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Cria do São Paulo e na luta pelo título no Forest, Morato conta vitórias e perrengues na Europa

Cria do São Paulo e na luta pelo título no Forest, Morato conta vitórias e perrengues na Europa

Morato fala do clima no Forest antes de disputar a semifinal da Liga Europa
Zagueiro do Nottingham Forest, Morato vive o ponto mais alto da carreira às vésperas de uma semifinal europeia. Em meio à expectativa pelo duelo com o Aston Villa pela semifinal da Liga Europa, nesta quinta, o defensor brasileiro de 24 anos conversou com o ge e revisitou os caminhos que o levaram até ali.
De uma saída precoce e “sem escolhas” do São Paulo após o título da Copinha de 2019 à consolidação no futebol europeu, o zagueiro falou da importância de Jorge Jesus na profissionalização pelo Benfica e também do amadurecimento na Inglaterra.
Morato comemora classificação em Porto x Nottingham Forest
REUTERS/Pedro Nunes
Acho que já é um momento mágico, mas, se a gente conseguir se consagrar, vai ser lembrado para o resto da história”
Bicampeão europeu no fim dos anos 1970, o Nottingham Forest voltou a viver noites continentais nesta temporada depois de um longo hiato. O clube não chegava a uma semifinal europeia há mais de quatro décadas. O último título relevante ainda remonta à temporada 1989/90, com a conquista da Copa da Liga Inglesa.
Morato
Michael Regan/Getty Images
– É muito louco, porque se a gente parar para pensar são 42 anos (sem semifinal europeia). Se a gente olhar, acho que talvez 70% ou 80% dos torcedores não chegaram a ver aquele momento, talvez até 90%. E poder estar de volta, podendo alcançar ainda mais, que é a final, enche a gente de esperança. Com certeza, o torcedor, por ser uma cidade pequena, está sempre junto com a gente, sempre nos jogos, sempre nos acolhendo – afirma Morato ao ge.
O Nottingham Forest recebe o Aston Villa nesta quinta-feira, às 16h (de Brasília), no City Ground, pelo jogo de ida da semifinal da Liga Europa. O ge vai acompanhar a partida em Tempo Real. O confronto de volta está marcado para o dia 7 de maio, no Villa Park, também às 16h.
Morato lembra saída precoce do São Paulo para o Benfica
Morato foi revelado no Morumbi em uma geração vitoriosa da base do São Paulo. A trajetória do zagueiro até o futebol europeu, porém, começou de forma abrupta. Campeão da Copinha pelo São Paulo em 2019 com uma geração promissora que contava com nomes como Gabriel Sara e Antony, o zagueiro viu a chance de atuar no time principal dar lugar a uma mudança imediata para Portugal, para atuar no Benfica, em um movimento que, segundo ele, aconteceu sem muita margem para decisão. Na ocasião, foi vendido por R$ 27,3 milhões ao time português.
Morato em ação pelo Nottingham Forest contra o Leicester City
Jon Hobley | MI News/NurPhoto via Getty Images
– A minha expectativa era jogar no Morumbi lotado, numa noite de Libertadores, num domingo de Campeonato Brasileiro. Não foi possível, quem sabe no futuro. Eu não esperava (a saída tão cedo). Eu tinha jogo no dia em que viajei (para Portugal), foi tudo muito rápido. Tinha partida em Cotia (base do São Paulo), às 15h, e, na hora do almoço, falaram que eu não ia jogar, que teria que viajar para Portugal. Aconteceu muito rápido. Meus pais estavam lá também, só deu tempo de me despedir, pegar minhas coisas e ir para o aeroporto – disse Morato, que prosseguiu:
– Dali em diante, eu não tive escolha de dizer sim ou não, já tinha acontecido. E também não tenho do que reclamar. Olhando para trás, não tenho do que reclamar. Claro que eu gostaria de ter jogado pelo São Paulo, mas ter ido para o Benfica, que acolhe muito bem e tem uma formação excelente, foi muito bom para mim – declarou.
