Luís Castro se diz preparado para vendas de jovens do Grêmio: “Saúde financeira”
Quase negociado no ano passado, Viery se destaca e vira alvo da Europa
O técnico Luís Castro tem notabilizado no Grêmio pelo uso contínuo e destemido dos jovens nestes primeiros quatro meses de trabalho. A ponto de consolidar figuras como o zagueiro Viery, que seria dispensado, no time titular. O português está preparado para perder destaques do time, citou o início de Cristiano Ronaldo como exemplo no tratamento com jogadores da base e também disse que o Tricolor precisa ser cirúrgico no mercado no meio do ano.
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Os pontos mais positivos do trabalho do treinador até o momento decorrem justamente da valorização da base, algo já planejado desde as primeiras conversas com a diretoria. Em entrevista a GZH, Luís Castro disse que viu “paixão” pelo projeto nos dirigentes. E a formação e posterior venda é vista como algo natural.
– Eu trabalho para isso (vender jovens). Eu sei que o clube só consegue se sustentar nesse caminho. Tenho é que ter mecanismos de responder a isso que vai acontecer no caminho. Nisso entra a monitorização de jogadores. Nós vendemos por 25 ou 30 milhões e vamos buscar por 7, 8 ou 9. Que vem, valoriza e depois sai por 15, 10 milhões. É isso que faz os clubes serem grandes em termos financeiros, porque o Grêmio já é grande, mas claramente quer uma maior saúde financeira – destacou Castro.
– O mais importante para nossos adversários será sempre como iremos consolidar o clube em termos financeiros. Por que quem for frágil financeiramente não oferece perigo naquilo que é a competição desportiva.
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Ao mesmo tempo, o Grêmio já observa o mercado e se antecipa em possíveis alvos para mudanças no elenco. Nos bastidores, se considera quase inevitável receber propostas por jovens como Viery e Gabriel Mec, atualmente titulares.
– Cada uma das janelas deverão ser cirúrgicas. Quem não tem muito dinheiro no bolso não pode errar os alvos. O que temos como meta é não falhar qualquer um dos alvos, porque isso pode ser fatal para o projeto. Estamos sempre muito atentos ao mercado e sabemos que temos de fazer uma ou outra coisa que o mercado vai nos obrigar a fazer.
Castro tem 16 jogadores formados na base entre os 37 do elenco principal, alguns ainda sem estar fixos no grupo, como o lateral-esquerdo Pedro Gabriel, que consta no site do Grêmio como integrante do sub-20, mas é o titular da posição atualmente.
Luís Castro em entrevista
Jeff Bottega/Agência RBS
O treinador também comentou o processo de ascensão dos guris e medidas necessárias. O volante Tiaguinho, por exemplo, foi titular no início da temporada, mas recebeu poucas chances desde então. Luís Castro citou Cristiano Ronaldo para explicar a ausênca e afirmou que as dificuldades também ensinam.
– Eu dou sempre o exemplo do Alex Ferguson com o Cristiano Ronaldo. O Cristiano, quando chegou ao Manchester United, fazia um grande jogo e quando pensava que ia jogar, o Ferguson o colocava no banco. E ele muito revoltado. E depois botava uns minutos e tirava. Isso faz parte do processo de crescimento e da personalidade do jogador. Nem sempre um jogador muito bom tem que jogar sempre. Ele está sendo educado e tem que aprender a viver com a frustração. Se frustrar também é da vida. A vida não é só coisas boas, também tem coisas tristes e o jogador também progride com coisas tristes – explicou.
Comparação SAF e clube associativo
O português vive a segunda experiência no futebol brasileiro. A primeira foi no Botafogo, entre 2022 e 2023. Enquanto no Fogão o clube tinha John Textor como dono e estava inserido em uma SAF, no Tricolor trabalha com o modelo associativo e de dirigentes amadores e profissionais.
–Aqui entra uma coisa que pode, às vezes, contaminar o caminho que é a pressão vinda de fora. Por duas vezes tive períodos muito ruins no Botafogo e o Textor aguentou a pressão de fora, da mídia, da torcida, de todo lado. E às vezes me questiono, será que se esta pressão fosse em cima de alguém que não é dono do clube, seria aguentada? Há modelos associativos que aguentam, mas há um momento que há a ruptura total. E aí nos leva a pensar que realmente a estrutura de SAF aguenta mais os impactos negativos ao longo de uma temporada. Eu me lembro de ver as faixas de “vai embora Luís Castro” e eu continuei, né? E depois de três meses, quando eu fui embora, era “fica, fica”. As coisas mudam muito rapidamente e é bom as diretorias estarem estáveis – comparou Luís Castro.
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