Longe do filho no Dia das Mães, zagueira do Atlético-MG desabafa: “Tudo na minha vida”
Dia das Mães: o domingo também será marcada pela saudade
Ao falar do filho, a zagueira Karen Cristina, do Atlético-MG, não escondeu a emoção. Atendeu chamada de vídeo do pequeno na Vila Olímpica logo que ele chegou da escola. O sorriso ficou no rosto do início ao fim. A relação dos dois, embora não seja de sangue, parece ser de alma. A jogadora fez questão de reafirmar o carinho e a dedicação para proporcionar uma vida melhor ao herdeiro.
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Aos dois anos, Ravi Lucca aprendeu cedo a conviver com a saudade da mãe. O menino mora em São Paulo com a mãe biológica, a cerca de 580 quilômetros de Belo Horizonte. Karen tenta aproveitar as folgas no futebol para encontrar o filho, mas o calendário apertado de jogos nem sempre permite tantos momentos juntos.
– Às vezes eu fico triste, mas fico feliz por poder proporcionar uma boa vida para ele. Eu ligo para ele todos os dias. Dizem que ser mãe é fazer sacrifícios. Na escola dele teve uma trend de dia das mães e só a outra mãe dele conseguiu ir. Dói, porque é um momento que eu queria acompanhar – disse Karen ao ge.
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Karen Cristina, do Atlético-MG
Izabela Baeta/ge
Em processo final de recuperação de lesão no joelho direito, Karen não vai conseguir passar o dia das mães com o filho. O Atlético-MG viaja para São Paulo neste domingo para o duelo com o Palmeiras, pelo Brasileirão Feminino. Contudo, a zagueira ficará na Vila Olímpica, em tratamento.
“Agora minhas fichas são 100% nele. Tudo que eu entrego em campo é para ele. Dar condições melhores. Então às vezes eu abro mão, a gente se esforça tanto para não faltar nada e no final falta a gente. O Ravi é tudo na minha vida.”
A ligação com o filho é presente até mesmo nos detalhes. No Galo, Karen veste a camisa 24, em homenagem ao ano que Ravi nasceu.
Mãe de alma
A história de Karen com Ravi começou quando a ex-companheira descobriu a gravidez. Na época, as duas estavam separadas. No ímpeto, a zagueira do Galo não teve dúvidas: assumiu a criança e toda a responsabilidade que viria no pacote.
– Ela falou assim: “Eu não quero ele (o bebê). Eu não tenho estrutura agora para ter um filho”. Eu fui calma e falei: “Eu assumo ele. Você fica com ele. Eu assumo a responsabilidade de mãe”. Porque meu sonho sempre foi ser mãe de menino.
Na época da gravidez, Karen também voltou a namorar a mãe do filho. Atualmente, contudo, as duas não estão mais juntas. Mas a amizade entre elas se manteve.
Karen Cristina, do Atlético-MG
Luís Amaral / Atlético
A gestação não foi um período fácil. A mãe biológica de Ravi passou por alguns estresses que complicaram o processo – ela enfrentou até mesmo sangramentos. O apoio de Karen foi fundamental na época. Desde a barriga, ela já conversava com o filho.
– Eu mandava áudio falando com ele e ela colocava na barriga. E aí ela colocava e ele toda vez que ele escutava minha voz, ele chutava, ele chutava muito. Meu olho brilhava e eu pensava: “Olha, ele está chutando, ele está me entendendo”. E eu conversava de tudo com ele.
Ligação forte
A jogadora não conseguiu acompanhar o nascimento do filho. Na época, ela estava no Mixto, no Mato Grosso, e não conseguiu ir a São Paulo. Ela conheceu o filho por vídeo chamada e logo se apaixonou. O encontro pessoalmente foi alguns meses depois.
– Quando ela abriu a porta, eu vi aquele pacotinho na cama. Meu olho brilhou. Eu saí pegando ele no colo e eu não sabia como pegar, ele era tão pequenininho ainda. E ele abriu o olhinho, ele dava aquele sorrisinho banguelo (risos).
Karen Cristina com o filho
Reprodução/Instagram
Depois, os encontros dos dois passaram a ser mais difíceis. Pela rotina, Karen não consegue ir até São Paulo. Com a lesão, o filho passou um mês em BH, já que ela estava com a agenda mais tranquila pelo tratamento no DM.
As lembranças do filho, contudo, andam com Karen – de forma literal. Ela tem uma pulseira com o nome de Ravi gravado. Além do chaveiro na mochila.
Nos momentos de saudade, a atleta recorre ao cobertor do pequeno, que segundo ela, ainda tem o cheiro dele. A zagueira ainda revelou que fará uma tatuagem para homenageá-lo.
– Eu ando com essa “cobertinha” desde o dia que ele nasceu. Todo canto que eu vou. Ainda tem o cheirinho dele. Quando ele vem, eu pego ela. Às vezes eu vou viajar com ela.
Ravi ainda não conseguiu ver a mãe jogar de perto. Mas um desses momentos foi registrado no celular – o jeito que eles têm para manter o contato diário. Pela televisão, o pequeno já consegue reconhecer Karen.
– Ele é apegado comigo e uma parte que me emocionou muito foi quando eu estava num jogo e a mãe dele gravou. Eu passei na TV, aí ele estava comendo no sofá e apontou “É a mamãe. É mamãe, mamãe”. Depois do jogo, quando eu vi, eu chorei tanto, porque é meu sonho entrar com ele em campo.
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