Nova treinadora do Union Berlin masculino destaca pioneirismo do clube: “Capacidade de unir forças”
Auxiliar do Union Berlin, Marie-Louise Eta fala sobre a primeira experiência de assumir o time interinamente, em 2024
Conhecido na Alemanha por um estilo próprio, marcado pela participação ativa da torcida e uma forte identidade popular, o Union Berlin mostrou mais uma vez que não é um clube preso aos padrões do futebol de elite. Na próxima quarta-feira, contra o Wolfsburg, o time do lado oriental da capital alemã será o primeiro na história da Bundesliga comandado à beira do campo por uma mulher.
Marie-Louise Eta, de 34 anos, incluirá neste fim de temporada mais uma experiência em sua trajetória singular no clube: chegou em 2023 como auxiliar-técnica do time masculino, já dirigiu o time principal por três partidas, em 2024, na época em parceria com o também auxiliar Danjel Jumic, e comandava nesta temporada os meninos do sub-19, até ser chamada para encerrar a temporada na equipe principal, agora em voo solo. O passo seguinte também já está escolhido: ela será a técnica do time feminino a partir de julho.
Marie-Louise Eta vai substituir o técnico Steffen Baumgart, demitido sexta-feira, após a derrota para o Heidenheim, por 3 a 1, com uma missão definida: evitar o rebaixamento da equipe. Em 11º lugar, com 32 pontos, o Union Berlin está sete pontos à frente do St. Pauli, o primeiro time do Z-3, a cinco rodadas do fim. Diferentemente da experiência anterior, dessa vez ela encara sozinha o desafio.
– Estou muito feliz pelo clube ter me confiado esta tarefa desafiadora. Uma das forças do Union sempre foi a nossa capacidade de unir todas as nossas forças em situações como esta. E, claro, estou convencida de que nós, como equipe, vamos garantir os pontos necessários – afirmou a treinadora ao site do Union Berlin.
Marie-Louise Eta, técnica do Union Berlin, da Alemanha
Reuters
Com apenas duas vitórias nos últimos 14 jogos, o diretor técnico do Union Berlin, Horst Heldt, entendeu que era necessário mudar o comando na reta final da Bundesliga e não hesitou em apostar na atual treinadora do time sub-19 masculino.
– Tivemos uma segunda metade de temporada decepcionante até aqui e não vamos nos deixar cegar pela nossa posição na tabela. Nossa situação continua precária e precisamos urgentemente de pontos para assegurar nosso lugar na primeira divisão. Estou muito feliz que a Marie-Louise Eta tenha concordado em assumir o cargo interinamente antes de começar a dirigir o time feminino na próxima temporada, como estava planejado – disse o dirigente ao site do clube.
Confira a tabela completa do Campeonato Alemão
Marie-Louise Eta, auxiliar técnica do Union Berlin
Maja Hitij/Getty Images
Marie-Louise nasceu em Dresden, no Leste do país, pouco depois do fim da Alemanha Oriental. Crescendo em um dos países que há mais tempo investem no futebol feminino, ela sempre teve incentivo para praticar o esporte. Jogou em times de base locais até se profissionalizar, aos 17 anos, no tradicional Turbine Potsdam.
Marie-Louise Eta na celebração da Champions League Feminina de 2010 com o Turbine Potsdam (abaixo)
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A meio-campista de 1,65m foi tricampeã alemã (2009, 10 e 11), bi da Copa da Alemanha (2009 e 10) e alcançou a glória máxima de erguer a Champions League em 2010 com o Turbine Potsdam. Na seleção alemã, embora não tenha jogado na equipe principal, foi campeã mundial sub-20 (2010) e europeia sub-17 (2008). Na época, ainda usava seu sobrenome de família, Bagehorn, substituído pelo atual após se casar com Benjamin Eta, em 2014.
Seguidas lesões a obrigaram a encerrar a carreira de jogadora cedo, aos 26 anos, quando jogava no Werder Bremen. Foi no clube que ela teve, ainda enquanto jogadora, a primeira experiência em uma comissão técnica, dirigindo a equipe feminina sub-15, em 2014.
Marie-Louise dirigiu a seleção feminina sub-15 da Alemanha. O curso profissional de treinadores da Federação Alemã de Futebol (DFB), feito em 2022, lhe deu o direito de trabalhar em clubes da Bundesliga (primeira e segunda divisões da Alemanha), femininos ou masculinos. Já em 2023, foi chamada para ser auxiliar do time masculino sub-19 do Union Berlin.
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Marie-Louise Eta com a Licença Pro de treinadora (acima)
Após a saída do técnico Urs Fischer do time principal do Union Berlin, em novembro do ano passado, o clube chamou o técnico do sub-19, Marco Grote, para assumir interinamente a equipe, junto com toda a sua comissão. Assim, Marie-Louise se tornou a primeira mulher a integrar a equipe técnica de um time masculino da Bundesliga.
Grote dirigiu o Union Berlin em apenas um jogo e deu lugar ao técnico atual, Nenad Bjelica. Marie-Louise, no entanto, não retornou para a base, permanecendo como uma das auxiliares do croata. Quando Bjelica recebeu três jogos de suspensão, em novembro de 2024, Marie-Louise e o também auxiliar Danjel Jumic dividiram a tarefa de dirigir a equipe na ausência do treinador.
Marie-Louise Eta, auxiliar do Union Berlin, orienta o time em jogo contra o Real Madrid
Jürgen Fromme/Getty Images
Por ser falante nativa do alemão, coube a ela também a função de enfrentar os jornalistas nas entrevistas coletivas antes e após os três jogos de suspensão de Bjelica – 1 a 0 em casa no Darsmstad, derrota por 2 a 0 para o RB Leipzig e empate em 1 a 1 com o Mainz, ambos fora.
– Dois dias antes do jogo (contra o Darmstadt), estávamos conversando sobre como seriam as coisas no dia da partida (sem o treinador em campo) e como dividiríamos as funções durante o jogo. Nenad (Bjelica) obviamente estaria na tribuna, e Danjel ficaria à beira do campo, por ser seu primeiro assistente. Eu ficaria com as entrevistas, obviamente. Eu fiquei um pouco surpresa. Sabemos que o trabalho com a mídia tem muita importância, e eles confiaram em mim – comentou Marie-Louise em entrevista ao ge na época.
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