EUA e Irã avançam por acordo de curto prazo e com 3 etapas para acabar com a guerra
EUA e Irã próximos de acordo limitado para interromper a guerra
Os Estados Unidos e o Irã estão se aproximando de um acordo limitado e temporário para interromper a guerra, disseram fontes e autoridades à agência de notícias Reuters nesta quinta-feira (7), com um esboço de estrutura que interromperia os combates, porém deixaria as questões mais controversas sem solução.
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O plano emergente está centrado em um memorando de curto prazo, em vez de um acordo de paz abrangente, ressaltando as profundas divisões entre os dois lados e sinalizando que qualquer acordo nesse estágio seria uma etapa provisória.
As esperanças de que mesmo um acordo parcial possa levar à reabertura do Estreito de Ormuz já movimentaram os mercados, com as ações globais atingindo recordes de alta nesta quinta e os preços do petróleo sofrendo perdas acentuadas com as apostas de que as interrupções no fornecimento poderiam diminuir.
Teerã e Washington reduziram as ambições de um acordo abrangente, já que as diferenças persistem, principalmente em relação ao programa nuclear do Irã — incluindo o destino de seus estoques de urânio altamente enriquecido e por quanto tempo Teerã interromperia o trabalho nuclear.
Em vez disso, eles estão trabalhando em um acordo temporário com o objetivo de evitar o retorno do conflito e estabilizar a navegação pelo estreito, disseram as fontes e as autoridades.
“Nossa prioridade é que eles anunciem o fim permanente da guerra e que o restante das questões possa ser resolvido quando eles voltarem às negociações diretas”, disse à Reuters uma autoridade de alto escalão paquistanesa envolvida na mediação entre os dois lados.
A estrutura proposta se desdobraria em três etapas, segundo as fontes e autoridades ouvidas pela agência:
o fim formal da guerra;
a resolução da crise no Estreito de Ormuz, e
o lançamento de uma janela de 30 dias para negociações sobre um acordo mais amplo,
Uma fonte paquistanesa e outra fonte informada sobre a mediação também disseram à Reuters que um memorando de uma página para encerrar formalmente o conflito estava próximo, embora ainda haja diferenças entre os lados.
Trump otimista, Irã cético
O presidente Donald Trump discursa antes de assinar uma proclamação no Salão Oval da Casa Branca, na terça-feira, 5 de maio de 2026, em Washington
AP/Jacquelyn Martin
O presidente dos EUA, Donald Trump, que tem repetidamente defendido a perspectiva de um avanço desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, com os ataques israelenses e norte-americanos contra o Irã, adotou um tom otimista.
“Eles querem fazer um acordo, é muito possível”, disse ele a repórteres na Casa Branca na quarta-feira, acrescentando mais tarde que “isso acabará rapidamente”, em referência ao conflito.
A proposta encerraria formalmente a guerra, que já teve os bombardeios em grande escala interrompidos por um cessar-fogo que já dura exatamente um mês nesta quinta. Porém, o documento atual deixa sem solução as principais exigências dos EUA de que o Irã suspenda seu programa nuclear e reabra o Estreito de Ormuz, disseram as fontes.
Israel, que também tem lutado contra o Hezbollah apoiado pelo Irã no Líbano, disse na quinta-feira que havia matado um comandante do grupo terrorista libanês em um ataque aéreo em Beirute um dia antes, o primeiro ataque israelense à capital libanesa desde que um cessar-fogo foi acordado no mês passado.
O Hezbollah desencadeou o mais recente conflito com Israel ao abrir fogo em apoio ao Irã em 2 de março. A interrupção dos ataques israelenses no Líbano é outra exigência fundamental do Irã nas negociações entre Teerã e Washington, e as autoridades iranianas demonstraram ceticismo em relação à proposta dos EUA de encerrar a guerra mais ampla.
Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores disse que Teerã responderia no devido tempo, enquanto o parlamentar Ebrahim Rezaei descreveu a proposta como “mais uma lista de desejos norte-americanos do que uma realidade”.
O presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Baqer Qalibaf, pareceu zombar dos relatos que indicavam que os dois lados estavam próximos, escrevendo nas mídias sociais que a “Operação Trust Me Bro fracassou” e retratando as negociações como uma ilusão dos EUA após seu fracasso em reabrir o estreito.
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