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Onde o brilho não tem vez: o vazio do Gre-Nal se traduziu no placar

Onde o brilho não tem vez: o vazio do Gre-Nal se traduziu no placar

Internacional 0 x 0 Grêmio | Melhores momentos | 11ª rodada | Brasileirão 2026
Antes do Gre-Nal, um homem assinou um termo de responsabilidade, praticamente concedeu alta a si mesmo e, contra a vontade dos médicos e da própria família, deixou um hospital em Porto Alegre para assistir ao clássico no Beira-Rio. Desde o início da semana, ele estava na UTI para se recuperar de um acidente vascular cerebral, mas ouviu o chamado da sereia às margens do Guaíba e se transformou em uma espécie de personagem de filme argentino: a paixão não se negocia. 
O desatino do paciente colorado é daquelas histórias que entra para o folclore do Gre-Nal. E, para o seu bem, tanto Inter quanto Grêmio se esforçaram para que sua pressão sanguínea e seus batimentos cardíacos permanecessem praticamente inalterados durante os noventa minutos. Foi um 0 a 0 sob medida para poupar qualquer corpo debilitado que estivesse sentado na arquibancada.
Após um começo de campeonato desesperador em termos de resultados, o Inter chegava para o clássico com dez pontos nos últimos quatro jogos. Também a má fase tricolor, que levantou questionamentos inclusive sobre a continuidade de Luís Castro, somada ao fator local, que costuma ser determinante no perrengue gaúcho, alimentava a expectativa para uma vitória colorada.
E, de fato, o time de Pezzolano mostrou superioridade durante o primeiro tempo. Com Bernabei de volta à lateral, devido à lesão sentida por Matheus Bahia, conseguiu impor mais volume de jogo, apesar de ter em Alan Patrick novamente uma figura abaixo do seu potencial. Mas os repetidos erros na saída de bola gremista foram perdoados pelo Inter, que não desceu para o vestiário em vantagem porque Borré parou em grande defesa de Weverton. Por mais comprometido que seja, o colombiano soma atuações decepcionantes — perto dele, centroavantes das épocas de vagas magras, como Leandro Machado, parecem uma mistura de Romário com Van Basten.
Inter x Grêmio Gre-Nal
Ricardo Duarte/Divulgação Inter
A situação se alterou para o segundo tempo, com o Grêmio equilibrando um pouco as ações, especialmente em termos de proposição, após a entrada de Gabriel Mec e a saída de Tetê, novamente inqualificável. Mesmo sem poder de criação, os tricolores poderiam ter aberto o placar em conclusão de Viery após cobrança de escanteio, que fez Rochet defender com dificuldade — o goleiro uruguaio, inseguro, mostraria dificuldade também em lances básicos. Foi o momento do jogo em que o time de Luís Castro conseguiu deixar o Inter desconfortável, mas desta vez não contou com a inspiração de Carlos Vinicius, o centroavante com desenvoltura de uma ceifadeira, ontem anulado por Gabriel Mercado, provavelmente o melhor em campo.
Todos sabemos que a suprema trindade de sentimentos que move o Gre-Nal é composta por medo, rancor e vingança. Então, conforme o tempo avançava e o placar seguia em branco, com rancores já arrefecidos e qualquer ímpeto vingativo sendo postergado, o medo da derrota tornou-se imperioso. Não é um sentimento a se festejar, mas é compreensível, pois um simples tombo em Gre-Nal é capaz de provocar terremotos, e aquele ocasional gol adversário, mastigado e não necessariamente merecido, está sempre à espreita.
Em um Gre-Nal tecnicamente sofrível, o pior dos últimos anos, o empate ao menos manteve as coisas no seu lugar, o que no fim da noite pareceu o melhor negócio disponível — para o Inter, para o Grêmio e também para o paciente aventureiro que abandonou o hospital e acabou recebendo uma caneca de chá de camomila em vez da epopeia imaginada.
“0 a 0 poderia ser a nota de Inter e Grêmio” avalia repórter sobre empate do Gre-Nal geRead More