Análise: arbitragem falha, mas ineficiência e descontrole pesam mais em nova derrota da Ponte
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Pela terceira vez em quatro jogos na Série B, a Ponte Preta saiu de campo derrotada. O revés por 1 a 0 para o Vila Nova, o primeiro sofrido dentro do Moisés Lucarelli nesta edição do campeonato, deixou um gosto amargo e justificável de revolta com a arbitragem nos minutos finais. No entanto, para reagir na competição, a equipe precisará de autocrítica para entender que os caminhos da derrota foram pavimentados muito antes do apito final.
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Há, claro, o sentimento ruim de torcida, elenco e comissão técnica pelo lance polêmico no apagar das luzes. O árbitro Afro Carvalho ignorou um possível toque de mão do zagueiro Pedro Romano dentro da área – que impediria a finalização do goleiro Diogo Silva – e sequer foi chamado pelo VAR para revisão. Um erro de critério claro, especialmente porque, minutos antes, o árbitro de vídeo interveio para anular corretamente um gol de Kevyson por um toque de mão de Brandão.
Apesar do equívoco de condução que prejudicou a Ponte em um momento decisivo, o roteiro dos 90 minutos expôs um time que “recusou” o gol quando teve a chance e que desmorona mentalmente à primeira adversidade.
Jogadores reclamam de toque de mão
Marcos Ribolli
O primeiro tempo da Macaca evidenciou uma atuação pobre do setor de criação. O meia Elvis, termômetro da equipe, pareceu entregue diante do momento negativo que o clube vive dentro e fora de campo, não conseguindo conduzir o ritmo como em suas melhores exibições.
Ainda assim, a bola se ofereceu para a Ponte abrir o placar. Faltou, porém, capricho e tranquilidade. Primeiro, Bryan Borges apareceu livre dentro da área, sem marcação, e isolou por cima do gol. Pouco depois, em uma rara boa intervenção de bola parada de Elvis, William Pottker cabeceou longe de uma meta que estava escancarada à sua frente.
Na etapa final, o desperdício virou rotina. Mesmo nos lances que a arbitragem parava de forma afoita por impedimento, os jogadores demonstravam falta de confiança na hora de bater para o gol. Nas jogadas legais, o goleiro Helton Leite foi soberano e acabou consagrado como o grande nome da partida.
Bryan Borges perdeu gol no primeiro tempo
Marcos Ribolli
Além do problema crônico na finalização, o comportamento emocional da equipe de Rodrigo Santana é um ponto de alerta. Após o gol marcado por Ryan para o Vila Nova, a Ponte simplesmente se perdeu no jogo. O impacto psicológico foi imediato: o time se desorganizou, passou a acumular erros bobos em saídas de bola, cedeu espaços defensivos e pecou no acabamento de quase todas as jogadas no campo de ataque.
O treinador até tentou agir. Mexeu no time e conseguiu deixar o setor de criação ligeiramente mais fluido por alguns minutos, mas esbarrou no seu principal obstáculo: a falta de opções consistentes no banco de reservas para mudar a característica ofensiva da equipe.
Jogadores da Ponte Preta reclamam de pênalti contra o Vila Nova
É chover no molhado dizer que o ambiente extracampo – com salários atrasados, crise política e pressão da arquibancada – pesa nas pernas dos jogadores. Mas, desta vez, não faltaram chances e tempo para fazer diferente com a bola rolando. A Série B costuma ser cruel com quem deixa tantos pontos pelo caminho logo no início da maratona.
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A chance de apagar essa imagem será no próximo sábado, diante do Avaí, em Florianópolis. O desafio, no entanto, é duplo: além de precisar corrigir a pontaria, a Ponte terá que superar o fantasma de jogar como visitante, condição na qual sofreu 100% de derrotas nesta temporada. geRead More


