Deco explica saída do Barcelona na chegada de Guardiola e diz que viu Felipão “sozinho” no Chelsea
Deco relembra a sua saída e a de Ronaldinho na chegada de Guardiola ao Barça
Nas últimas décadas, poucos personagens viveram tanto o futebol de alto nível quanto Deco. Depois que encerrou, em 2013, a vitoriosa carreira de jogador, em que brilhou por Porto, Barcelona, Chelsea, Fluminense e seleção portuguesa, chegou a atuar como empresário de atletas e, desde 2023, é diretor de futebol do Barcelona.
Eventualmente, em períodos de Data Fifa, consegue viajar para o interior de São Paulo, onde encontra a família e acompanha de perto projetos como o Instituto Deco 20 e a Arena Deco Beach, em Indaiatuba. Lá, recebeu o Abre Aspas para uma conversa de 1h15 de duração, na qual revelou bastidores do Flu e afirmou não se arrepender de ter jogado pela seleção portuguesa, entre outros temas.
Mais do Abre Aspas
+ Paulinho chora por Tite e explica recusa de oferta milionária
+ Mazinho vê falta de jogadores para Ancelotti na Copa
+ Zé Roberto conta como vício o atrapalhou no Real Madrid
O ex-meia detalhou sua passagem pelo Barcelona, onde considera que viveu o auge da carreira, e explicou sua saída do time. Em 2008, ao assumir a equipe, o técnico Pep Guardiola disse em sua apresentação que não contava com Deco, Ronaldinho e Eto’o, três dos principais nomes da época.
– No caso do Eto’o era um erro. Tanto que o Eto’o ficou e acabou sendo importante. Na minha posição tinha Iniesta, Xavi, Yaya Touré, Busquets subindo… Era muito simples a mudança. A do Ronaldo era complexa por ser o Ronaldo. Mas já se tinha o Messi protagonista, o Henry que podia jogar pelo lado esquerdo… O Pep foi um dos melhores treinadores que eu vi. Não trabalhei com ele. Gostaria de ter trabalhado, para entender melhor do que todo mundo fala. Mas a transição foi simples. Se eu estivesse no lugar do clube, era uma decisão acertada.
Ficha Técnica
Nome: Anderson Luís de Souza
Apelido: Deco
Nascimento: São Bernardo do Campo (SP), em 27 de agosto de 1977 (48 anos)
Profissão: ex-jogador profissional | diretor executivo do Barcelona
Carreira: Corinthians, CSA, Alverca, Salgueiros, Porto, Barcelona, Chelsea e Fluminense.
Títulos: campeão da Liga Europa (2002/03), campeão da Champions League (2003/04), tricampeão português (1998/99, 2002/03 e 2003/04), tricampeão da Taça de Portugal (1999/00, 2000/01 e 2002/03) e tricampeão da Supertaça de Portugal (1999, 2001 e 2003) pelo Porto; campeão da Champions League (2005/06), bicampeão espanhol (2004/05 e 2005/06) e bicampeão da Supercopa da Espanha (2005 e 2006) pelo Barcelona; campeão da Premier League (2009/10), bicampeão da Copa da Inglaterra (2008/09 e 2009/10) e campeão da Supercopa da Inglaterra (2009) pelo Chelsea; campeão carioca (2012) e bicampeão brasileiro (2010 e 2012) pelo Fluminense.
Deco em entrevista ao Abre Aspas
Marcos Ribolli
Tendo experiências como jogador, agente e dirigente, Deco revelou ao ge considerar mais difícil a atual função, na qual é responsável por todo o futebol do Barcelona. Um de seus principais desafios como diretor foi lidar com a situação de Vitor Roque, que chegou ao clube em janeiro de 2024, não conseguiu sequência e saiu no meio daquele ano.
– Alguns aspectos não favoreceram o Vitor (Roque). Vir em janeiro é ruim para qualquer jogador, e o Vitor ainda vinha de lesão. Depois existiu uma campanha de ataque às contratações, e o Vitor foi vítima disso. Não sei se no dia a dia ele ouvia muito do que saía na imprensa… Acho que faltou ajuda nossa, de perceber se ele não estava bem mentalmente. O talento dele está aí, está demonstrando. Talvez o timing nosso de levar em janeiro foi incorreto. Mas eu não gosto desse estigma de que não triunfou. Ele está no caminho, e fico feliz porque é um menino muito bom.