No Benfica, Morato encontrou o ambiente ideal para amadurecer e dar sequência à carreira. Inicialmente no time B, ganhou espaço até chegar ao elenco principal, participando de uma conquista do Campeonato Português e consolidando sua formação no futebol europeu. O processo, segundo Morato, teve influência direta de Jorge Jesus, que tinha deixado o Flamengo há pouco tempo na época.
Jorge Jesus Morato Benfica
Tânia Paulo/SL Benfica
– Ele que me subiu do time B, inclusive. É um grande treinador, que me ensinou muita coisa e me colocou em vários jogos. Meus primeiros momentos, meus primeiros jogos e a primeira convivência no profissional foram com ele. Pude entender como é estar ali no grupo, no dia a dia. Fica a minha gratidão a ele por tudo isso.
O Jorge Jesus era muito explosivo. É aquele “paizão” que vai te xingar, mas depois te chama de lado”
Morato fala da relação com Jorge Jesus no Benfica
Prestes a enfrentar o Aston Villa nesta quinta-feira, Morato também deu detalhes da relação com os brasileiros do Nottingham Forest, brincou com o estilo tranquilo de Igor Jesus e também comentou o sucesso do amigo Danilo, que deixou o clube inglês para ser destaque no futebol brasileiro pelo Botafogo. Confira na entrevista abaixo.
Morato no São Paulo
Juca Pacheco / saopaulofc.net
Diferenças e semelhanças de Jorge Jesus e Vitor Pereira
– Ah, é bom, é bom (trabalhar com portugueses). Primeiro pela nossa língua, né? Os elogios e as cobranças a gente entende. O Jorge Jesus era muito explosivo. É aquele “paizão” que vai te xingar, mas depois te chama de lado, às vezes até na frente de todo mundo, e, do jeito dele, tenta te confortar. Não chega a pedir desculpa, mas demonstra isso de outra forma.
– O Vítor Pereira também é assim, um paizão, gosta muito de conversar. Os dois são muito técnicos, gostam bastante de tática e de jogo bem jogado. E é isso. Acho que os treinadores portugueses com quem trabalhei até agora são assim. O Nuno também, quando cheguei, era muito estrategista, acompanhava todos os jogos. Cada partida é tratada de uma forma. É bom trabalhar com os portugueses.
Morato fala da relação com técnicos portugueses
Reuters/Andrew Boyers
Parceria com Di María no Benfica
Morato elogia parceria com Di Mária: “Vou levar para a vida”
– Já me perguntaram isso, e eu sempre falo que é o melhor jogador com quem já joguei até agora. Acho que vai estar no meu top 3, e vou ter a oportunidade de dizer, no futuro, que joguei com ele. É um cara muito simples, muito humilde. E foi o primeiro jogador que eu olhava assim, porque existem aquelas histórias de bola parada, né? De que o cara nunca erra, que bate dez e acerta dez. Eu pensava: “não é possível”.
– Aí tirei minhas próprias conclusões vendo o Di María. Falei: “não é possível isso”. Ele bate cinco de um lado, é gol. Bate cinco do outro, é gol. Cobra escanteio e faz gol olímpico. Então, é um aprendizado. É algo que eu vou levar para a vida.
Morato pelo Benfica
Pedro Loureiro/Liga Agencia
Sonho de jogar no Brasil
– Acompanho o São Paulo, acompanho sempre o futebol brasileiro. Não vou falar em dívida, né? Mas acredito que talvez eu tenha que colocar na realidade as expectativas que criei lá atrás. Eu ainda não joguei no Brasil. Tenho o sonho de jogar lá. Não sei se será pelo São Paulo, se for, excelente. Mas tenho esse desejo, porque ainda não atuei no país. Então, se eu voltasse, talvez esse seria o meu maior motivo. E, se fosse no São Paulo, seria melhor ainda.
Morato diz que tem o sonho de atuar no futebol brasileiro
Time com mais brasileiros na Premier League
– Para nós é muito bom. É muito difícil para nós, brasileiros, chegar a um país totalmente diferente. O clima é muito diferente, a comida é muito diferente, a língua não é a nossa. Então, ter alguém já ajuda. Acho que, com três ou quatro jogadores, além da comissão portuguesa e de alguns portugueses que já trabalhavam no clube antes da chegada do Vítor, isso agrega muito. A gente se sente mais confortável. Por outro lado, também pode ser prejudicial, porque a gente acaba não falando tanto inglês e fica mais entre nós, falando português. Mas, ainda assim, é muito melhor ter brasileiros e portugueses por perto para conversar.
