Análise: Itabaiana faz boa aposta em Chamusca, mas resposta precisa ser rápida
Sem nenhuma vitória em dez jogos, Gilson Kleina deixa o Itabaiana
Último colocado da Série C do Campeonato Brasileiro, com apenas um ponto em cinco rodadas, o Itabaiana optou por mudar de caminho visando uma retomada. Veio a troca no comando técnico: Gilson Kleina deixou o clube, e já tem substituto.
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Marcelo Chamusca, ABC
Guilherme Drovas/ABC
Na última quarta-feira, Marcelo Chamusca foi confirmado como novo treinador do Tricolor. Ele estreia no comando da equipe no próximo sábado, quando o Itabaiana recebe o Floresta no Mendonção às 17h, pela sexta rodada.
Marcelo é um nome com vasta experiência no futebol brasileiro. Aos 59 anos, ele foi campeão cearense por Ceará e Fortaleza, paraense no Paysandu, e da Copa Verde pelo Cuiabá, além dos acessos com Ceará (Série B para A em 2017), Guarani (Série C para B em 2016) e Salgueiro (Série D para C em 2013).
Ele tem passagens por outros clubes importantes, como Botafogo, Vitória, Ponte Preta, Guarani, Atlético Goianiense e Náutico. Seu trabalho mais recente foi no ABC, onde esteve no início de 2026.
No clube potiguar, Chamusca fez 12 jogos oficiais, com seis vitórias, cinco empates e uma derrota. Sua demissão se deu após o vice-campeonato estadual, perdendo a decisão para o América-RN, em um trabalho que não empolgou muito o torcedor.
Porém, de forma geral, é possível dizer que o Itabaiana fez uma boa escolha. Chamusca é um treinador bastante experiente, com muita rodagem, e que será capaz de lidar com a pressão que existe por resultados imediatos na serra. Em meio aos problemas, a opção é por um profissional mais tarimbado em meio ao peso.
Logicamente o futebol não é uma ciência exata, e diferentes fórmulas podem ter sucesso e coexistir. Mas de forma geral, um nome de maior rodagem traz um estofo para si capaz de aliviar o peso em relação a elenco e diretoria.
Chamusca em Al-Shabab e Al-Taawoun pela Liga Saudita
Michael Regan/Getty Images
E dá para dizer que, nesse aspecto, o Itabaiana vem tendo sucesso. Desde que retornou ao cenário de calendário nacional, em 2024, o time opta por uma linha muito clara de profissionais experientes: Ailton Silva, Roberto Cavalo, Gilson Kleina em duas passagens, Roberto Fonseca, e agora Chamusca.
Apenas o auxiliar Ferreira, como interino, saiu dessa lógica quando necessário. Ao entender que seu primeiro objetivo é permanecer no cenário nacional, especialmente em uma Série C, o Itabaiana não apela para a aleatoriedade, mas mantém a métrica de nomes rodados.
As escolhas em questão independem de questões táticas ou técnicas, mas com uma filosofia específica. Até porque, taticamente, não deve haver uma revolução.
Em seus trabalhos mais recentes, por Tombense e ABC, Marcelo utilizou bastante o 4-3-3, formação na qual o Itabaiana jogou com alguma frequência nas últimas temporadas. O próprio Kleina, inclusive, usou-a em várias oportunidades.
Porém, a grande questão é outra. Chamusca sabe que o tempo vai ficando cada vez mais curto, e a resposta precisa ser rápida. Lanterna da Série C, o Itabaiana tem 14 rodadas para tentar sair do buraco, e enfim voltar a vencer.
Já são dois meses e uma sequência de dez jogos sem triunfos, a pior desde 2011. E o futebol, independente de qualquer cenário e especialmente em divisões menores a nível nacional, está pautado no resultado.
Itabaiana x Botafogo-PB, Copa do Nordeste 2026
Mateus Mendonça/AOI
Veja a tabela completa da Série C
Mais do que as vitórias, Chamusca terá a missão de devolver moral e autoestima ao elenco. Uma sequência dura de reveses cria uma espiral negativa, tanto técnica quanto psicologicamente – algo no qual Kleina batia muito na tecla durante a última passagem.
Voltando a vencer, o novo técnico terá mais tempo e tranquilidade para implementar seu estilo. Por isso, é de se imaginar que ele não faça tantas mudanças drásticas logo de cara, mas sim que faça o suficiente para que o time retome a confiança e conquiste resultados.
Dar uma cara a um elenco que ainda não se encontrou na temporada, especialmente com os reforços, é uma necessidade clara. É claro que questões específicas da equipe não dizem respeito ao treinador, mas explorar o melhor do elenco é uma premissa basilar da função, independente do nome.
Outro desafio é voltar a transformar o Mendonção em uma fortaleza. O Itabaiana foi o sexto melhor mandante da Série C em 2025, onde fez 18 de seus 22 pontos, e teve no seu estádio um ponto fundamental na permanência tão suada.
Já em 2026, a história tem sido outra, com duas derrotas nos dois jogos em casa até aqui. Ainda mais por se tratar de uma competição em turno único na fase inicial, ir bem em casa tem um peso dobrado, e é algo que não pode se perder.
Ainda faltam 14 rodadas para o fim da primeira fase da Série C, e especialmente por se tratar de um campeonato tão nivelado, muita coisa pode acontecer. Historicamente, já vimos arrancadas ou derrocadas pontuais que transformaram temporadas para o bem ou para o mal.
Mas em se tratando de um Itabaiana que não vence há dois meses, sair da espiral negativa de derrotas é o mais importante. Para isso acontecer, o clube faz uma boa e experiente aposta visando voltar a vencer e recuperar moral o quanto antes.
Marcelo Chamusca sabe o tamanho do desafio que terá, mas chega com estofo para virar o jogo. Sábado, contra o Floresta, terá a primeira de 14 batalhas.
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