Deco explica ideia da contratação e aponta erros do Barcelona com Vitor Roque
Deco trabalhou com diversos treinadores renomados, como José Mourinho, Frank Rijkaard, Carlo Ancelotti, Muricy Ramalho, Abel Braga e Luiz Felipe Scolari. Com o último, atuou em dois momentos diferentes. Primeiro na seleção portuguesa, de 2003 até 2008, pela qual foram finalistas da Euro 2004 e chegaram às quartas da Copa do Mundo de 2006. Na sequência, os dois foram juntos para o Chelsea, onde Felipão não teve o mesmo sucesso.
– O Felipão criou um ambiente muito favorável em Portugal. Eram jogadores do Benfica, outros do Porto, e a seleção tinha um ambiente um pouco tenso por essa rivalidade. E o Felipão quebrou esse gelo. O grande mérito foi essa capacidade de unir e de agregar. Até hoje ele é adorado em Portugal. No Chelsea era mais dia a dia, era diferente. Ele saiu no meio da temporada, não teve um período ali… A gente começou muito bem, mas era um time difícil de gerir, muitos jogadores consagrados. O Felipão não teve apoio de alguém do clube. Talvez algum auxiliar que conhecesse um pouco mais o plantel… Eu vi o Felipão um pouco sozinho nessa gestão e, quando acontece isso, é mais difícil.
Deco analisa passagem de Felipão por Portugal e pelo Chelsea
Abre Aspas: Deco
ge: Como foi seu processo de naturalização para jogar pela seleção portuguesa?
– Desde 2000 a federação de Portugal falava comigo, e eu me sentia muito bem, porque eu amo Portugal. Com 18, 19 anos eu fui para Portugal. Mas foi um processo que eu fui amadurecendo, não foi uma decisão do dia para a noite. A coisa foi acontecendo, foi evoluindo… A minha ligação com o país, com a seleção e com as pessoas acabou se criando. Eu tomei a decisão em 2003. Não teve nada a ver com o Felipão, a decisão já estava tomada. Coincidiu com a chegada do Felipão à seleção. Mas a decisão de poder estar disponível pra seleção eu tomei em 2003.
Arrepende-se de não ter ficado disponível para a seleção brasileira? Isso passa pela cabeça?
– Não, não passa porque não existe esse tipo de… Quando eu tomei a decisão, primeiro eu estava seguro do que eu queria fazer. Pela relação que eu tenho com Portugal e com os jogadores da seleção, com a minha geração. Então, eu não fico pensando, porque foi uma decisão que eu sentia que era o que eu tinha que fazer, porque eu me sentia bem fazendo, então eu não fico fazendo esses cenários, assim… Se acontecesse…
Deco explica naturalização e diz que não se arrepende de não ter jogado pela Brasil
No Porto, você foi treinado por José Mourinho, que despontava na época como um dos grandes técnicos. Como era o dia a dia de trabalho com ele?
– Quando vem o Mourinho, ele pôs ordem no time. Em termos de equilíbrio, de tudo. Foi um ano difícil (2002), mas que ele recuperou o time. E, no ano seguinte, com dois, três, quatro jogadores que vieram, o Porto criou uma base que foi a que ganhou a taça Uefa, a Champions e tal. O Mourinho, para mim, foi um revolucionário da época, não existia tantos analistas. Hoje a gente tem essas ferramentas de análise do adversário, tem analista de não sei o que. Conseguir ter a visão tática do que ia acontecer em jogo, conseguir preparar os jogos, com tanta precisão, como Mourinho, eu nunca tinha visto.
– O próprio treinamento, a qualidade do treino era muito alta, o tipo de exercício que a gente fazia era muito voltado ao jogo. Ele pegou muito de muita gente com quem trabalhou e criou um estilo próprio. Na época, para mim, foi um revolucionário. Um cara que mudou muito conceito que a gente nunca tinha visto. A de encarar… Portugal tinha sempre aquela visão de que vai chegar nas competições europeias e não vai ganhar, vai chegar até um tal lugar e não vai passar dali. Em termos mentais, o Mourinho mudou esse conceito, mudou essa forma de enxergar e foi um revolucionário.
