailGP terá condições únicas em etapa inédita no Rio de Janeiro

Com influência do Pão de Açúcar, SailGP terá condições únicas em etapa inédita no Rio de Janeiro

Martine Grael é única mulher a comandar um barco na SailGP
Pela primeira vez na América do Sul, o SailGP desembarca em um dos principais cartões-postais do Brasil: a Baía de Guanabara, perto do Pão de Açúcar. No próximo fim de semana, as águas do Rio de Janeiro receberão a quarta etapa da temporada, e os membros dos 12 barcos precisarão enfrentar condições únicas de vento e correntes. É o que explica Alan Adler, CEO do Mubadala Brazil SailGP Team, equipe que representa a vela brasileira na competição:
– O Rio de Janeiro combina uma série de fatores que nem sempre aparecem juntos em outras etapas. É um local com cenário de vento térmico, mas também com muita interferência geográfica, o que torna o comportamento do vento menos previsível. Além disso, a Baía de Guanabara é relativamente fechada, o que faz com que as correntes e os efeitos locais tenham um impacto maior. Isso cria um ambiente onde a leitura fina das condições faz muita diferença.
O sportv3 vai transmitir a etapa do Rio de Janeiro no sábado (11) e no domingo (12), a partir de 14h30 (de Brasília). A ge tv, por sua vez, mostrará o segundo dia de disputas. Serão oito corridas ao todo, movimentando as águas cariocas.
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Equipe do barco brasileiro se prepara para etapa do SailGP no Rio de Janeiro
AT Films
Ao comentar as especificidades da área de competição da Baía de Guanabara, Alan Adler conta que até mesmo as belezas naturais do Rio de Janeiro têm impacto sobre a dinâmica das corridas.
– A Baía é um campo de regata extremamente técnico. O principal desafio é a grande variabilidade do vento, que muda bastante de intensidade e direção ao longo do dia. Além disso, temos a influência das montanhas ao redor, como o Pão de Açúcar, que provocam rajadas e zonas de sombra de vento. As correntes também podem ser relevantes, especialmente dependendo da maré, o que exige leitura constante da água e muita precisão nas decisões – diz Adler, que participou de três edições de Olimpíadas (Los Angeles 1984, Seul 1988 e Barcelona 1992) como velejador.
A quantidade de desafios oferecidos pelo Rio de Janeiro fica ainda mais relevante pelo fato de o SailGP ter barcos velozes. O campeonato, inclusive, recebe a alcunha de “Fórmula 1 da vela”, já que as embarcações – catamarãs F50 – podem chegar a 100km/h. As provas costumam ser curtas, mas intensas.
Baía de Guanabara recebeu eventos de vela antes, durante e depois das Olimpíadas de 2016
Alexandre Loureiro/Inovafoto
Considerando todos os elementos em jogo, a habilidade dos atletas se torna um diferencial ainda maior para garantir o sucesso na etapa carioca.
– Em um lugar como o Rio, a capacidade de adaptação rápida acaba sendo decisiva. As condições mudam o tempo todo, então quem consegue interpretar o que está acontecendo mais rápido e ajustar a estratégia em tempo real sai na frente. Claro que o vento é sempre o fator principal na vela, mas aqui a leitura dinâmica e a tomada de decisão sob pressão fazem uma diferença enorme – comenta Adler.
Entre os 12 barcos em ação, o brasileiro Mubadala tem um trunfo: Martine Grael. Primeira mulher a pilotar e liderar uma equipe no SailGP, a atleta de 35 anos é bicampeã olímpica e conquistou um dos ouros justamente na Baía de Guanabara, nos Jogos do Rio, em 2016.
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Martine, que nasceu em Niterói, na região metropolitana do Rio, e já velejou bastante pelas águas cariocas, conversou com o ge em janeiro, antes de a temporada do SailGP começar. Na ocasião, a atleta se mostrou preocupada com a poluição da Baía de Guanabara, mas Alan Adler está otimista para as corridas do fim de semana:
– Temos confiança de que a organização do evento adotará todas as medidas necessárias para garantir que a área de competição esteja em boas condições durante as provas. A Baía de Guanabara já recebeu grandes eventos internacionais, como os Jogos Olímpicos de 2016, com disputas de alto nível, o que reforça sua capacidade de sediar competições desse porte. Do ponto de vista esportivo, as equipes estão sempre atentas às condições da água e preparadas para reagir rapidamente a qualquer situação durante a regata.
No calendário de 2026, o mais extenso desde a criação do SailGP, em 2018, o Rio de Janeiro sucede três etapas na Oceania: Perth (Austrália), Auckland (Nova Zelândia) e Sydney (Austrália). Por enquanto, o Mubadala Brazil ocupa a 11ª posição na tabela, com cinco pontos. O líder é o Emirates GBR, barco britânico, que já somou 28 pontos até agora.
A temporada do SailGP tem 13 equipes em ação, mas a Nova Zelândia vai se ausentar das corridas cariocas, após um acidente na segunda etapa da temporada. O barco neozelandês não ficou pronto a tempo de competir no Rio de Janeiro.
Martine Grael em ação no SailGP
Ricardo Pinto/SailGP
Calendário completo da temporada 2026
Perth (Austrália): 16 a 18 de janeiro
Auckland (Nova Zelândia): 13 e 14 de fevereiro
Sydney (Austrália): 27 de fevereiro a 01 de março
Rio de Janeiro (Brasil): 11 e 12 de abril
Bermuda: 9 e 10 de maio
Nova York (EUA): 30 e 31 de maio
Halifax (Canadá): 20 e 21 de junho
Portsmouth (Reino Unido): 25 e 26 de julho
Sassnitz (Alemanha): 22 e 23 de agosto
Valencia (Espanha): 5 e 6 de setembro
Genebra (Suíça): 19 e 20 de setembro
Dubai (Emirados Árabes Unidos): 21 e 22 de novembro
Abu Dhabi (Emirados Árabes Unidos): 28 e 29 de novembro (Grande Final) geRead More