RÁDIO BPA

TV BPA

São Bento inaugura museu para contar 112 anos de história nos gramados

São Bento inaugura museu para contar 112 anos de história nos gramados

O São Bento inaugura um museu para contar seus 112 anos de história nos gramados. O local escolhido não poderia ser mais emblemático: o Complexo Humberto Reale, no antigo estádio na avenida Nogueira Padilha, onde Pelé enfrentou o Azulão por quatro vezes pelo Santos e não ganhou nenhuma vez, e que atualmente é um centro de treinamento.
O acervo preserva e expõe as taças de campeão da Série A3 do Paulista de 2013 e da Copa Estado de São Paulo, atual Copa Paulista, de 1985 e 2002; e de vice-campeão da Série A2 em 2020 e 2022, além de uma faixa do primeiro acesso do clube à Divisão Especial, em 1962. A primeira de todas as conquistas, a Taça Pierrot, conquistada sobre o XV de Piracicaba em 1917, também integrará o acervo.
Leia também
+ São Bento anuncia desistência da Copa Paulista e só voltará a jogar em 2027
+ Rebaixamento, dívidas e SAF: os desafios do novo presidente do São Bento
Museu reúne as principais taças conquistadas pelo São Bento em sua história
Eric Mantuan
Uma vitrine também expõe símbolos do clube, como o pássaro Azulão, o Chico Bento – que segundo entrevista do seu criador, Mauricio de Sousa, à revista Placar, torce para o São Bento – e o mascote Tira Prosa, criado pelo cartunista Pinochio nos anos 1960.
Há, ainda, uma área destinada ao autor do hino beneditino, Ulderico Amêndola, e que expõe a máquina de escrever original usada pelo artista, radialista e escritor. Ao seu lado, um painel conta os primórdios do clube, que tem raízes nos trabalhadores da fábrica de chapéus Souza Pereira, e que nasceu em 14 de setembro de 1913 como Sorocaba Athletic Club – mudando de nome para Sport Club São Bento no dia 13 de outubro de 1914.
Espaço dedicado a Ulderico Amêndola, autor do hino do clube, expõe a máquina de escrever dele
Eric Mantuan / ge
Também há espaço para a história da Rua dos Morros e seu estádio, construído entre os anos 1920 e 1930, ampliado em 1963 com o acesso à elite e desativado em 1978 com a inauguração do estádio Walter Ribeiro (CIC), e um ambiente para exposições temporárias, que terá como primeiro tema a seleção brasileira em razão da Copa do Mundo de 2026.
O museu foi implantado pela Associação Vamos Subir, Bento! (AVSB), com apoio da diretoria do clube, torcedores e parceiros. A abertura, exclusivamente para sócios, será na terça, às 19h30. Na quarta, no mesmo horário, ocorre uma cerimônia institucional para autoridades e convidados. A visitação aberta ao público em geral será aos sábados, das 10h às 16h.
Museu está instalado no Complexo Humberto Reale
Eric Mantuan
Segundo o presidente da AVSB, o publicitário William Alves de Araújo, o museu concretiza um sonho de mais de uma década e a proposta é que o local seja um espaço vivo, não limitado apenas a prateleiras e objetos.
– A visitação gratuita é para permitir mesmo que a comunidade esteja aqui dentro, e parte importante da comunidade são as crianças e as escolas. Toda a concepção do museu foi pensada nesse entrelaçamento da história de Sorocaba com a do clube, porque nos últimos 112 anos não tem como se falar em Sorocaba sem São Bento e de São Bento sem Sorocaba. Vai ser uma forma divertida dos professores contarem a história da cidade para as crianças.
William Alves, presidente da Associação Vamos Subir, Bento!
Eric Mantuan
“Salve a chama sempre viva”
Uma parede do museu é inteira dedicada aos torcedores do São Bento: dos famosos, como o ator Paulo Betti e o médico e jornalista Osmar de Oliveira, às torcidas organizadas: Falcão Azul, Sangue Azul, Força Azul e a pioneira Torcida Uniformizada Tira-Prosa Sorocaba, formada em 1975, e que ajudou inclusive a quebrar o preconceito contra a mulher nos estádios.
Uma foto do acervo emociona a aposentada Maria Helena Ramalho. Juntamente das irmãs Rosa e Marina e, mais tarde, das filhas Lígia e Pollyanna, ela experimentou todas as emoções proporcionadas pelo Azulão nos últimos 50 anos, sejam elas boas ou ruins.
Maria Helena Ramalho, uma das integrantes da Tira-Prosa, primeira torcida uniformizada do clube
Eric Mantuan
– A minha vida se mistura com a história do São Bento e se fôssemos fazer um livro sobre a família Ramalho, o São Bento ia fazer parte de muitos capítulos. São muitas histórias com o clube, de vitórias e alegrias, e derrotas para levar para casa. Existia muita hostilidade em relação à presença feminina nos estádios, espaço considerado absolutamente masculino. Tivemos de ultrapassar essa barreira para fazer valer a nossa vontade de ser um torcedor de futebol e prestigiar o clube da cidade.
– Aprendemos a gostar tanto desse clube que contar a história dele e fazer parte dele é muito misturado com a nossa vida. Criei minhas filhas desde pequenas indo ao estádio junto comigo e fazendo parte do futebol como uma alegria, uma festa familiar. O futebol tem que ser vivido em família.
Painel conta os primórdios do clube, que tem raízes nos trabalhadores da fábrica de chapéus Souza Pereira
Eric Mantuan geRead More