Deco exalta Mourinho no Porto: “Foi um revolucionário”
O que explica aquele título inesperado do Porto na Champions League 2003/04?
– Inesperado, óbvio. O Porto não era um dos favoritos. O que eu acho que aconteceu ali foram várias coisas que são difíceis de repetir. Primeiro, você manter o mesmo time que ganhou a Liga Europa, num clube como o Porto, com o mercado agressivo que existe hoje… Conseguir manter esse time durante mais um ano não foi fácil. Eu, por exemplo, eu tinha proposta do Barcelona, e o presidente não me deixou sair esse ano, mas me prometeu que deixaria no ano seguinte. Então, se manteve um time com jogadores que tinha: Ricardo Carvalho, eu, Maniche, Vitor Baia. O Porto conseguiu se reforçar ali ainda um pouquinho.
Um dos reforços do Porto nesta altura foi o meia Carlos Alberto, que fez gol na final da Champions aos 19 anos. Como foi esse surgimento dele na Europa?
– O Carlos Alberto, o que mais espantou a gente na época era a maturidade na idade que ele tinha. Era muito forte fisicamente e tinha uma personalidade de não ter medo. Nada o impressionava. O que era bom para algumas coisas, ruim para outras. Mas, que pra época era uma coisa fora do comum. Chegar num time como o Porto e se impor como ele se impôs. Tanto que o Mourinho começou a usá-lo em vários jogos como titular, ao invés de outros jogadores que já estavam no time. Mas foi uma surpresa pela idade.
Deco em entrevista ao Abre Aspas
Marcos Ribolli
Portugal perdeu para a Grécia na final da Euro 2004, que foi uma grande zebra. O que explica essa derrota?
– A geração era muito boa, Figo, Rui Costa, eu, Cristiano aparecendo, Ricardo Cavalho, Jorge Andrade, Maniche, Pauleta. O que gerou uma euforia positiva sobre a seleção. Jogando em casa e, ao mesmo tempo, foi uma desilusão grande para nós. Não dá para explicar. O futebol é como é. Tomamos um gol, depois controlamos o jogo, mas não conseguimos marcar. A Grécia já tinha demonstrado na Eurocopa que era um time difícil de sofrer gols. Foi uma alegria praticamente a Eurocopa inteira e uma desilusão. Talvez, a maior que eu tive na carreira, porque a gente queria ganhar. Mas, é o futebol.
Cristiano Ronaldo hoje é um exemplo de disciplina e mentalidade forte. No início da carreira, ele já era assim?
– O Cristiano sempre foi assim. Igual ao que é hoje, na questão da ambição, do que ele aprende, de ser melhor, isso nunca mudou. Sempre trabalhou para isso, sempre foi o que chegava mais cedo, o que trabalhava mais, o que ficava batendo falta depois de todo mundo, o que não queria parar de crescer, de evoluir. Acho que não vai parar nunca com essa forma de ser. Não existe nenhum atleta com essa capacidade mental. Para mim, foi o cara mais obcecado pela evolução. Essa característica fez ele ser um dos maiores jogadores da história.
Cristiano Ronaldo e Deco foram colegas de seleção portuguesa
Getty Images
Depois do vice na Euro, você finalmente foi para o Barcelona. A conquista da Champions, em 2005/06, foi seu auge?
– O Barcelona era um sonho que eu tinha de adolescente, quando vi o Barcelona nos anos 90 era o time que eu sonhava jogar. Quando acontece é uma realização grande, mas não queria só jogar, queria também ganhar pelo Barcelona. Tinha isso na cabeça, que daria a vida para ganhar e ser parte da história do clube. E foi isso que fiz.
– Ganhar sempre é bom, mas tem alguns momentos que são mais marcantes. O Barcelona não ganhava desde 1992. A alegria do torcedor era diferente. A gente sentia que mexeu muito com o orgulho do torcedor. Vinha do Real Madrid dos galácticos, de todo esse domínio, e ali foi uma realização de um sonho. Mas sim, poderia dizer que foi o meu auge. Tudo o que queria realizar e tinha sonhado em realizar.
