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SAF Botafogo entra com pedido de recuperação judicial e critica gestão de Textor

SAF Botafogo entra com pedido de recuperação judicial e critica gestão de Textor

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A SAF Botafogo protocolou nesta quinta-feira o pedido de recuperação judicial. A empresa já atuava sob os efeitos de uma recuperação judicial – como congelamento na execução de dívidas – desde que no fim de abril obteve na Justiça uma medida cautelar.
Na nota em que anunciou a medida nesta quinta, o Botafogo também criticou publicamente pela primeira vez John Textor, ex-dono da SAF alvinegra. O texto publicado no site do Botafogo afirma que a gestão de Textor mostrou “absoluto descompromisso com a estabilidade financeira e institucional” da SAF.
O Botafogo afirmou que a decisão de protocolar a recuperação judicial ocorre pelo “grave cenário financeiro” enfrentado pela companhia, com “riscos decorrentes de transfer bans impostos no âmbito da Fifa, vencimentos antecipados de obrigações financeiras e severas restrições de caixa” (leia a nota completa ao fim desta matéria).
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A SAF do Botafogo também criticou a Eagle Football, acionista majoritária da SAF. A nota afirma que a companhia alvinegra sofreu um “forte processo de descapitalização” por parte da acionista e que mais de R$ 900 milhões teriam deixado de retornar ao Botafogo, “ao mesmo tempo em que o clube deixou de receber os aportes e o suporte financeiro necessários”.
O Botafogo apontou responsabilidade de John Textor, afastado da gestão da companhia desde 23 de abril por decisão do Tribunal Arbitral da Fundação Getúlio Vargas.
— A condução adotada pela Eagle Football e por John Textor revelou absoluto descompromisso com a estabilidade financeira e institucional da SAF Botafogo, contribuindo diretamente para o agravamento da crise enfrentada pelo clube e para o cenário de extrema fragilidade que tornou inevitável o ajuizamento da Recuperação Judicial — diz outro trecho da nota.
Na petição protocolada na Justiça, a SAF Botafogo. afirmou que o passivo (dívida) sujeito à recuperação judicial é de cerca de R$1,286 bilhão. A dívida total supera a casa de R$ 2,5 bilhões, sendo cerca de R$ 400 milhões em dívidas tributárias, mas nem todo o passivo é sujeito à renegociação no ambiente da recuperação judicial.
Nesta quinta-feira, em Assembleia Geral Extraordinária, a SAF Botafogo nomeou Enrique Iglesias como novo diretor-geral da empresa. Ele substitui o ex-presidente Durcesio Mello, que havia herdado o cargo de forma interina após o afastamento de John Textor.
Leia a nota do Botafogo:
“A SAF Botafogo informa que, em continuidade ao processo de reorganização financeira já iniciado com o ajuizamento de medida cautelar, protocolou, na noite desta quinta-feira (14), pedido de Recuperação Judicial como medida necessária para proteger o clube, preservar suas atividades, garantir o cumprimento de suas obrigações e assegurar a continuidade do projeto esportivo do Botafogo.
A decisão foi tomada diante do grave cenário financeiro enfrentado pela companhia, agravado por sucessivos bloqueios, riscos decorrentes de transfer bans impostos no âmbito da FIFA, vencimentos antecipados de obrigações financeiras e severas restrições de caixa que passaram a comprometer a própria operação cotidiana do clube.
Com o ajuizamento da Recuperação Judicial, a SAF Botafogo ingressa em uma nova etapa de reorganização estruturada, com maior estabilidade jurídica e financeira para condução de negociações com credores, investidores e parceiros estratégicos.
A medida também permite o início formal da elaboração e discussão de um plano de Recuperação Judicial, que será submetido aos credores na forma da lei, criando um ambiente de previsibilidade, supervisão judicial e proteção institucional necessário para o reequilíbrio financeiro da companhia.
Além disso, o efetivo pedido de Recuperação Judicial era medida indispensável diante das recentes sanções desportivas sofridas pelo clube, incluindo transfer bans impostos no âmbito da FIFA. A própria FIFA esclareceu que a tutela cautelar anteriormente deferida não produzia os efeitos jurídicos equivalentes ao processamento da Recuperação Judicial, razão pela qual a SAF Botafogo precisou avançar imediatamente para esta nova fase, como forma de proteger suas atividades esportivas, preservar sua competitividade e evitar prejuízos ainda mais severos ao clube.
Nos últimos meses, a SAF Botafogo sofreu forte processo de descapitalização dentro da estrutura do Grupo Eagle. Mais de R$ 900 milhões deixaram de retornar ao Botafogo, ao mesmo tempo em que o clube deixou de receber os aportes e o suporte financeiro necessários para manutenção de suas atividades e competitividade esportiva.
Enquanto outros ativos do grupo receberam investimentos substanciais — incluindo aportes recentes de aproximadamente US$ 90 milhões no Lyon — o Botafogo permaneceu, por mais de um ano, sem qualquer injeção relevante de recursos, mesmo diante de reiterados alertas sobre a deterioração do caixa e os riscos concretos à continuidade operacional da SAF
A Eagle Football, sua administração e seus representantes diretos tinham pleno conhecimento da gravidade da situação financeira enfrentada pela SAF Botafogo.
Ainda assim, além de não promoverem os aportes e medidas necessários à preservação da companhia, permaneceram como os principais beneficiários da estrutura financeira que retirou recursos relevantes do clube sem a correspondente recomposição de capital ou suporte operacional adequado.
Desde então, a condução adotada pela Eagle Football e por John Textor revelou absoluto descompromisso com a estabilidade financeira e institucional da SAF Botafogo, contribuindo diretamente para o agravamento da crise enfrentada pelo clube e para o cenário de extrema fragilidade que tornou inevitável o ajuizamento da Recuperação Judicial.
A Recuperação Judicial é o instrumento legal utilizado para proteger o clube, reorganizar suas finanças, preservar empregos, honrar compromissos, manter a competitividade esportiva e garantir que o Botafogo continue existindo forte para as próximas gerações
O objetivo da medida é assegurar estabilidade, transparência e supervisão judicial para que o Botafogo possa reestruturar seu passivo de forma organizada e responsável, protegendo seus atletas, funcionários, credores, parceiros comerciais e, principalmente, sua torcida.”
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