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“Quero retribuir”: Júlio Baptista aposta em escola espanhola para desenvolver jovens no São Paulo

“Quero retribuir”: Júlio Baptista aposta em escola espanhola para desenvolver jovens no São Paulo

Quais treinadores inspiram Julio Baptista?
Júlio Baptista está de volta ao São Paulo após 23 anos. Revelado pelo Tricolor, o ex-meia-atacante assumiu o cargo de treinador da equipe sub-20 e está preparado para retornar à sua casa, como gosta de chamar o clube que lhe abriu as portas para o futebol.
Com discurso claro, o treinador prioriza a formação de atletas acima dos resultados no comando da base tricolor.
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Aos 44 anos, Júlio Baptista assumiu a função desde a saída de Allan Barcellos. Após uma década vivendo na Espanha, ele conta que não pensou duas vezes antes de aceitar o convite.
Júlio Baptista é o novo técnico do time sub-20 do São Paulo
Rubens Chiri/SPFC
– Um dia viemos ao São Paulo visitar os meninos, foi uma visita que fiz com o Kaká, com Fábio Simplício, e acho que esse foi o meu primeiro encontro. Depois, houve uma conversa na qual existia a possibilidade de eu ter interesse de voltar para minha casa.
– Naquele momento, não seria para o Sub-20, seria para o Sub-17, e realmente eu não pensei duas vezes, queria voltar. Necessitava de um estímulo diferente, um projeto que eu me sentisse motivado para trabalhar. Voltar para a minha casa me deu a motivação que eu acho que estava faltando para mim.
Inspirações
Como jogador, Júlio Baptista colecionou passagens por grandes times da Europa, como Arsenal e Real Madrid. Após pendurar as chuteiras, logo decidiu que seu caminho seria dentro de campo, e por isso mergulhou nos estudos. Na última década, obteve as licenças A e B da Uefa, fez um estágio no Levante, equipe espanhola, e teve uma longa passagem pelas categorias de base do Real Valladolid.
– Por mais que tenha obtido experiência como jogador, ela não forma como treinador, o que forma é uma base de estudo com uma base de experiência como treinador. Acabei tendo em um dos melhores lugares que poderia ter, que foi na Espanha, e também tive experiência de poder trabalhar lá.
Júlio Baptista em ação pelo Real Madrid
Jasper Juinen/Getty Images
Júlio Baptista evita definir o estilo de jogo que sua equipe terá, mas busca inspiração em técnicos com quem trabalhou: Arsène Wenger, no Arsenal, Manuel Pellegrini, no Málaga e Vanderlei Luxemburgo, no Real Madrid.
– O que quero fazer é replicar. As experiências que tive me ajudaram a chegar mais próximo dos meus objetivos. Todos esses treinadores foram os que me moldaram durante minha carreira e me ajudaram nesse processo.
Escola europeia no Brasil
São Paulo anuncia Júlio Baptista como novo técnico do sub-20
Júlio Baptista deixou o São Paulo em 2003 para atuar no Sevilla. De lá, teve passagens por Arsenal, Real Madrid, Roma e Málaga. Em 2013, ainda defendeu o Cruzeiro no futebol brasileiro antes de se transferir ao Orlando City para encerrar a carreira.
Tamanho sucesso no futebol internacional lhe rendeu o apelido de “La Bestia”. O treinador acredita que pode aplicar o que aprendeu lá fora na base do futebol brasileiro, principalmente se tratando de entendimento tático dos atletas desde cedo.
– Diferença não tem tanto, a única é que em uma categoria tão avançada como o Sub-20, os jogadores europeus chegam a nível tático com um pouco mais de formação, e esse entendimento de jogo um pouco melhor. Mas é algo que em seis meses esses meninos vão estar interpretando muito bem todas as situações de jogo, tudo que estamos propondo. Vai ser um desafio bem legal para eles conhecerem uma nova forma de jogar e entender o futebol.
Júlio Baptista no CT de Cotia, seu novo local de trabalho
Rubens Chiri / São Paulo FC
Mais do que títulos
O treinador descarta uma pressão por resultados e define que a formação de jogadores é seu principal objetivo no momento.
– Eu acredito muito em uma estrutura de trabalho formativa. Claro que trabalho formativo ganhando é muito melhor, mas o que adianta um time ser campeão, ter jogadores mais velhos, acima da média de idade, e não aproveitar nenhum jogador lá em cima?
– A gente tem uma dissonância totalmente diferente da estrutura e do pensamento que é o pensamento do São Paulo, porque se o pensamento do clube é formar jogadores, a gente tem que trabalhar nessa formação, nessa ajuda para que esses jogadores cheguem completos aos profissionais, esse é o principal.
Júlio Baptista ainda não teve a oportunidade de conversar com Roger Machado, atual treinador do São Paulo, mas deseja que o encontro ocorra em breve.
– O pessoal da Barra Funda sinalizou que, no momento oportuno, em que as duas comissões possam, eu irei até lá para conhecê-los, eles também, ver a forma como trabalham para poder ajudar. Afinal, eu estou aqui em uma função de ajudar os jovens e poder municiar o primeiro time, os profissionais do São Paulo, com os jogadores daqui.
Julio Baptista, trabalhando na base do São Paulo, comenta sobre Roger Machado
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Em prol do futebol brasileiro
Júlio Baptista integra uma classe de ex-jogadores que seguem trabalhando nos clubes. Com 48 jogos e cinco gols marcados pela Seleção Brasileira, o ex-atacante disputou a Copa do Mundo de 2010 e defende que mais atletas com carreiras vitoriosas entrem no dia a dia do futebol.
– Quantos treinadores temos dessas gerações? Nós temos poucos, sei os que são, sobretudo os que têm a titulação de treinador. Então realmente a nossa geração de jogadores brasileiros, a maioria foi para outra linha, e poucos foram para a linha de treinadores. Isso querendo ou não empobrece o nosso futebol, porque foram jogadores que tiveram passagens pela Seleção, carreiras vitoriosas.
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– Mas é normal, a vida de jogador é complicada, são mais de 20 anos sem ter uma vida tranquila. Chega em um momento que tem que gostar muito para virar treinador, alguns preferem ter uma vida mais tranquila, mais fora do foco. Eu decidi por essa linha porque acredito que tudo que obtive foi pelo futebol. O futebol me deu muito e quero retribuir um pouco do que eu ganhei.
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