E foi também o auge de Ronaldinho, muito marcante. Como foi viver isso de perto?
– Tecnicamente, não vi ninguém melhor que ele. Capaz de fazer coisas que impressionam e que você fica com a boca aberta. É o jogador que mais me impressionou na carreira jogando junto ou contra. Foi o Ronaldo. Não foi o que mais ganhou, o que mais títulos teve no Barcelona, mas pra mim foi o que mais impressionou nesse sentido, até porque a gente conviveu e viveu isso.
Deco explica porque Ronaldinho Gaúcho foi o jogador mais brilhante que viu na carreira
Em 2007/08, Ronaldinho não foi bem, teve declínio físico e recebeu críticas relacionadas ao excesso na vida noturna. Como foi esse fim do auge de R10?
– Por isso o futebol é tão apaixonante. Na mesma dimensão que vem a alegria, vem a decepção e a exigência. Não é sempre que você vai ganhar. Óbvio, quando você pensa nos grandes times, você gostaria que fossem eternos… Ronaldo marcou história de uma geração, o máximo dessa nossa geração e que trouxe alegria de volta ao clube. Só isso já é o suficiente.
Faltou a Ronaldinho a ambição que sobra em CR7?
– Não dá pra falar (da ambição) também. O Cristiano não ganhou sempre. Futebol é um esporte coletivo, não é individual. A gente teria que debater muito mais coisas, questões técnicas, questões de dia a dia, muito mais complexas. A gente comete esse erro de tanto endeusar demais nas vitórias uma figura e depois pôr a culpa numa figura quando é esporte coletivo. Essa geração está marcada pela figura e pela genialidade do Ronaldo. Para explicar o motivo de ganhar ou de não ganhar em 2008 é uma coisa muito mais ampla.
Ronaldinho Gaúcho e Deco brilharam com a camisa do Barcelona
Getty Images
Você foi treinado por Carlo Ancelotti no Chelsea. Como avalia o trabalho do italiano?
– No dia a dia acho que o Ancelotti é um cara também muito parecido com o Felipão, de gestão. É um cara que entende o que é jogador, consegue gerir. A carreira dele foi marcada por isso e ganhou tudo. Eu vejo nele essa capacidade de adaptação que é o que faz dele essa calma que demonstra nos momentos mais complicados, é o que o faz um treinador diferenciado.
Ancelotti é o nome ideal para este momento da seleção brasileira?
– Não sei se é o ideal ou não. Eu sei que desde que ele chegou, todo mundo acalmou porque ele transmite isso. Se continua falando, mas o ruído é menor de alguma forma. Ele tem essa capacidade de pôr as coisas em calma, de entender. A forma de lidar com os problemas é mais didática. Por tudo que já viveu, tem bastante experiência. Então, acho que nesse momento, para o que o Brasil precisava, sim. É um treinador que pode funcionar para aquilo que o Brasil quer.
Deco em entrevista ao Abre Aspas
Marcos Ribolli
Por que escolheu o Fluminense no momento de voltar ao Brasil?
– Eu queria voltar ao Brasil. Questões pessoais me levaram a isso, lembro que o Ancelotti não queria me deixar sair do Chelsea e falei que queria voltar, que não queria mais ficar em Londres. Mas eu queria ganhar, não queria só voltar para o Brasil. O Fluminense tinha o Muricy, que na época era sinônimo de time competitivo. Depois, óbvio, analisei um pouco os jogadores que tinha: Conca, Fred, Mariano. O time era bom. E eu falei: ‘Pô, nesse time acho que dá para a gente ganhar’.
Como foi o baque de voltar ao Brasil, num período de pouca estrutura no futebol, depois de mais de dez anos na Europa?
– Eu lembro que a gente treinava nas Laranjeiras ainda. O Fluminense não tinha nem o CT, estava nesse processo. Foi legal ver a mentalidade diferente. Às vezes lembro que falava: ‘A gente tem que ter o CT’, e falavam ‘Não, mas a gente está ganhando e aqui está tudo bem’. O futebol tem essa questão da superstição também, que é uma coisa que mexe com todo mundo. Fico feliz por essa evolução dos clubes brasileiros, principalmente o Fluminense, que tem um CT, que é o mínimo que precisa para fazer um trabalho de qualidade.
