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Situação de Hulk constrange um Atlético sem norte

Situação de Hulk constrange um Atlético sem norte

Momentos antes da partida, Hulk é retirado da relação de Atlético-MG x Flamengo
É possível que o último episódio de Hulk como jogador do Atlético-MG tenha se resumido à seguinte sequência de ações: ir ao estádio com o elenco, rumar para o vestiário, aparecer na escalação como reserva e então, repentinamente retirado da partida, voltar para casa – isso tudo em uma noite na qual seu time, como mandante, levaria 4 a 0 do Flamengo, um rival odiado pela torcida.
Por mais que o futebol muitas vezes rejeite sentimentalismos, é esquisito ver tamanha frieza na (provável) despedida de um ídolo, seja quem for o responsável pela decisão. Segundo o Atlético, ela foi tomada em comum acordo, por Hulk ter proposta de um clube brasileiro. Se fosse a campo, ele quebraria o limite de 12 partidas e não poderia vestir outra camisa no campeonato.
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Hulk; Atlético-MG x Flamengo
Pedro Souza / Atlético-MG
Será preciso tempo, distanciamento, para entender a participação de cada parte nessa história – de Hulk e seus representantes; do Atlético e seus dirigentes. É uma relação que vem se desgastando a conta-gotas, em especial desde o começo do ano, quando o atacante ficou insatisfeito com a proposta de renovação do Galo e tentou se transferir para o Fluminense. Agora, o clube carioca volta à carga para contratá-lo.
Há algo de podre no reino da Dinamarca, diria o bardo. Um jogador, mesmo que fosse um jogador qualquer, não é retirado (ou se retira) de uma partida enquanto aquece no vestiário uma hora antes de a bola rolar. Propostas não brotam do nada; decisões não são tomadas em um estalo. Na quinta-feira, Hulk já havia falado sobre a possibilidade de sair no meio do ano – e disse que debateu isso em uma “conversa com quem manda”.
Denilson “revelou” o que dizia mensagem lida por Hulk
Por que, então, ele foi para o jogo? Por que não foi sacado antes? E, já que foi, por que não ficou para apoiar um elenco do qual é líder? Por que tamanho constrangimento para o clube e para o jogador?
Na mais amistosa das hipóteses, todo esse imbróglio envolvendo Hulk mostra uma diretoria atrapalhada; na pior, ilustra um clube completamente sem norte. A atuação contra o Flamengo ecoou o choque da repentina ausência do ídolo para o time; a ausência do ídolo decorreu de problemas mais graves, sinalizados por jogadores em entrevistas nas quais atestam o distanciamento entre o vestiário e os gabinetes.
A consequência é desastrosa. O Atlético está à beira da zona de rebaixamento, tem três derrotas seguidas no Brasileirão, é o time que mais perdeu no campeonato e desnudou, diante da torcida, a distância oceânica que o separa das melhores equipes do país. O trabalho do técnico Eduardo Domínguez não aparece em campo, como evidenciou a facilidade dos atacantes do Flamengo para entrar na defesa atleticana – pareciam globetrotters jogando contra um grupo de crianças. Mas como cobrá-lo no meio de tanto barulho?
Hulk; Atlético-MG x Cruzeiro
Gilson Lobo/AGIF
A sensação é de desesperança. Sai treinador, entra treinador, e o rendimento continua sofrível. O técnico cobra os jogadores publicamente, diz que é preciso deixar de lado o egoísmo, pede mais união – mas nada melhora. Diretoria, comissão técnica e elenco se reúnem em busca de um entendimento – e um dia depois a equipe é goleada em casa.
Por trás de tudo isso, está o fracasso dos primeiros anos do Atlético como SAF. Desde julho de 2023, quando ocorreu a mudança administrativa, o clube acumula mais turbulências do que avanços. Nada indica um horizonte diferente – e a saída do principal ídolo do elenco é mais um passo nesse processo de desconfiança. geRead More