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Argentina vai aumentar impostos sobre combustíveis em maio

Argentina vai aumentar impostos sobre combustíveis em maio

 O presidente da Argentina, Javier Milei, em 2 de abril de 2026
REUTERS/Agustin Marcarian
O governo da Argentina aumentará parcialmente os impostos sobre combustíveis em maio. As informações foram publicadas no Diário Oficial da Argentina nesta quinta-feira (30).
A decisão acontece em meio ao avanço dos preços de petróleo no mercado internacional, impulsionada pela guerra no Irã. Segundo informações da Bloomberg News, os preços da gasolina na Argentina já acumulavam uma alta de 20% desde o início do conflito, em fevereiro.
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O aumento dos impostos sobre combustíveis também vem pouco tempo após o anúncio feito pela estatal argentina de energia YPF no início do mês, de que deixaria os preços da gasolina estáveis nos postos por 45 dias.
“Vamos deixar os preços aproximadamente constantes por 45 dias. […] Se o preço do Brent subir ou cair, vamos manter a gasolina aproximadamente constante”, afirmou o CEO da companhia, Horacio Marin, em entrevista à TV La Nacion.
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Os preços do petróleo tipo Brent, referência internacional, já acumulam uma alta de mais de 62% desde o início da guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro. Na véspera, o barril da commodity encerrou a sessão cotado a US$ 118,03 — no maior patamar em quase quatro anos.
Os preços mais caros de combustíveis também já começaram a aparecer na inflação argentina. Dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec) do país, indicaram que o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) registrou uma alta de 3,4% em março, puxado principalmente pelos setores de educação (12,1%) e transporte (4,1%).
O resultado mostrou uma aceleração em relação aos 2,9% registrados em fevereiro e marca o maior nível em um ano. No acumulado em 12 meses até março, o indicador ficou em 32,6%, abaixo dos 33,1% registrados no mês anterior.
Ajuste econômico
A Argentina, que já vinha enfrentando uma forte recessão, passa por uma ampla reforma econômica. Após tomar posse, em dezembro de 2023, Milei decidiu paralisar obras federais e interromper o repasse de dinheiro para os estados.
Foram retirados subsídios às tarifas de água, gás, luz, transporte público e serviços essenciais. Com isso, houve um aumento expressivo nos preços ao consumidor.

O país também observou uma intensificação da pobreza no primeiro semestre de 2024, com 52,9% da população nessa situação. No segundo semestre de 2025, o percentual caiu para 28,2%, no menor nível em sete anos.
Por outro lado, o presidente conseguiu uma sequência de superávits (arrecadação maior do que gastos) e retomada da confiança de parte dos investidores.
Além disso, desde o ano passado, o governo e o Banco Central da Argentina lançaram uma série de medidas de naturezas monetária, fiscal e cambial para injetar dólar no país, com o objetivo de fortalecer o cumprimento do acordo com o FMI para a recuperação econômica.
O objetivo do governo é estabilizar a inflação, reforçar as reservas comerciais, melhorar o câmbio e atrair investimentos, enquanto avança no rigoroso ajuste econômico promovido por Milei.
*Esta reportagem está em atualizaçãog1 > EconomiaRead More