Qual foi o grande mérito do trabalho do Muricy naquele Fluminense de 2010?
– O Muricy foi um dos maiores treinadores do futebol brasileiro. Sabe de futebol como ninguém. Ele é muito pragmático, muito sem rodeios. Dividia a responsabilidade com quem tem responsabilidade. Jogador que tem nome, que é bom, tem que chegar, jogar e resolver. Era um cara muito direto. Muito legal ter trabalhado com ele. Ao mesmo tempo uma pessoa muito boa, um cara do bem para caramba. Mas era um cara com personalidade e que você via que com o Muricy você pode ganhar.
Deco em entrevista ao Abre Aspas
Marcos Ribolli
E a saída de Emerson Sheik, em 2011, por cantar o “Bonde do Mengão Sem Freio” no ônibus do Fluminense?
– Eu não entendi muito bem, porque não estava nesse jogo da polêmica do ônibus. O Sheik jura que não tinha nada a ver. Eu lembro até que o Celso Barros teve que falar com o Sheik, para ele ficar. E a coisa não funcionou, porque o presidente, o Peter, não queria. Foi um erro, porque se o Sheik tivesse ficado, nesse ano de 2011, eu acho que teríamos sido bicampeões brasileiros. Era um jogador que marcava a diferença e que era fundamental para nós. Achei que foi um erro grave de gestão, uma coisa tão simples e você perder um jogador como o Sheik.
– Era uma coisa privada. Se aconteceu, ela tinha que ter ficado no privado, ter sido resolvida no privado, entre o jogador e a direção. Não ser exposto daquela forma. Quando você expõe alguma coisa, é porque você tem algum outro interesse que não seja resolver o problema. Mas é uma situação até inesperada, né?!
Como foi a retomada em 2012, com Abel Braga, e mais um título brasileiro no Fluminense?
– O Abel é uma das melhores pessoas que eu conheci no futebol. Ser humano espetacular, com um coração gigante e com uma trajetória brilhante no futebol. A gente ganhou, mas ao mesmo tempo se divertiu, aprendeu um lado de gestão humana, de um paizão… Mas que ao mesmo tempo é um líder. Foi uma geração muito boa em 2012. Foi um dos anos mais gostosos, que eu mais me diverti como jogador.
– Em 2012, o time foi forte outra vez, porque chegaram jogadores de nível alto. Rafael Sobis era um jogador espetacular, o Thiago Neves, era outro jogador de nível alto, o Fred nem se fala, marcava gol de todo jeito. O time era muito completo. Na Libertadores não fomos mais longe, porque ali no momento decisivo não estava com todos os jogadores. Isso penalizou um pouco, mas foi um time que marcou a história do clube.
Fred e Deco em estreia do Fluminense em 2012
Dhavid Normando / Photocamera
Muito se fala de um possível retorno de Lionel Messi ao Barcelona, e ele mesmo já indicou essa vontade. Existe essa possibilidade nos próximos anos?
– Esse assunto é complexo. Já se falou muito na campanha (presidencial). Foi utilizado o nome dele o tempo inteiro. Messi é o maior jogador da história do Barcelona, pra mim o maior jogador da história do futebol ou um dos maiores. Gostaríamos que o futebol fosse eterno em todos os aspectos, muita coisa que a gente gostaria, mas elas acabam. Tem o começo, o meio e o fim. Especular sobre isso acho que é meio sem sentido. Óbvio que o Messi, no dia que tiver que fazer uma homenagem, isso não é uma coisa minha. Como jogador, ele está num momento bom. Foi para o Inter, tomou essa decisão, as coisas aconteceram e deve estar feliz lá.
– Esse cenário de volta, na verdade, pelo menos desde que eu estou lá, nunca foi colocado em pauta. O Messi ou alguém da parte do Messi ligar e falar: ‘Olha, eu quero voltar, eu quero jogar’, não chegou. Isso tem sido muito rumor, muita coisa que é irreal. Ele não declarou essa vontade, fez um post no Instagram que um dia queria voltar, mas não especificou. Falar sobre esse tipo de coisa com um jogador tão grande como o Léo, é meio sem sentido, se não é nada real ou se não é nada concreto.
