Seleção Sub-15 passa por Porto Velho e deixa rastro de sonhos antes de torneio na Croácia
Porto Velho recebeu, na última semana, mais do que treinos e um amistoso da Seleção Brasileira Sub-15. Recebeu histórias. Histórias de meninos que saíram cedo de casa, trocaram rotina, cidade, amigos… tudo por um objetivo que ainda está lá na frente, mas que já começa a tomar forma agora.
No meio do calor tropical e do céu aberto da capital rondoniense, a preparação ganhou um cenário diferente. Mas o que se viu dentro de campo foi o de sempre: intensidade, concentração e um grupo que já entende o peso de vestir a camisa do Brasil, mesmo tão jovem.
Por trás da amarelinha, tem muito mais do que talento. Tem decisão. Tem insistência. E, muitas vezes, tem alguém que acreditou primeiro.
O goleiro Arthur, por exemplo, encontrou inspiração nos grandes nomes da posição. “Eu me espelhei no Courtois e no Alisson. Foi aí que percebi que queria ser goleiro. Comecei a treinar e, um dia, um goleiro do Internacional me levou para o clube. Já estou lá há quatro anos. Sempre foi um sonho jogar no Inter e agora também na Seleção. É muita responsabilidade, mas é um sonho sendo realizado”, contou.
Histórias como a dele se repetem de formas diferentes dentro do grupo. O volante Amilton começou ainda criança, incentivado pelo pai, e foi crescendo aos poucos dentro do futebol. “Comecei numa escolinha com três anos. Fui evoluindo, me destacando nos campeonatos e subindo de categoria. Até que surgiu a oportunidade de entrar no Palmeiras. Era um sonho desde pequeno, jogar em um time grande”, relembrou.
Mas o caminho até aqui cobra. E cedo.
“Pra ser atleta tem que abrir mão de várias coisas. Dormir cedo, cuidar da alimentação, se hidratar… cuidar do corpo, que é o nosso instrumento de trabalho”, explicou Amilton, já com a maturidade de quem entendeu que talento sozinho não sustenta carreira.
Enquanto muitos jovens da mesma idade ainda estão descobrindo o que querem fazer, eles já vivem uma rotina de atleta profissional em formação. Treino, cobrança, disciplina e um objetivo muito claro no horizonte.
E quem conduz esse processo sabe exatamente o que está em jogo.
O técnico Guilherme Dalla Déa destaca que, mais do que resultados imediatos, o trabalho é formar mentalidade. “Eles têm o sonho de chegar ao profissional, de assinar contrato, de jogar pela Seleção. O nosso papel é criar um ambiente em que eles entendam a importância de aproveitar esse momento, de desfrutar da experiência, como essa competição na Croácia, que será a primeira internacional deles com a Seleção”, afirmou em entrevista exclusiva à equipe do GE.
A passagem por Porto Velho também carrega um simbolismo especial. A última vez que uma seleção de base esteve em Rondônia foi em 1999. Agora, mais de duas décadas depois, o retorno acontece com novos rostos, novos sonhos e um destino já definido: o Vlatko Markovic Tournament, que será disputado em maio de 2026.
Antes de embarcar, eles deixaram mais do que bons treinos e um amistoso na memória de quem acompanhou. Deixaram também a lembrança de que todo grande jogador começa assim: pequeno no tamanho, mas gigante no sonho.
E talvez o mais bonito disso tudo seja justamente essa fase. Quando o futuro ainda é promessa… mas já dá sinais de que pode virar história. geRead More


