Sem calendário, time sensação do Mineiro dispensa funcionários e tenta alugar estádio
Zama Maciel: conheça estádio “raiz” cuidado por torcedores e com pé de manga
A URT foi uma das sensações do Campeonato Mineiro ao sair do vice no Módulo 2, no ano passado, para ser líder geral na primeira fase e se classificar para a final do Troféu Inconfidência de 2026. Apesar do sucesso dentro de campo, a temporada do clube de Patos de Minas se encerrou em março, e a falta de calendário faz com que o time – assim como vários outros pelo Brasil – precise se adaptar à rotina sem jogos para evitar o descontrole financeiro, com medidas que incluem a saída de funcionários e o aluguel do estádio.
+ Conheça estádio raiz que é cuidado por torcedores e tem até pé de manga à beira do campo
Estádio Zama Maciel URT Arena DB Patos de Minas 2026
Marketing/URT
Com o sexto lugar no Mineiro, a URT se garantiu na Série D do Campeonato Brasileiro de 2027 e ainda pode se classificar para a Copa do Brasil. No entanto, para este ano, não há mais partidas previstas, e todos os atletas do elenco deixaram o clube.
Em entrevista ao ge, o presidente da URT, Igor Cunha, explicou que, ao término do estadual, 15 funcionários internos do clube também foram liberados, além de outros que atuavam como terceirizados. Profissionais das áreas de marketing, comunicação, limpeza e operacional, além de vendedores da loja oficial e até o motorista foram dispensados para o restante do ano.
— É um prejuízo muito grande para o clube que tem apenas uma parte do ano de calendário. Isso impacta desde o início da preparação de contratações. Os atletas preferem talvez até ter uma redução salarial, mas ter um contrato anual, do que receber um valor maior, mas ter um calendário durante quatro meses só do ano. Tem a questão familiar também, a esposa, a escola dos filhos deles, que dificulta muito as contratações e impacta também na nossa parte financeira — explicou o presidente.
“A questão de não ter calendário impacta no ano inteiro. Você fecha o clube, você tem que dispensar todo mundo, e isso é ruim para os colaboradores internos”.
Igor Cunha presidente URT
URT/Divulgação
— A gente tem que dispensar marketing, comunicação, pessoal da loja, o pessoal que trabalha internamente, zelador, pessoal do setor administrativo, financeiro, fica todo mundo desempregado. Apesar de que já é combinado, eles já sabem disso, mas tudo isso impacta muito. E o torcedor, que não tem o clube em atividade, não consegue acompanhar o clube, não tem jogos mais — acrescentou Igor.
Segundo o presidente da URT, a falta de calendário também prejudica a captação de recursos com empresas parceiras e patrocinadores.
— A gente teve reuniões esse ano, até por toda a visibilidade que a URT tem ganhado, com empresas grandes que investem no futebol, mas a gente esbarrou muito no calendário. Na maioria das vezes, a empresa pergunta qual o calendário, mas eu tenho quatro meses só de atividade, para ela não compensa. Talvez ela pegue até um clube que não tem tanta visibilidade de marca atual, mas que vai ficar em atividade durante o ano inteiro.
Em seu terceiro e último ano no cargo de presidente, Cunha também fez um apelo pela adesão ao modelo de Sociedade Anônima do Futebol (SAF) no clube. No Campeonato Mineiro de 2026, a URT foi o único time entre os 12 participantes com o sistema associativo de gestão.
— Eu entendo que a URT chegou ao limite do modelo associativo. É muito bacana a URT ser o único na elite, mas esse modelo ainda sobrevive por aparelhos, tendo que trabalhar o dobro. Você dorme sem saber como você vai pagar a folha, é muito desgastante — declarou o presidente.
Lucas Silva em URT x Cruzeiro
Gustavo Aleixo/ Cruzeiro
“A URT só conseguiu sobreviver com o modelo associativo pela paixão que o torcedor tem, mas no meu entendimento, não dá mais.”
— A URT tem que começar a pensar num novo formato, num novo modelo. O conselho deliberativo e o conselho fiscal são soberanos, tem que partir deles, se quiserem realmente fazer um formato diferente que não seja associativo. Mas eu acho que, para 2027, as pessoas tem que começar a pensar num novo formato. A URT não consegue crescer mais do que isso sem um centro de treinamento próprio e sem uma base bem estruturada — completou.
Estádio é mantido por voluntários e pode ser alugado
Principal patrimônio material do clube, o Estádio Zama Maciel não recebe partidas quando a URT não tem calendário no futebol profissional. Sem funcionários contratados no período para fazer a manutenção, o campo é cuidado pela Administração do Estádio Zama Maciel (Adezma), uma associação composta por torcedores voluntários e que assumiu o trabalho em 2024.
Atualmente, a Adezma conta com nove torcedores – todos eles, voluntários. No grupo, há pintores, mecânicos e profissionais autônomos, entre outras profissões.
— É de se ressaltar o trabalho voluntário que esse grupo de torcedores faz. São eles que podam e marcam o gramado, cuidam da limpeza e manutenções no dia a dia. Eles têm seus empregos, então temos despesa com um eletricista ou um pedreiro quando precisa, tenho um zelador também. Mas, depois que eles começaram o trabalho, desafogou muito — disse Igor Cunha em entrevista ao ge em fevereiro.
Membros da Adezma, associação que cuida do Estádio Zama Maciel da URT em Patos de Minas
Marketing/URT
Sem previsão de partidas até o fim do ano, a diretoria do clube espera utilizar o estádio como fonte de renda extra, com o aluguel do espaço para shows e outros eventos.
— Agora que a URT vai ficar parada durante um tempo, a ideia é que a gente coloque o estádio à disposição para feiras, shows, eventos, enfim, alugar o campo para alguém que queira utilizar para algum campeonato. A ideia é que a gente gere receita durante esse período enquanto não tem o futebol em atividade — concluiu Cunha.
Estádio Zama Maciel URT Arena DB Patos de Minas 2026
Marketing/URT geRead More