Deco comenta possibilidade de retorno de Messi ao Barcelona
A recente visita de Messi ao Camp Nou aconteceu realmente de surpresa?
– Eu não sei. Eu acho que ele ia para seleção e estava no hotel, não ficou em casa. Acabou em dar uma volta e entrou (no Camp Nou). Acho que foi mais ou menos isso aí, pelo que eu soube.
Messi fez “visita surpresa” ao Camp Nou em novembro do ano passado
Reprodução / rede social
Reeleição de Laporta e desafios como diretor do Barcelona
– Esses últimos dois meses foram complexos, mas a gente conseguiu manter o time à margem disso. O Laporta ganhou, tem mais cinco anos de mandato para consolidar o projeto que está sendo feito. O time tem se consolidado como um time que compete. Ganhar é consequência. Hoje a gente conseguiu reconstruir um time para poder brigar para ser campeão contra o Real Madrid forte, contra o Atlético Madrid forte, contra clubes da Europa que contratam e que têm gastado mais que a gente nos últimos anos.
– A gente tem a sorte também de conseguir ter jogadores jovens que foram se consolidando, tomar decisões corretas em termos de contratação, e a gente tem um time que pode competir e acho que é isso que a gente está fazendo.
Problemas defensivos do Barcelona preocupam?
– A questão defensiva não é de um jogador, ela é uma questão de ideia. O nosso treinador tem uma ideia de jogo que é agressiva, que é uma ideia de pressão. Quando você baixa um pouco a intensidade e essa capacidade de pressionar, de jogar em cima, você não consegue ser tão eficaz. Acaba tendo repercussão nos espaços atrás, mas o time evoluiu muito nesse aspecto.
Se vê no cargo de diretor por muitos anos? Trabalharia no Brasil?
– É muito difícil fazer planos assim a longo prazo, eu tenho uma questão pessoal que sempre vai ser a mais importante pra mim, familiar. Ver como minha vida vai, hoje a gente está contente em Barcelona, provavelmente a gente tem cinco anos de mandato. Não sei se vou ficar os cinco anos porque eu preciso trabalhar bem todos os anos para que as coisas continuem.
– Eu não diria que não, porque não acho que tem nenhum drama em trabalhar no Brasil. Pelo contrário, tem grandes profissionais no Brasil, grandes clubes. Não diria que não, mas não é uma coisa que eu pense nesse momento.
Deco em entrevista ao Abre Aspas
Marcos Ribolli
Mudou algo na formação de atletas no Brasil? Temos uma dificuldade maior de garimpar talentos?
– Acho que o Brasil não involuiu. Acho que o Brasil evoluiu em alguns aspectos, outros nem tanto. Essa discussão é mais complexa. A gente tem é uma questão educacional, aí teria que discutir uma coisa muito mais ampla. De repente, hoje você não deixa seu filho na rua por uma questão de segurança. Os trabalhos que são feitos de formação nos clubes do Brasil evoluíram muito bem.
A invasão de estrangeiros no Brasil atrapalha essa formação?
– Não estou muito no dia a dia do futebol brasileiro para ter uma opinião mais precisa. Acho que o estrangeiro não é o problema. Você tem caso do Palmeiras, Fluminense, que têm estrangeiros, mas a base continua sobressaindo, continua jogando. O Brasil está sendo o protagonista, se você olhar a Libertadores todos os clubes brasileiros estão chegando nas finais. Sinal que os clubes brasileiros financeiramente estão melhores.
Levaria o Neymar para a Copa?
– Sinceramente, não sei. O Neymar, como jogador, foi o melhor jogador brasileiro dos últimos anos, sem dúvida nenhuma. E dos melhores do mundo, sem dúvida nenhuma. É um cara espetacular, um menino diferenciado como pessoa, como ser humano. Então, torço muito por ele. Gostaria de vê-lo numa Copa. Porque acho que ele também gostaria de jogar essa Copa. Mas não dá para opinar de um assunto complexo, porque estou acompanhando pouco o dia a dia. geRead More


