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60 anos do hexacampeonato: o feito que lançou o Campinense ao sucesso no futebol paraibano

60 anos do hexacampeonato: o feito que lançou o Campinense ao sucesso no futebol paraibano

60 Anos do Hexa: Como era o Campinense Clube antes do futebol
“É vitorioso, é da Paraíba, hexacampeão!” Esse é um dos principais trechos do hino mais popular do Campinense, composto pelo radialista João Martins de Oliveira. A letra cantada por vários rubro-negros referencia uma das fases mais vencedoras da Raposa, que, realmente, inseriu o clube no cenário do futebol paraibano, vindo a se tornar um dos maiores do estado e mais respeitados do Nordeste.
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Neste domingo (12), o Rubro-Negro comemora 111 anos de fundação; contudo, a história dentro das quatro linhas começou algumas décadas depois de 1915, mais precisamente por volta de 1950, período em que se deu o pontapé inicial para a formação de uma das eras mais lembradas do time centenário.
Hexacampeonato paraibano do Campinense completou 60 anos
Reprodução/TV Paraíba
Início elitista e a necessidade de desenvolvimento
Com a abolição da escravidão no fim do século XIX, a burguesia nacional e local daquela época tinha como foco aproximar-se das atividades culturais mais relevantes que chegavam ao Brasil vindas da Europa. Daí surgiu o clube social Campinense, em reuniões que juntavam as famílias mais tradicionais de Campina Grande, ligadas à elite algodoeira, para a prática de danças e teatro.
Mesmo com a presença pequena de programas esportivos, por volta de 1920 foi implementado o futebol amador entre os associados. A realidade profissional só surgiu na década de 50, quando membros do clube possuíam ligação com pessoas de estados vizinhos, como Pernambuco, e, então, passou a ser desenvolvida a ideia da criação de um departamento de futebol profissional.
Apesar de inúmeras incertezas sobre as condições da instituição sair do modelo amador e ingressar na profissionalização, o clube conseguiu deixar a forma associativa para investir no cenário esportivo.
Elenco do Campinense na década de 1960
Arquivo pessoal / Simplício
A origem em meio a outro Campinense
Segundo pesquisas realizadas pela historiadora Giovanna Lopes Marques, autora do livro “Quem nasce em Campina Grande é Campinense: Futebol e Sociabilidade na Rainha da Borborema”, quando o departamento de futebol profissional foi implementado, com o nome Centro Esportivo Campinense Clube (CECC), já existia uma agremiação chamada Campinense, na Venâncio Neiva, no Centro da cidade.
Houve o debate sobre a possibilidade de fundir ambas as instituições; porém, isso não aconteceu. Liderado pelo médico Gilvan Barbosa, passou-se, com isso, a dedicar incentivos às práticas esportivas. Os primeiros anos foram marcados pelo recrutamento de atletas do Nordeste e apenas exibições pela Paraíba, sem disputar competições oficiais. Mesmo assim, o clube se tornou um grande fenômeno.
Com novas estruturas e a expectativa de assumir um protagonismo no estado, principalmente buscando rivalizar com os times da capital João Pessoa e levar as disputas para o interior, o Campinense entra de vez em seus anos dourados.
Reportagem mostra a história do Hexa do Campinense
Anos 60 e a hegemonia do papa-taças
A consolidação já começou no primeiro ano da década de 60, quando o time que havia se profissionalizado pouco tempo antes ergue o seu primeiro troféu. A partir daí, a hegemonia do papa-taças foi sendo construída. Entre os ídolos daquela geração, está Zé Lima, conhecido como Zé Preto, zagueiro que conquistou cinco dos seis títulos.
Carregando a sua origem no apelido, o ex-jogador possuía uma vida simples e chegou ao clube em 1961, período em que o racismo era bastante enraizado na sociedade. Entre as principais conquistas, uma se destaca: o Paraibano 1964, ano do centenário da emancipação política de Campina Grande, relembrada com alegria pelo campeão.
— A festa foi grande. Todas as festas do Campinense aconteciam na sede, e o pessoal comentava que lá só tinha festa de rico, que não entrava ninguém. Mas eu falava que um dia iria entrar lá. Quando o time foi hexa, entrei na “cacunda” do torcedor, nunca me esqueço disso (risos) — recordou o ex-atleta.
Zé Lima, o Zé Preto, ex-jogador e ex-técnico do Campinense
Reprodução/TV Paraíba
Notavelmente, a conquista da coroação do hexacampeonato tem um peso considerável; é ele que está estampado no escudo do clube, no principal hino e nas canções entoadas pelas arquibancadas. O campeonato que começou em 1965 e foi decidido no dia 19 de fevereiro de 1966 colocou a Raposa de vez no panteão da Paraíba.
— Todos foram importantes, mas para a memória clubística, o hexa foi bastante significativo porque está presente no escudo e está cantado nos hinos. Quando você vê a torcida na arquibancada, essa narrativa de um hexacampeonato também está muito presente, sendo o título responsável efetivamente pelo mito fundador do Campinense enquanto papa-taças de Campina Grande — explicou Giovanna Marques.
60 anos do hexa: época de ouro da Raposa é orgulho até hoje
Legado deixado pelas seis estrelas
A herança perdura até os dias de hoje, mesmo após 60 anos de uma era que jamais será esquecida. Seja no clube, na torcida, na cidade ou, inclusive, no coração daqueles que conviveram e carregam a admiração pela equipe, como Rafael Ibiapino, neto de Zezinho Ibiapino, meia que marcou época no futebol paraibano e com as cores rubro-negras.
Atualmente no Manauara, o atacante de 33 anos seguiu os passos do avô e vestiu a camisa do Campinense algumas vezes, mantendo vivo o legado da família.
— Meu avô foi um cara que sempre me incentivou e ajudou. Quando ia com meu pai na casa dele, ele contava um pouco das histórias de quando jogava. Ele estava na minha primeira entrevista, e foi um cara em que eu me inspirei. Fico feliz de ter feito parte da história do Campinense, ser artilheiro e seguir o legado dele — comentou Rafael.
William Simões, Zezinho Ibiapino e Rafael Ibiapino
Divulgação / Campinense
A história também foi perpetuada na família do volante Simplício, o Canhão da Barra, como era conhecido, que foi um dos heróis do hexacampeonato. Apesar de ter vivido grandes momentos em outros times, como no Botafogo-PB, onde foi campeão paraibano em 1969, o Campinense ficou marcado em sua vida, fazendo com que ele deixasse a herança para as futuras gerações.
— Nos tornamos raposeiros por conta do hexa. Seis anos seguidos sendo campeão é uma hegemonia importante, e meu pai relembrava as histórias com os amigos, mas reforçava a relação com Zé Preto. Ele sempre batalhou muito, foi aguerrido dentro de campo e procurava fazer o melhor. Nos empolgamos com o clube, e meu pai deixou um marco importante — destacou Frederico Clemente, filho de Simplício.
Simplício, ex-volante do Campinense, em 2013
Lucas Barros / ge
Tanto como Zezinho Ibiapino, falecido em 2014, quanto Simplício, que morreu em fevereiro de 2026, deixaram seus nomes marcados na história centenária da Raposa. A conquista do hexa paraibano vai além dos títulos dentro de campo; ela perpetua a lembrança de um período grandioso e de um legado que permanece vivo na memória dos que se foram e entre aqueles que relembram o feito histórico.
O Campinense é a minha segunda família
*Estagiário sob a supervisão de Cisco Nobre.
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