Morato brinca com número de jogadores brasileiros no Forest
Parceria com o Igor Jesus no Forest
– Cara, é muito bom. Às vezes a gente está conversando e ele troca de assunto do nada. Ou solta alguma coisa que ninguém espera, e todo mundo fica olhando e fala: “Tá…” Ou então ele manda uma frase do tipo: “Pô, mano, não vai pra chuva, hein? Senão você vai se molhar”. Aí a gente responde: ‘Tá, mano, a gente sabe disso, todo mundo sabe’. E ele insiste: “Mas se molha mesmo, não vai lá, não”. Aí ele já muda de assunto. Mas é muito bom. Parece que ele está sempre “chapado”, digamos assim (risos).
Morato brinca com parceria com Igor jesus: “Muito carismático”
Inspiração na própria trajetória e sonho de Seleção
– Olha, acho que é a minha história. Se eu parar para ver tudo o que fiz para estar aqui… muitos jogadores vêm de origens humildes. Eu estou feliz aqui. Tudo o que aconteceu na minha vida foi de forma natural. Claro que o sonho maior é representar a nossa Seleção, seja no curto ou no longo prazo, vou trabalhar para isso. Mas, falando de clube e de Seleção, acho que meu maior desejo agora é aproveitar esse momento que estou vivendo e tentar, um dia, chegar à seleção brasileira.
– Primeiro porque a gente já está em uma vitrine muito grande, que é o Campeonato Inglês. E, ganhando a Europa League, a visibilidade aumenta ainda mais. Acho que todo mundo acompanha, junto com as outras finais europeias. Talvez seja a segunda competição mais importante, o que não tira o brilho. Então, acredito que, se a gente chegar à final, é bom para o time, é bom para os jogadores, e todo mundo ganha mais visibilidade, o que é normal.
Sucesso de Danilo no Botafogo após saída do Fortest
Morato lembra passagem de Danilo, do Botafogo, pelo Forest
– O Danilo, como ele gosta de ser chamado, o “pivete”, era nosso… não tinha dia ruim. Estava sempre rindo, sempre com boas vibrações. É meu parceiraço. Aconteceu que ele se machucou aqui. E, quando voltou, talvez já não estivesse no mesmo ritmo de quem estava jogando.
– Eu não sei exatamente o que aconteceu depois que acabou a temporada, então não posso falar. Mas acho que, às vezes, é aquele momento de dar um passo para trás ou mudar de ares. E tem sido muito bom para ele. A gente vê que ele está muito à vontade no Brasil, no Rio de Janeiro, praia… tudo isso ajuda bastante. Agora é torcer para que ele esteja na Copa do Mundo e possa ajudar a nossa seleção.
Morato após deixar o São Paulo e acertar com o Benfica
Divulgação/Benfica
Chegada na Europa e barreiras na Inglaterra
– Acho que a ida para Portugal muito jovem foi ruim, mas também foi boa para mim. Saí muito cedo, sem jogar, mas fui para um país que é praticamente parecido com o nosso. Clima, ambiente… o jogo é um pouco diferente, mas ajudou.
– E a vinda para cá (Inglaterra) e eu tenho me adaptado bem. Já posso dizer que estou quase adaptado. Antes, eu não entendia inglês; hoje já consigo entender. Não falava, agora já consigo falar muito mais do que quando cheguei. Em relação ao jogo, acho que é totalmente diferente de tudo que já joguei. São partidas a cada três dias, com uma intensidade muito alta. Se você não estiver preparado, tanto faz enfrentar o último ou o primeiro: se não entrar bem, você perde.
Morato fala do choque de realidade em adaptação ao futebol europeu
– Cara (os perrengues), acho que é o que todo mundo passa. A gente pergunta em português, o cara não entende, aí ele pergunta para alguém do lado. Mas, às vezes, quem está do lado também não fala português, e aí ficam os três se olhando. Nessa hora, eu pego o celular e coloco no tradutor (risos). geRead More