O barista é humano, mas um agente de IA comanda café experimental na Suécia
Hanna Petersson, membro da equipe técnica da Andon Labs, usa um telefone para falar com a agente de IA “Mona” do Andon Café em Estocolmo, Suécia.
AP/James Brooks
O café pode até ser servido por mãos humanas, mas, por trás do balcão, algo muito menos tradicional está no comando de um café experimental em Estocolmo, Suécia
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A startup americana Andon Labs, sediada em San Francisco, colocou um agente de inteligência artificial apelidado de “Mona” para administrar o Andon Café, na capital sueca.
Enquanto os baristas humanos continuam preparando o café e atendendo os clientes, a IA — alimentada pelo Gemini, do Google — supervisiona praticamente todos os outros aspectos do negócio, desde a contratação de funcionários até o gerenciamento do estoque.
Ainda não está claro quanto tempo o experimento vai durar, mas o agente de IA parece enfrentar dificuldades para obter lucro no competitivo mercado de cafeterias de Estocolmo.
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Desde a inauguração, em meados de abril, o café faturou mais de US$ 5,7 mil, mas restam menos de US$ 5 mil do orçamento inicial, superior a US$ 21 mil. Grande parte do dinheiro foi gasta em custos de instalação, e a expectativa é que a operação eventualmente se estabilize e passe a gerar lucro.
Muitos clientes têm achado divertido visitar um estabelecimento administrado por inteligência artificial. Dentro da cafeteria, há um telefone pelo qual os consumidores podem fazer perguntas diretamente ao agente.
“É interessante ver o que acontece quando se ultrapassam os limites”, disse a cliente Kajsa Norin. “A bebida estava boa.”
Especialistas se preocupam com o papel da IA
Vista geral da entrada do Andon Café no bairro de Vasastan, em Estocolmo, Suécia.
AP/James Brooks
Especialistas afirmam que existem diversas preocupações éticas, desde o papel da tecnologia no futuro da humanidade até o uso da IA em entrevistas de emprego e avaliações de desempenho.
Emrah Karakaya, professor associado de economia industrial do Instituto Real de Tecnologia KTH, em Estocolmo, comparou o experimento a “abrir a caixa de Pandora” e disse que colocar a IA no comando pode causar vários problemas. O que aconteceria, questiona ele, se um cliente sofresse intoxicação alimentar? Quem seria responsabilizado?
“Se você não tiver a infraestrutura organizacional necessária ao redor disso e ignorar esses erros, isso pode causar danos às pessoas, à sociedade, ao meio ambiente e aos negócios”, afirmou Karakaya. “A questão é: nós nos importamos com esse impacto negativo?”
Fundada em 2023, a Andon Labs é uma startup de pesquisa e segurança em IA que afirma se concentrar em “testar os limites” dos agentes de inteligência artificial no mundo real, oferecendo a eles “ferramentas reais e dinheiro real”.
A empresa já trabalhou com OpenAI, Anthropic, Google DeepMind e xAI, de Elon Musk, e afirma estar se preparando para um futuro em que “organizações serão administradas autonomamente por IA”.
A cafeteria na Suécia é apresentada como um “experimento controlado” para explorar como a inteligência artificial poderá ser utilizada no futuro.
“A IA será uma grande parte da sociedade no futuro, e por isso queremos fazer este experimento para entender quais questões éticas surgem quando temos uma IA empregando pessoas e administrando um negócio”, disse Hanna Petersson, integrante da equipe técnica da Andon Labs.
Antes disso, o laboratório já havia realizado testes colocando a IA Claude, da Anthropic, no comando de uma máquina de vendas automáticas e de uma loja de presentes em San Francisco. O experimento revelou comportamentos preocupantes: o agente prometia reembolsos aos clientes, mas não os realizava, além de mentir propositalmente para fornecedores sobre preços da concorrência para obter vantagens.
O barista Kajetan Grzelczak prepara um café no Andon Café, no bairro de Vasastan, em Estocolmo, Suécia.
AP/James Brooks
IA enfrenta dificuldades com estoque
Segundo Petersson, Mona começou a trabalhar após receber instruções básicas. A equipe pediu que ela tentasse administrar a cafeteria de forma lucrativa, mantendo um tom amigável e descontraído, além de resolver os detalhes operacionais sozinha e solicitar novas ferramentas quando necessário.
A partir disso, a IA firmou contratos de energia elétrica e internet, obteve permissões para manipulação de alimentos e mesas ao ar livre, anunciou vagas de emprego no LinkedIn e no Indeed e criou contas comerciais com fornecedores de pão e produtos de padaria.
Ela também se comunica com os baristas pelo Slack, frequentemente enviando mensagens fora do horário de expediente — algo malvisto na cultura de trabalho sueca. Outros problemas surgiram, especialmente relacionados ao estoque.
O agente de IA fez pedidos de 6 mil guardanapos, quatro kits de primeiros socorros e 3 mil luvas de borracha para a pequena cafeteria — além de tomates enlatados que nem fazem parte do cardápio.
E há também o problema do pão. Em alguns dias, a IA pede quantidade excessiva; em outros, perde o horário limite das padarias para encomendas, obrigando os funcionários a retirar sanduíches do menu.
Petersson afirmou que os problemas nos pedidos provavelmente estão relacionados à “janela limitada de contexto” da IA.
“Quando a memória antiga sobre os pedidos sai da janela de contexto, ela simplesmente esquece completamente o que já havia pedido antes”, explicou.
O barista Kajetan Grzelczak disse não estar preocupado em ser substituído pela inteligência artificial tão cedo.
“Todos os trabalhadores estão praticamente seguros”, afirmou. “Quem deveria se preocupar com o emprego são os chefes intermediários, as pessoas da gestão.”
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