Hezbollah diz que cessar-fogo só valerá se soldados israelenses deixarem sul do Líbano
Fumaça em Nabatieh, no Líbano, após ataque de Israel, em 16 de abril de 2026.
Reuters
O Hezbollah disse nesta quinta-feira (16) que só aceitará o cessar-fogo no Líbano anunciado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, se soldados israelenses se retirarem do sul do país.
Em um comunicado, o grupo terrorista, que Israel diz alvejar com os ataques ao Líbano, afirmou que a presença de tropas de Israel concederia automaticamente ao Líbano e seu povo “o direito de resistir”.
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Em uma declaração escrita, Nabih Berri, aliado do Hezbollah e presidente do Parlamento libanês, instou os libaneses a “adiar seu retorno às suas cidades e vilarejos até que a situação se torne mais clara, de acordo com o acordo de cessar-fogo”.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quinta-feira (16) que Israel e Líbano concordaram com um cessar-fogo de dez dias.
“Esses dois líderes [de Israel e do Líbano] concordaram que, para alcançar a PAZ entre seus países, iniciarão formalmente um CESSAR-FOGO de 10 dias”, anunciou Trump.
Segundo o presidente note-americano, a trégua começará às 18h desta quinta (pelo horário de Brasília). Trump disse ainda ter falado por telefone com os líderes de ambos os países.
➡️ Embora o acordo preveja trégua com o Líbano, Israel diz estar lutando contra o grupo terrorista Hezbollah, grupo financiado pelo Irã, mas que atua no Líbano. Já o Exército libanês não se envolveu diretamente no conflito.
Após o anúncio, o Hezbollah disse em um comunicado que qualquer cessar-fogo deve impedir a presença de soldados israelenses. Antes o grupo terrorista já havia dito que não cumpriria nenhum acordo entre os dois governos.
Fontes do Exército israelense também disseram à Reuters que não há planos para a retirada dos militares de Israel que ocupam o sul do Líbano, mesmo com o cessar-fogo.
Pouco antes do anúncio de Trump, o deputado libanês Hassan Fadlallah, integrante do braço político do Hezbollah, afirmou à agência de notícias Reuters que o cumprimento do cessar-fogo por parte do grupo terrorista dependeria de Israel interromper os ataques que vem fazendo ao Líbano.
Nenhuma das duas partes havia se pronunciado oficialmente após o anúncio de Trump até a última atualização desta reportagem. No entanto, fontes do governo do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, disseram à agência de notícias Reuter que Netanyahu convocou se gabinete para uma “discussão urgente sobre o cessar-fogo no Líbano”.
Mais cedo, tanto Trump quanto o governo israelense afirmaram que os líderes dos dois países se falariam, mas o governo libanês disse que o presidente do país, Josephe Aoun, se negou a falar com Netanyahu.
O presidente norte-americano disse ainda que convidará Aoun e Netanayhu para uma reunião na Casa Branca. Caso isso ocorra, será o primeiro encontro entre líderes de Israel e do Líbano em três décadas.
As relações entre os dois países do Oriente Médio, vizinhos, são estremecidas desde a década de 1970. Israel atacou o sul do Líbano em 1978 e novamente em 1982 para combater ofensivas constantes de milícias pró-Palestina.
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